sexta-feira, 23 de outubro de 2026

SOPRAM VENTOS MALINOS

 Estamos num tempo de perplexidade e dúvida face ao crescimento de discursos populistas e demagógicos, apelando à intolerância, ao xenofobismo e a valores de direita radical muitos deles atentatórios de direitos humanos básicos. Os exemplos são muitos, primeiro lá por fora e agora também por cá vão-se multiplicando réplicas deste caminho que nos deixa inquietos face ao futuro e criando ambientes de onde eclodem os ovos da serpente.

Milhões de excluídos e pobres e de jovens sem presente e sem futuro são um alvo fácil para discursos populistas e radicais.

As sementes de mal-estar que que estes milhões de pessoas carregam, muitos deles desde criança são muito facilmente capitalizadas e mobilizadas. A montanha, para muitos inacessível, de conseguir um tecto, é um drama que podemos aceitar.

Talvez a relativa tranquilidade com que se assiste à construção de muros e barreiras de natureza diversa acabe por não ser estranha.

Eles vão sendo construídos nas nossas vidas conduzindo no limite à construção de "condomínios de um homem só" rodeado de muros para que ninguém entre.

Estes muros são menos visíveis, mas não perdem eficácia.

A mediocridade da generalidade das lideranças e o que lhes permitimos fazer criaram, por exemplo, um mundo de desigualdade e exclusão.

É aqui, insisto, que nasce o que nos assusta.

Enfrentamos uma batalha que não podemos perder e tenho dúvidas se a estamos a ganhar e, sobretudo, a querer ganhar. Também passa pela educação, pela escola, pela formação cívica e pela cidadania e, globalmente, com políticas públicas para as pessoas, todas as pessoas.

Para um tipo que em jovem adulto passou pela mudança verificada em Abril de 74 e conheceu o tempo antes e o tempo depois, interroga-se e inquieta-se, porque falhámos, que mundo estamos a construir? Que mundo esperará os meus netos e todas as crianças que têm a vida na sua frente?

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