sexta-feira, 4 de setembro de 2026

OS SOBRESSALTOS DA CHAMADA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

 Numa peça do Público regista-se a preocupação de Vera Bonvalot coordenadora do Mecanismo Nacional de Monitorização dos Direitos das Pessoas com Deficiência com as inúmeras dificuldades que alunos com necessidades especiais e respectivas famílias continuam a sentir.

Os problemas são de múltipla natureza, insuficiência preocupante dos recursos humanos, professores e técnicos, designadamente psicólogos e terapeutas, auxiliares educativos bem como o crescimento significativo do número de alunos sinalizados com algum tipo de dificuldade.

Ainda de acordo com Vera Bonvalot, representantes das pessoas com deficiência ouvidos pelo mecanismo alertaram para a inexistência de currículos adaptados produzidos estruturalmente pelo Estado para alunos cegos ou surdos, nomeadamente conteúdos curriculares em braille ou materiais adequados às necessidades dos alunos surdos.

O relatório do Mecanismo Nacional de Monitorização dos Direitos das Pessoas com Deficiência aborda ainda outro tipo de dificuldades incluindo no ensino superior que também aqui tenho abordado com regularidade.

 Deste quadro resulta a impossibilidade de assegurar a muitos alunos aquilo que é “apenas” um direito e não um privilégio, uma resposta educativa de acordo com as suas necessidades. Sim, eu sei que não é fácil, e também sei que existem responsáveis pelas políticas públicas de diversos sectores envolvidas nestas questões.

A verdade é que torturar a realidade não a obriga a confessar. Muitos alunos não estão incluídos nem sequer integrados, estão “entregados” com as consequências que professores, técnicos e pais bem conhecem.

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