Li com atenção o texto de David Rodrigues no Público, “Educação Inclusiva: o que precisamos saber para intervir”.
A propósito, umas brevíssimas notas
em linha com o que tantas vezes aqui escrevi e com o que aprendi e defendi nas
últimas quase cinco décadas de vida profissional neste universo. Desculpem a simplicidade do que se segue.
Identificar de forma competente a
natureza de eventuais dificuldades não é um processo de “rotulagem” ou “categorização,
só o será se daí decorrer discriminação negativa ou “guetização” e não a
adequação da resposta educativa. Da mesma forma, a definição de "categorias" de respostas onde se "encaixam" alunos, não faz parte de uma avaliação competente e de suporte à intervenção.
Para dar boas respostas é imprescindível
fazer boas perguntas, estou a falar de avaliação. Lidei com múltiplas situações em que a intervenção definida não era sustentada por avaliação robusta e competente
Utilizar a avaliação para definir
“deficientes vs normais”, “necessidades educativas especiais vs “todos os
outros”, “universais, “selectivos”, “adicionais” ou outras variantes não é
avaliação e não deve confundir-se.
No que diz respeito às respostas, a intervenção, recordo que muitíssimas vezes perguntei a grupos de pais se tratavam os filhos da mesma maneira. Nunca alguém me disse que sim, eu perguntava porquê e tinha a resposta tipo, "eles são diferentes" para além de perceber nos pais a estranheza pela pergunta. Pois é, sem grandes roupagens teóricas isto é "diferenciação", a chave de qualquer intervenção educativa depois das perguntas adequadas.
A questão mais crítica são os recursos disponíveis em qualidade e quantidade e a regulação das intervenções. Para o resto já me falta a disponibilidade e a convicção sobre a pertinência de muito do que leio e oiço.
Ainda neste sentido e quanto ao Regime Jurídico da
Educação Inclusiva a entrar em vigor em Janeiro de 2027, aguardo com
expectativa os efeitos da criação do Sistema Nacional de Apoio à Inclusão, da
construção do PDI – Plano de Desenvolvimento Individual, do Gestor de Apoio à
Inclusão, da Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva, da Equipa
Local de Apoio à Inclusão, … num tempo em que os recursos da educação abundam.
Post Scriptum – Já agora e mais
uma vez, talvez vá sendo tempo de não insistir no uso da designação
"educação inclusiva" para referir a educação dos alunos que revelam alguma
dificuldade. A educação inclusiva é de e para todos e, portanto, deveria ser
“apenas” Educação que no nosso quadro constitucional é obrigatória, gratuita e
UNIVERSAL.
Sem comentários:
Enviar um comentário