No JN encontra-se uma peça inspiradora uma iniciativa e que merece uma larga divulgação e constitui um exemplo. Em Vila do Conde desenvolve-se o Projecto ValorIN que emprega pessoas com deficiência mental ou doença mental: Em dez anos, é uma estrutura auto-suficiente e já colocou 27 jovens no mercado de trabalho.
Trata-se mais uma iniciativa que
nos mostra o caminho, combater estereótipos e exigir políticas públicas
competentes e com recursos suficientes.
Algumas notas repescadas.
A verdade, mais uma vez e sempre,
é que sem ser por magia ou mistério, quando acreditamos que as pessoas, mais
novas ou mais velhas, com algum tipo de necessidade especial, são capazes, não
se "normalizam" evidentemente, seja lá isso o que for, mas são, na
verdade, mais capazes, vão mais longe do que admitimos ou esperamos, tão longe
como qualquer pessoa pode tentar ir.
Não esqueço a gravidade de
algumas situações, mas, ainda assim, do meu ponto de vista, o princípio é o
mesmo, se acreditarmos que eles progridem, que eles são capazes de ... , o que
fazemos, o que todos podemos fazer, provoca progresso, o progresso possível e
níveis de realização significativos.
E isto envolve professores do
ensino regular, de educação especial, técnicos, pais, lideranças políticas,
empregadores e toda a restante comunidade.
No entanto, em algumas
circunstâncias o trabalho desenvolvido com e por estes alunos é ele próprio um
factor de debilização, ou seja, alimenta a sua incapacidade, numa reformulação
do princípio de Shirky.
Tal facto, não decorre da
incompetência genérica dos técnicos, julgo que na sua maioria serão empenhados
e competentes, mas da sua (nossa) própria representação sobre este grupo de
pessoas, isto é, não acreditam(os) que eles realizem ou aprendam. Desta representação
resultam situações e contextos de aprendizagem e formação, tarefas e materiais
de aprendizagem, expectativas baixas traduzidas na definição de objectivos
pouco relevantes, que, obviamente, não conseguem potenciar mudanças
significativas o que acaba por fechar o círculo, eles não são, de facto,
capazes. É um fenómeno de há muito estudado.
Mais uma vez. A inclusão assenta
em cinco dimensões fundamentais, Ser (pessoa com direitos), Estar (na
comunidade a que se pertence da mesma forma que estão todas as outras pessoas),
Participar (envolver-se activamente da forma possível nas actividades comuns),
Pertencer (sentir-se e ser reconhecido como membro da comunidade) e Aprender
(como qualquer pessoa para potenciar as suas capacidades adquirindo
competências, qualificações e saberes). Estas dimensões devem ser
operacionalizadas assentes em modelos de diferenciação justamente para que
acomodem e respondam à diversidade das pessoas e promovam autonomia e
autodeterminação.
É neste sentido que devem ser
canalizados os esforços e os recursos que deverão, obrigatoriamente, existir.
Não, não é nenhuma utopia. Muitas experiências noutras paragens, mas também por
cá, como esta iniciativa em Vila do Conde, mostram que não é utopia.
O primeiro passo é o mais
difícil, tantas vezes o tenho afirmado. É acreditar que eles são capazes e
entender que é assim que deve ser.
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