O MECI, sempre atento e oportuno, ‘Orientações para Refeições e Refeitórios Escolares de 2026. Foram emitidas pelo inevitável pelo EDUQA – Instituto de Educação, Qualidade e Inovação, em colaboração com a Direcção-Geral da Saúde, através do Programa Nacional para a Promoção de Alimentação Saudável (PNPAS).
Segundo se lê no Público, será
reforçado a consumo de vegetais nas ementas, a diminuição do número de
sobremesas doces e de alimentos fritos e
a limitação da utilização de produtos transformados de carne e pescado. Relava
também que “Nuggets’, rissóis e croquetes saem da ementa e apenas uma sobremesa
doce, como gelado de leite, sobremesa láctea e gelatina, serão servidos por mês.
Parece positivo, resta a dúvida.
Nas mais das vezes, as orientações do MECI são mais indicativas, “sugere-se que
assim seja” do que imperativas “será assim”. A ver vamos.
Na verdade, no quadro de bem-estar
e saúde dos mais novos são preocupantes os indicadores relativos à obesidade,
questão que aqui tenho abordado e a que
volto.
De acordo com dados recentemente
divulgados pelo INE, em Portugal, 22,6% das crianças entre os 5 e os 14 anos
tem excesso de peso sendo que 12,9% com obesidade. Estes indicadores estarão
associados ao tipo de alimentação, 41,7% consome refeições “fast food” ou
alimentos ultraprocessados pelo menos uma vez por semana e o consumo de
refrigerantes é hábito diário para 8,9%. Por outro lado, legumes ou saladas
surgem diariamente no prato de apenas 44,1% das crianças.
Acresce que os níveis de
sedentarismo entre os mais novos também estarão associados a este cenário.
Recordando o estudo COSI Portugal (Childhood Obesity Surveillance Initiative),
integrado no Childhood Obesity Surveillance Initiative da OMS/Europa,
coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge sobre o
excesso de peso e obesidade infantil que aqui citei na altura, (2022), alguns
indicadores.
O estudo envolveu 6205 crianças
entre os seis e os oito anos de 226 escolas de Portugal continental e dos
arquipélagos dos Açores e da Madeira e, no que respeita ao sedentarismo, entre
2019 para 2022, todos os parâmetros estudados subiram entre 2,2 e 9,3%. É de
sublinhar, sem surpresa, que se verificou um aumento de 18 para 27% na
utilização de videojogos durante a semana pelo menos duas horas por dia.
Importa considerar que estudos mais recentes apontam para um tempo superior de
exposição a ecrãs por parte das crianças.
Estes dados estão em linha com os
de relatórios anteriores e com estudos nacionais sobre os hábitos alimentares e
estilo de vida dos mais novos e sobre as potenciais consequências para o seu
desenvolvimento.
Relembro que em 2021 se
regulamentou a oferta alimentar nas escolas com o objectivo de promover estilos
alimentares mais saudáveis.
Apesar de parecer uma birra ou
teimosia acho sempre importante sublinhar a importância que deve merecer a
questão dos hábitos alimentares e o combate ao sedentarismo, sobretudo nos mais
novos.
As consequências potenciais deste
quadro em termos de saúde e qualidade de vida são muito significativas, quer em
termos individuais, quer em termos sociais. Assim, e como já tenho referido, um
problema de saúde pública desta dimensão e impacto justifica a definição de
programas de prevenção, educação e remediação que o combatam. Sem surpresa,
surgem sempre algumas reacções contra o chamado “fundamentalismo nos hábitos
individuais”, mas creio que são também de ponderar as implicações colectivas e
sociais do problema.
Também sabemos que o
excesso de peso, o sedentarismo e os riscos associados não serão uma escolha
individual para a generalidade dos miúdos e graúdos nessa situação, trata-se de
algo de que não gostam e sofrem de diferentes formas com isso.
À escola não compete
tudo, não pode, nem deve ser responsável por todos os problemas que afectem a
população em idade escolar. Por outro lado, apesar de em termos de educação
familiar se registarem melhores níveis de literacia sobre saúde estilos de
vida, ainda temos muito que caminhar.
No entanto, sei, sabemos, que
pela educação é que vamos.