terça-feira, 27 de outubro de 2026

ACESSIBILIDADE E BARREIRAS

No Público encontra-se uma peça sobre as dificuldades que pessoas com mobilidade reduzia sentem no seu dia a dia. Recorda-se que a Lei das Acessibilidades data de 2006

A legislação enquadrava a definição de condições de acessibilidade de espaços públicos, equipamentos colectivos e edifícios de habitação bem como as normas técnicas para a sua execução e a fiscalização da sua aplicação.

Acontece que de acordo com os dados mais recentes do Instituto para os Direitos das Pessoas com Deficiência (IDiPD), apenas 73 câmaras prestam informações sobre aplicação da Lei das Acessibilidades.

Não é propriamente uma surpresa. Repetindo-me e apesar de alguma melhoria, a realidade mostra a prova de obstáculos que as pessoas com deficiência enfrentam diariamente e em múltiplas áreas.

Lamentavelmente não é nada de novo, temos falhas notórias na fiscalização e cumprimento das disposições legais relativas às questões das acessibilidades e barreiras nos edifícios, mobiliário urbano e acessibilidade em geral. As normas de construção não são respeitadas, mantendo-se em edifícios novos a ausência de rampas ou a sua existência com desníveis superiores ao estabelecido, constituindo, assim, um obstáculo e um risco.

O resultado é a existência de muitos serviços públicos e outro tipo de equipamentos de prestação de serviços com barreiras arquitectónicas intransponíveis, a que os cidadãos com deficiência só podem aceder com ajuda de terceiros e, mesmo assim, com dificuldade.

Os transportes públicos de diferente natureza, objecto deste relatório da Provedoria, são também uma enorme fonte de problemas na acessibilidade por parte de pessoas com mobilidade reduzida.

Na verdade, como tantas vezes aqui refiro, a vida de muitas pessoas com deficiência é uma constante e infindável prova de obstáculos, muitas vezes intransponíveis, que ampliam de forma inaceitável a limitação na mobilidade que a sua condição, só por si, pode implicar. No entanto, muitos dos obstáculos não têm apenas a ver com barreiras físicas, remetem para a falta de senso, incompetência ou negligência com que gente responsável(?) lida com estas questões.

Na verdade, boa parte dessas dificuldades decorre do que as comunidades e as suas lideranças, políticas por exemplo, entendem ser os direitos, o bem comum e o bem-estar das pessoas, de todas as pessoas.

Também para as crianças com necessidades especiais e respectivas famílias a vida é muito complicada face à qualidade e acessibilidade aos apoios educativos e especializados necessários apesar do empenho e profissionalismo da maioria dos profissionais que trabalham nestas áreas.

Como é evidente, existem muitas outras áreas de dificuldades colocadas às pessoas com deficiência, designadamente apoios sociais, qualificação profissional e emprego, em que a vulnerabilidade e os riscos de exclusão e pobreza são elevados traduzido em taxas de desemprego entre pessoas com deficiência muitíssimo superiores à verificada com a população sem deficiência.

Uma referência ainda ao que deve ser um princípio não negociável, a inclusão em todos os domínios da vida das comunidades.


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