Recebi um mail de divulgação em que se anunciavam mais dois projectos dirigidos à escola. Citando a introdução:
“Lisboa, 20 de outubro de 2026
- A Nova SBE e a Fundação Pedro Queiroz Pereira reforçam a parceria na área da
educação através de dois novos projetos: um programa intensivo de liderança
para Diretores Escolares de todo o país e a criação de um laboratório de
melhoria das práticas pedagógicas em sala de aula com recurso a inteligência
artificial. As duas entidades reforçam assim em conjunto o compromisso com o
futuro da Educação em Portugal, unindo conhecimento académico, investigação
aplicada e intervenção concreta para responder a alguns dos principais desafios
enfrentados pelas Escolas, pelos Professores e pelos Diretores Escolares.
Liderança Escolar
O PRISMA — Programa de
Liderança Escolares, desenvolvido pelo Centro de Economia da Educação da Nova
SBE, desafiará 200 Diretores de Escolas Públicas do ensino básico e secundário
para uma semana imersiva com o objetivo de reforçar as competências exigidas a
um diretor escolar e proporcionar a cada participante a oportunidade de
refletir sobre a sua visão estratégica para a escola.
Inovação Pedagógica com
recurso a IA
O Laboratório de inovação
pedagógica, desenvolvido pelo Digital Data Design Institute da Nova SBE e da
NOVA Medical School, irá explorar o potencial dos dados e da inteligência
artificial com o objetivo de apoiar professores e alunos e contribuir para a inovação
e evolução das práticas de ensino em ambiente de sala de aula.”
Algumas notas já aqui repetidas a
propósito da chuva de projectos que vai tombando sobre as escolas.
Sempre recordo José Afonso, “seja
bem-vindo quem vier por bem”, e registo e saúdo todas as iniciativas que possam
contribuir para minimizar ou erradicar problemas ou dificuldades, mas já me
falta convicção no impacto do modelo frequentemente seguido.
Para cada constrangimento ou
dificuldade percebida nas e pelas escolas ou "porque parece útil", com regularidade, aparece vindo de
fora ou gerido de fora, um Plano, um Projecto, um Programa, uma Iniciativa, as
combinações são múltiplas, destinado a essa problemática.
Com demasiada frequência muitos
destes projectos vêm de fora das escolas, as origens são variadas, não chegam a
envolver a gente das escolas, esmagada pelo trabalho, burocracia e outros
constrangimentos como, por exemplo, assegurar da melhor forma possível o
dia-a-dia do trabalho educativo que tem de ser realizado.
Também com demasiada frequência
muitos destes projectos morrem de “morte matada” ou de “morte morrida”, não são
avaliados de forma robusta e dão umas fotografias ou vídeos que compõem o
portfólio dos organizadores e proporcionam uma experiência que se deseja
positiva aos intervenientes no tempo que durou, mas sem impacto significativo
na comunidade.
Todavia, também é preciso
reconhecer que muitos destes Planos, Projectos, Inovações, etc. dão origem a
trabalhos notáveis que, também com frequência, não têm a divulgação e
reconhecimento que todos os envolvidos mereceriam. Fico satisfeito com isto,
mas …e os outros?
Também demasiadas vezes estas iniciativas consomem recursos com baixo retorno e ao serviço de múltiplas agendas.
Na verdade, a “Projectite”,
sobretudo vinda de fora, é uma opção com pouco potencial apesar, insisto, das
boas experiências que felizmente também existem e que desejo a todos.
A escola não consegue fazer tudo,
mas as políticas públicas não são só escola e os projectos de vida
bem-sucedidos para cada criança desenvolvem-se e assentam na diversidade,
competência e coerência das políticas públicas de diversas áreas e dos objectivos
que pretendem atingir.
É “só” isso que falta e fazer
melhor não é uma impossibilidade.