No Público está um trabalho oportuno e interessante sobre os efeitos da não utilização do telemóvel nas escolas básicas do concelho de Oeiras. Foi realizado o estudo “Phones Off — Avaliação do Impacto da Proibição dos Telemóveis em Contexto Escolar no Município de Oeiras co a colaboração da Universidade de Aveiro.
A não utilização de telemóveis
nestas escolas começou em 2023 e 2024 os resultados são interessantes, pois registam-se
efeitos positivos nos espaços fora da sala de aula, mas também nos
comportamentos em sala de aula.
O uso do telemóvel por alunos
crianças e adolescentes, nas escolas ou mesmo fora delas é uma questão sempre
em aberto embora, neste momento estejam proibidos no contexto escolar.
Também sabemos que o telemóvel é
cada vez mais uma ferramenta multifunções, incluindo o ensino e a aprendizagem
como muitos de nós sabemos por experiência própria, pessoal ou profissional.
Neste contexto, creio que importa
também colocar a questão a montante, a utilização que todos damos a estes
dispositivos. Seria muito interessante e desejável que se discutisse a sério
(incluindo crianças e jovens) nas comunidades educativas a regulação dos
comportamentos e definição de regras e limites, sem “superpais”, sem
“superfilhos” ou “superprofessores”. No entanto, esta discussão tem de ser
acompanhada pela nossa, adultos, pais e/ou profissionais, regulação da sua
utilização. Se olharmos para muitas famílias em “convívio” ou para muitos
contextos profissionais em “reunião” verificaremos os ecrãs que muitos terão à
sua frente e perceberemos o que está por fazer, comportamento gera
comportamento. A sobreutilização por parte dos adultos parece-me ser uma
variável crítica desta equação e se não conseguirmos todos esta regulação não
podemos pedir à escola que o faça com sucesso e de forma continuada no tempo.
Como também tenho referido, creio
que este movimento deve ser enquadrado na mudança que felizmente também parece
estar a emergir, a não utilização dos manuais digitais no 1.º ciclo também
agora decidida refreando o deslumbramento pela “transição digital” que, como
ontem escrevi, enquadrando de forma ajustada a inevitabilidade de incorporar
estas ferramentas nos processos educativos, também volta a defender a
importância de abordagens metodológicas ou didácticas “antigas”,
“conservadoras”, tais como escrever à mão, desenhar, brincar na rua, ler em
suporte papel, interagir presencialmente ou promover relações afectivas
literalmente mais próximas, tudo ferramentas importantes de desenvolvimento e
aprendizagem.
A ver vamos com a coisa evoluirá
por cá, mas não me parece que a proibição de telemóveis nas escolas, só por si,
venha a ter o efeito regulador que todos desejamos. A regulação do uso por
parte dos adultos, pais em particular, poderia ter um efeito potenciador mais
positivo minimizando a tentação dos mais novos de “compensar” em casa a
“companhia” do telemóvel que não têm na escola ou a sobreutilização depois de
terminada a proibição.
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