terça-feira, 18 de agosto de 2026

PERGUNTAS, RESPOSTAS E CATEGORIAS EM EDUCAÇÃO

 Li com atenção o texto de David Rodrigues no Público, “Educação Inclusiva: o que precisamos saber para intervir”.

A propósito, umas brevíssimas notas em linha com o que tantas vezes aqui escrevi e com o que aprendi e defendi nas últimas quase cinco décadas de vida profissional neste universo. Desculpem a simplicidade do que se segue.

Identificar de forma competente a natureza de eventuais dificuldades não é um processo de “rotulagem” ou “categorização, só o será se daí decorrer discriminação negativa ou “guetização” e não a adequação da resposta educativa. Da mesma forma, a definição de "categorias" de respostas onde se "encaixam" alunos, não faz parte de uma avaliação competente e de suporte à intervenção.

Para dar boas respostas é imprescindível fazer boas perguntas, estou a falar de avaliação. Lidei com múltiplas situações em que a intervenção definida não era sustentada por avaliação robusta e competente

Utilizar a avaliação para definir “deficientes vs normais”, “necessidades educativas especiais vs “todos os outros”, “universais, “selectivos”, “adicionais” ou outras variantes não é avaliação e não deve confundir-se.

No que diz respeito às respostas, a intervenção, recordo que muitíssimas vezes perguntei a grupos de pais se tratavam os filhos da mesma maneira. Nunca alguém me disse que sim, eu perguntava porquê e tinha a resposta tipo, "eles são diferentes" para além de perceber nos pais a estranheza pela pergunta. Pois é, sem grandes roupagens teóricas isto é "diferenciação", a chave de qualquer intervenção educativa depois das perguntas adequadas. 

A questão mais crítica são os recursos disponíveis em qualidade e quantidade e a regulação das intervenções. Para o resto já me falta a disponibilidade e a convicção sobre a pertinência de muito do que leio e oiço.

Ainda neste sentido e quanto ao Regime Jurídico da Educação Inclusiva a entrar em vigor em Janeiro de 2027, aguardo com expectativa os efeitos da criação do Sistema Nacional de Apoio à Inclusão, da construção do PDI – Plano de Desenvolvimento Individual, do Gestor de Apoio à Inclusão, da Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva, da Equipa Local de Apoio à Inclusão, … num tempo em que os recursos da educação abundam.

Post Scriptum – Já agora e mais uma vez, talvez vá sendo tempo de não insistir no uso da designação "educação inclusiva" para referir a educação dos alunos que revelam alguma dificuldade. A educação inclusiva é de e para todos e, portanto, deveria ser “apenas” Educação que no nosso quadro constitucional é obrigatória, gratuita e UNIVERSAL.

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