Estamos num tempo de perplexidade e dúvida face ao crescimento de discursos populistas e demagógicos, apelando à intolerância, ao xenofobismo e a valores de direita radical muitos deles atentatórios de direitos humanos básicos. Os exemplos são muitos, primeiro lá por fora e agora também por cá vão-se multiplicando réplicas deste caminho que nos deixa inquietos face ao futuro e criando ambientes de onde eclodem os ovos da serpente.
Milhões de excluídos e pobres e
de jovens sem presente e sem futuro são um alvo fácil para discursos populistas
e radicais.
As sementes de mal-estar que que
estes milhões de pessoas carregam, muitos deles desde criança são muito
facilmente capitalizadas e mobilizadas. A montanha, para muitos inacessível, de
conseguir um tecto, é um drama que podemos aceitar.
Talvez a relativa tranquilidade
com que se assiste à construção de muros e barreiras de natureza diversa acabe
por não ser estranha.
Eles vão sendo construídos nas
nossas vidas conduzindo no limite à construção de "condomínios de um homem
só" rodeado de muros para que ninguém entre.
Estes muros são menos visíveis,
mas não perdem eficácia.
A mediocridade da generalidade
das lideranças e o que lhes permitimos fazer criaram, por exemplo, um mundo de
desigualdade e exclusão.
É aqui, insisto, que nasce o que
nos assusta.
Enfrentamos uma batalha que não
podemos perder e tenho dúvidas se a estamos a ganhar e, sobretudo, a querer ganhar. Também passa
pela educação, pela escola, pela formação cívica e pela cidadania e, globalmente, com políticas públicas para as pessoas, todas as pessoas.
Para um tipo que em jovem adulto
passou pela mudança verificada em Abril de 74 e conheceu o tempo antes e o
tempo depois, interroga-se e inquieta-se, porque falhámos, que mundo estamos a
construir? Que mundo esperará os meus netos e todas as crianças que têm a vida
na sua frente?
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