segunda-feira, 21 de setembro de 2026

PROIBIDO A CRIANÇAS. DEPOIS, PROIBIDO A ...

Com cada vez maior regularidade surgem notícias sobre espaços de diferente natureza que em nome do sossego e da tranquilidade proíbem ou, para ser mais simpático, condicionam o acesso a crianças. Agora no Expresso encontra-se uma peça elucidativa relativa à proibição de frequência de crianças em unidades de hotelaria, restaurantes ou outros espaços. Também em Portugal se vai verificando este tipo de decisões que, de acordo com o trabalho do Expresso, não tem cobertura legal. No entanto, como sabem, boa parte do nosso quadro legal é de natureza indicativa, não imperativa.

Começa por se praticar de forma discreta o condicionamento, corrige-se se despertar algum alarido até melhor oportunidade, volta a insistir-se e alargam-se de mansinho as práticas de “limpeza etária”.

Há uns atrás, creio que em 2011, a Ryannair anunciou a intenção de voos proibidos a crianças que creio não ter avançado.

No entanto existem unidades hoteleiras ou de restauração que têm essa interessante atitude de proibir a entrada a crianças.

Recordo que há uns tempos o conhecido tudólogo Miguel Sousa Tavares também sustentou que as crianças nos restaurantes podiam ser tão incomodativas como o fumo dos seus cigarros.

Estas posições parecem-me interessantes. É de notar que logo surgem apoiantes e existe certamente um nicho de mercado, já identificado evidentemente, quer viver longe das crianças estando, por isso, disposto até a pagar um pouco mais só para não correr o risco de levar com uns putos mal-educados a estragar a viagem, a estadia no hotel ou spa, ou a refeição.

Talvez nas companhias aéreas se possa pensar na hipótese de as crianças poderem viajar em condições especiais como os animais de companhia.

Com é evidente, todos temos histórias destas, não é uma experiência particularmente agradável ter como companhia de viagem ou de refeição miúdos que se comportam como ditadores, miúdos desregulados no comportamento e muitas vezes acompanhados dos respectivos papás que por incompetência ou negligência são incapazes de manter os miúdos tranquilos. Como é óbvio, temos o direito à tranquilidade.

Só que a questão é a natureza da educação que os miúdos têm e não a proibição da sua presença, os miúdos não são todos assim e, por outro lado, todos já fomos miúdos.

Existem muitos adultos que me incomodam e não vejo como proibir a presença de adultos a bordo dos aviões ou noutro qualquer espaço. Um dia destes pode pensar-se em proibir a presença de velhos, são chatos, sempre a contar histórias, as mesmas histórias. Também pode proibir-se a presença de gente obesa, torna o espaço mais apertado para as outras pessoas. Também se poderia proibir a presença de profissionais da política, incomodam demasiada gente. Não têm limite os exemplos que poderemos antecipar.

Este tipo de discurso mostra, também, de que são feitos alguns dos tempos que vivemos, desregulação, intolerância e estabelecimento de guetos sucessivos e cada vez mais exclusivos.

Vão acabar sós.

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