A existência de avaliação externa
nos sistemas educativos é uma ferramenta imprescindível de regulação e promoção
da sua qualidade embora, só por si, não a garanta. Esta avaliação externa pode
ser realizada em diferentes patamares e dispositivos de que exames, provas de
aferição ou estudos comparativos internacionais de desempenho dos alunos como o
PISA ou o TIMSS são exemplos.
Nesta perspectiva, é sempre com
interesse que se aguardam resultados destes dispositivos.
Vem esta introdução a propósito
da divulgação dos resultados do PISA 2025. Em síntese telegráfica, globalmente um
abaixamento dos níveis de desempenho nas áreas em avaliação que também acontece
nos países da OCDE fazendo com que as médias dos alunos portugueses estejam
próximas das médias da UE
Mais preocupante é a manutenção
do peso da “mochila” sociodemográfica dos alunos no seu desempenho, ou seja, os
alunos de famílias com menos recursos e qualificação continuam com desempenho
médio muito baixo.
Como também é habitual quando se
divulgam resultados e no âmbito da sempre presente conflitualidade de
interesses da partidocracia na educação verifica-se uma corrida na tentativa de
explicação ou justificação dos resultados e uma atribuição de responsabilidade
que nunca é própria nos menos positivos. Emergem também comentadores,
especialistas ou não que, por vezes, e em função de agendas mais ou menos
explícitas “vêem” relações de causa/efeito onde apenas se poderão encontrar
associações ou correlações. Nada de novo, lamentavelmente, a discussão estará
condenada à esterilidade e à retórica inconsequente.
É verdade que o volume de
resultados permitirá análises úteis e importantes em termo de acção mas não nos
termos em que mais frequentemente se desenrola a discussão.
Do que se conhece e de outros
sistemas educativos, nada autoriza a sustentar a existência de uma relação de
causa-efeito isolando variáveis como o número de exames ou mudanças
curriculares a definição de Aprendizagens Essenciais numa perspectiva mais
aberta ou as metas curriculares numa abordagem mais prescritiva, com a
definição, por exemplo, de 998 metas curriculares em Português no Ensino Básico.
Por outro lado, também importa
considerar ainda sem relação de causa-efeito, variáveis como clima de escola, qualidade
da direcção escolar, falta e formação de docentes, falta de técnicos e recursos
humanos ou materiais, envolvimento familiar, etc.
Estas notas não servem para um
exercício gratuito de “contrismo”, estar contra tudo o que foi feito,
designadamente, por Maria de Lurdes Rodrigues, Nuno Crato ou Tiago Brandão
Rodrigues, não se trata disso. Trata-se se sublinhar que como muitas vezes
afirmo, os professores e os alunos vão cumprindo a sua parte, apesar de muitos
aspectos negativos das políticas educativas cujos responsáveis se querem tornar
donos de resultados positivos e enjeitar responsabilidades no que de menos bom
acontece.
Quando a poeira assentar volto a
deixar um convite para gastar uns minutos de leitura de uma carta que me parece
de recuperar e que foi publicada no The Guardian em 6 de Maio de 2014 dirigida
a Andreas Schleicher, director do PISA, por um grupo alargado, significativo e
de vários países de académicos e especialistas em educação ou representantes de
entidades a operar neste universo. No documento é apresentada uma leitura muito
interessante do PISA e também avançadas algumas sugestões de desenvolvimento.
Um pequeno excerto para apelar à
leitura e, sobretudo, à reflexão.
"(…) By emphasising a narrow range of
measurable aspects of education, Pisa takes attention away from the less
measurable or immeasurable educational objectives like physical, moral, civic
and artistic development, thereby dangerously narrowing our collective
imagination regarding what education is and ought to be about. (…)"
Precisamos de não esquecer que
existe educação para além do PISA.