domingo, 18 de outubro de 2026

UM MUNDO ÀS AVESSAS

 O mundo está duro e agressivo para muita gente, demasiada gente. Os obstáculos ao bem-estar da generalidade dos cidadãos crescem e cada vez mais gente passa mal. O universo da educação, familiar e escolar, inevitavelmente, reflecte o estado do mundo. Está às avessas.

É tempo demais sem que nada mude substancialmente.

Da gestão das políticas públicas espera-se, exige-se, as decisões que criam as condições de serenidade e normalidade do trabalho de alunos e professores.

Sabemos que ensinar e aprender têm sobressaltos, são naturais nestes processos. No entanto, o que nos preocupa, não parecem ser esses sobressaltos esperados.

Mas estamos mesmo num mundo às avessas.

O que temos são decisões ou falta delas que alimentam problemas e pouco impacto têm nas soluções.

O que temos é uma carga de burocracia que promove ineficiência e desgaste sem que o retorno justifique minimamente o esforço e o tempo despendidos.

O que temos em muitas escolas são climas pouco amigáveis para o trabalho educativo da comunidade.

O que temos é um número insuficiente de professores para as exigências da população discente.

O que temos são discursos patéticos, ardilosos, que “martelam” a realidade desconsiderando o conhecimento e a experiência que tanta gente possui.

O que temos são fingimentos de “soluções” que, mais uma vez, alimentam os problemas.

Não, não está tudo mal, nem vai correr tudo mal.

Os professores, na sua esmagadora maioria estão a “dar o litro” sustentados no seu sentido ético, deontológico e competência. Os alunos vão tentar, na sua maioria, fazer o melhor possível e, felizmente, serão bem-sucedidos, esperando que sucesso corresponda, de facto, a aquisição de conhecimentos e competências.

No entanto, a realidade não pode ser esta, a que vivemos, mesmo que do MECI venham outros retratos mais simpáticos.

Daí este meu cansaço e desabafo.

Viver num mundo às avessas é difícil. Mais difícil o sinto quando olho para os meus netos e para todos os netos.

E … irá correr bem. Ou não.

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