Para além da hipótese, esperemos
que confirmada, de vitória do Benfica na Liga Europa e das incidências
políticas no cenário português, a imprensa destaca o acentuado recuo verificado
na economia portuguesa, 3.9%, apenas inferior à situação da Grécia e de Chipre,
e as recomendações do Relatório da OCDE sobre a reforma do Estado que foi
encomendado pelo governo e que vem legitimar, sem estranheza, algumas, não
todas, as opções e políticas em curso e planeadas.
No entanto, queria chamar a
atenção para um outro Relatório da OCDE hoje conhecido que refere o preocupante
aumento da assimetria na distribuição da riqueza que se tem verificado no contexto
da crise. Dito de outra maneira, aumenta o fosso entre os rendimentos dos 10%
mais ricos e os rendimentos dos 10% mais pobres. Nada que se não antecipasse
mas sempre negado pelos discursos políticos que assentam no mirífico
entendimento de que a realidade é a projecção dos seus desejos.
Como o relatório sublinha, esta
crescente assimetria ameaça fortemente as condições de vida dos mais pobres o
que se acentua ainda mais significativamente nas situações em que se verificam
fortíssimas restrições na despesas públicas, em particular nas áreas sociais do
estado, matéria em que Portugal é um exemplo paradigmático.
Por outro lado, dados do INE,
hoje divulgados no contexto do Dia Internacional da Família, mostram que 18%
dos agregados familiares portugueses vivem em risco de pobreza e que cerca de 320
mil (3,1%) os portugueses não conseguem assegurar uma refeição de carne e peixe
pelo menos de dois em dois dias.
De registar ainda que, também sem
surpresa, os grupos mais afectados por este risco de pobreza são as pessoas que
vivem sós, maioritariamente idosos, as mulheres e as famílias com crianças,
sobretudo as mais numerosas.
É ainda de referir que segundo o INE, dos cerca de um milhão de desempregados registados oficialmente, apenas 44% têm subsídio de desemprego que as políticas de austeridade pretendem encurtar ou eliminar.
É ainda de referir que segundo o INE, dos cerca de um milhão de desempregados registados oficialmente, apenas 44% têm subsídio de desemprego que as políticas de austeridade pretendem encurtar ou eliminar.
Temos, pois um cenário de causar
a maior das preocupações e uma enorme interrogação, como irá (sobre)viver esta
gente se não se vislumbra uma alteração de políticas e circunstâncias que
minimizem os riscos de pobreza, as assimetrias sociais e que sejam amigáveis
das pessoas e não dos mercados ao serviço dos quais estão, justamente, as
pessoas.
Como diria de forma
extraordinária o Presidente Cavaco Silva, inspirado pela Dra. Maria Cavaco, este cenário estimulará certamente
uma fortíssima inspiração a Nossa Senhora de Fátima depois de ter inspirado a
sétima avaliação da Troika.
Ainda assim, lembro-me do ditado
popular, "Fia-te na Virgem e não corras ..."
Sem comentários:
Enviar um comentário