Merece leitura e reflexão o texto de João Filipe Matos no Público, “Quando a garrafa cai do céu ...”.
(…)
Resta o caminho mais trabalhoso, que é o democrático: decidir em público, e não por omissão; proteger quem ensina e quem aprende como sujeitos, e não como dados; e manter a escola como lugar de dúvida, de esforço e de conversa, onde se aprende também a desconfiar das respostas fluentes. Nós temos assembleias, conselhos pedagógicos, consultas públicas e, sobretudo, professores. Convém usá-los antes de passar a próxima avioneta.
(…)
Lembrei-me de que na última
Websummit, o Ministro Adjunto e da Reforma de Estado, o hiperactivo e
hipercompetente, (não existirá o termo, mas fica a ideia) Gonçalo Matias, prometeu
a cada aluno um tutor de inteligência artificial, que, de acordo com o Ministro
da Educação, “ouve, orienta e inspira a aprendizagem”. Presumo que os
professores, na sua esmagadora maioria, estarão particularmente entusiasmados
com os seus novos ajudantes ou, quiçá, novos colegas que minimizarão o efeito
da falta de docentes e até, numa espécie de dois em um, dos custos da sua
formação. É de uma sagacidade e competência notáveis.
As centenas de turmas sem
professor e as outras tantas com o efectivo de turma aumentado, terão
certamente a situação alterada, estarão aí a chegar os tutores de inteligência
artificial. Genial.
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