Numa peça do Público regista-se a preocupação de Vera Bonvalot coordenadora do Mecanismo Nacional de Monitorização dos Direitos das Pessoas com Deficiência com as inúmeras dificuldades que alunos com necessidades especiais e respectivas famílias continuam a sentir.
Os problemas são de múltipla
natureza, insuficiência preocupante dos recursos humanos, professores e
técnicos, designadamente psicólogos e terapeutas, auxiliares educativos bem
como o crescimento significativo do número de alunos sinalizados com algum tipo
de dificuldade.
Ainda de acordo com Vera
Bonvalot, representantes das pessoas com deficiência ouvidos pelo mecanismo
alertaram para a inexistência de currículos adaptados produzidos
estruturalmente pelo Estado para alunos cegos ou surdos, nomeadamente conteúdos
curriculares em braille ou materiais adequados às necessidades dos alunos
surdos.
O relatório do Mecanismo Nacional
de Monitorização dos Direitos das Pessoas com Deficiência aborda ainda outro
tipo de dificuldades incluindo no ensino superior que também aqui tenho abordado
com regularidade.
Deste quadro resulta a impossibilidade de
assegurar a muitos alunos aquilo que é “apenas” um direito e não um privilégio,
uma resposta educativa de acordo com as suas necessidades. Sim, eu sei que não
é fácil, e também sei que existem responsáveis pelas políticas públicas de
diversos sectores envolvidas nestas questões.
A verdade é que torturar a
realidade não a obriga a confessar. Muitos alunos não estão incluídos nem
sequer integrados, estão “entregados” com as consequências que professores,
técnicos e pais bem conhecem.
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