terça-feira, 20 de outubro de 2026

TELEMÓVEIS E ESCOLA

 No Público está um trabalho oportuno e interessante sobre os efeitos da não utilização do telemóvel nas escolas básicas do concelho de Oeiras. Foi realizado o estudo “Phones Off —​ Avaliação do Impacto da Proibição dos Telemóveis em Contexto Escolar no Município de Oeiras co a colaboração da Universidade de Aveiro.

A não utilização de telemóveis nestas escolas começou em 2023 e 2024 os resultados são interessantes, pois registam-se efeitos positivos nos espaços fora da sala de aula, mas também nos comportamentos em sala de aula.

O uso do telemóvel por alunos crianças e adolescentes, nas escolas ou mesmo fora delas é uma questão sempre em aberto embora, neste momento estejam proibidos no contexto escolar.

Também sabemos que o telemóvel é cada vez mais uma ferramenta multifunções, incluindo o ensino e a aprendizagem como muitos de nós sabemos por experiência própria, pessoal ou profissional.

Neste contexto, creio que importa também colocar a questão a montante, a utilização que todos damos a estes dispositivos. Seria muito interessante e desejável que se discutisse a sério (incluindo crianças e jovens) nas comunidades educativas a regulação dos comportamentos e definição de regras e limites, sem “superpais”, sem “superfilhos” ou “superprofessores”. No entanto, esta discussão tem de ser acompanhada pela nossa, adultos, pais e/ou profissionais, regulação da sua utilização. Se olharmos para muitas famílias em “convívio” ou para muitos contextos profissionais em “reunião” verificaremos os ecrãs que muitos terão à sua frente e perceberemos o que está por fazer, comportamento gera comportamento. A sobreutilização por parte dos adultos parece-me ser uma variável crítica desta equação e se não conseguirmos todos esta regulação não podemos pedir à escola que o faça com sucesso e de forma continuada no tempo.

Como também tenho referido, creio que este movimento deve ser enquadrado na mudança que felizmente também parece estar a emergir, a não utilização dos manuais digitais no 1.º ciclo também agora decidida refreando o deslumbramento pela “transição digital” que, como ontem escrevi, enquadrando de forma ajustada a inevitabilidade de incorporar estas ferramentas nos processos educativos, também volta a defender a importância de abordagens metodológicas ou didácticas “antigas”, “conservadoras”, tais como escrever à mão, desenhar, brincar na rua, ler em suporte papel, interagir presencialmente ou promover relações afectivas literalmente mais próximas, tudo ferramentas importantes de desenvolvimento e aprendizagem.

A ver vamos com a coisa evoluirá por cá, mas não me parece que a proibição de telemóveis nas escolas, só por si, venha a ter o efeito regulador que todos desejamos. A regulação do uso por parte dos adultos, pais em particular, poderia ter um efeito potenciador mais positivo minimizando a tentação dos mais novos de “compensar” em casa a “companhia” do telemóvel que não têm na escola ou a sobreutilização depois de terminada a proibição.

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