O calendário das consciências assinalou ontem o Dia Internacional de Idoso, universo que me toca de perto.
E a verdade é que muitos idosos,
para além da idade, carregam penas que não merecem, ninguém merece.
Vejamos alguns dados divulgados
pela PSP envolvendo idosos. Nos últimos três anos foram registados mais de 54
mil crimes contra idosos.
Em 2025, globalmente, foram registadas
pela PSP 18230 participações de criminalidade contra pessoas idosos, mais de 13
mil relativas a crimes de natureza patrimonial e 4823 relativas a crimes contra
as pessoas.
Foram registados 894 crimes de
violência doméstica, 1248 crimes de ofensa à integridade física simples e 825
crimes de ameaça e coacção contra idosos. Considerando em particular a
violência doméstica, 44% dos crimes registados são cometidos por filhos.
É um cenário inquietante no meio
de mundo em estado inquietante.
Quer no seio das famílias, quer
em instituições para onde alguns velhos são enviados compulsivamente como tem
sido denunciado pela APAV, algumas encerradas por determinação legal, tal é a
gravidade das situações, multiplicam-se as referências à forma inaceitável como
os velhos estão a ser tratados.
Começam por ser desconsiderados
pelo sistema de segurança social que com pensões miseráveis, transforma os
velhos em pobres, dependentes e envolvidos numa luta diária pela sobrevivência.
Continua com um sistema de saúde
que deixa muitos milhares de velhos dependentes de medicação e apoio sem médico
de família.
Em muitas circunstâncias, as
famílias, seja pelos valores, seja pelas suas próprias dificuldades ou
alterações nos estilos de vida, não se constituem como um porto de abrigo,
sendo parte significativa do problema e não da solução. As situações muito complicadas
em que milhares de famílias estão envolvidas com o retornar de várias gerações
à mesma casa e a tentação de aproveitar os baixos rendimentos dos velhos
potenciam o risco de maus-tratos.
Finalmente, as instituições,
muitas delas, subordinam-se ao lucro e escudam-se numa insuficiente
fiscalização além de que, com frequência, os equipamentos de qualidade são
inacessíveis aos rendimentos de boa parte dos nossos velhos.
Lamentavelmente, boa parte dos
velhos, sofreu para chegar a velho e sofre a velhice.
Não é um fim bonito para nenhuma
narrativa, entende o velho que escreve estas letras.
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