O mundo está duro e agressivo para muita gente, demasiada gente. Os obstáculos ao bem-estar da generalidade dos cidadãos crescem e cada vez mais gente passa mal. O universo da educação, familiar e escolar, inevitavelmente, reflecte o estado do mundo. Está às avessas.
É tempo demais sem que nada mude
substancialmente.
Da gestão das políticas públicas
espera-se, exige-se, as decisões que criam as condições de serenidade e
normalidade do trabalho de alunos e professores.
Sabemos que ensinar e aprender
têm sobressaltos, são naturais nestes processos. No entanto, o que nos
preocupa, não parecem ser esses sobressaltos esperados.
Mas estamos mesmo num mundo às
avessas.
O que temos são decisões ou falta
delas que alimentam problemas e pouco impacto têm nas soluções.
O que temos é uma carga de
burocracia que promove ineficiência e desgaste sem que o retorno justifique
minimamente o esforço e o tempo despendidos.
O que temos em muitas escolas são
climas pouco amigáveis para o trabalho educativo da comunidade.
O que temos é um número insuficiente
de professores para as exigências da população discente.
O que temos são discursos
patéticos, ardilosos, que “martelam” a realidade desconsiderando o conhecimento
e a experiência que tanta gente possui.
O que temos são fingimentos de
“soluções” que, mais uma vez, alimentam os problemas.
Não, não está tudo mal, nem vai
correr tudo mal.
Os professores, na sua esmagadora
maioria estão a “dar o litro” sustentados no seu sentido ético, deontológico e
competência. Os alunos vão tentar, na sua maioria, fazer o melhor possível e,
felizmente, serão bem-sucedidos, esperando que sucesso corresponda, de facto, a
aquisição de conhecimentos e competências.
No entanto, a realidade não pode
ser esta, a que vivemos, mesmo que do MECI venham outros retratos mais
simpáticos.
Daí este meu cansaço e desabafo.
Viver num mundo às avessas é
difícil. Mais difícil o sinto quando olho para os meus netos e para todos os
netos.
E … irá correr bem. Ou não.
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