A propósito da realização da 9.ª Conferência Internacional sobre Investigação em Adopção (ICAR9), organizada pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, o Público tem uma peça sobre a questão da adopção, em particular, da adopção de crianças por famílias estrangeiras ou a adopção por famílias portuguesas de crianças estrangeiras.
Com alguma frequência aqui tenho abordado
a questão da adopção, uma família é um bem de primeira necessidade na vida de
uma criança.
Creio que ninguém duvida deste
entendimento, mas a verdade é que Portugal continuamos com um número muito
elevado de crianças institucionalizadas
Os constrangimentos e
dificuldades são de natureza variada para além de questões de natureza
processual. A existência de fratria, deficiência, etnia ou a idade são
variáveis determinantes na maior ou menor dificuldade em entrar num processo de
adopção.
Precisamos de repensar todo o
processo relativo ao acolhimento, à adopção, ao funcionamento e calendário dos
processos de decisão sobre as crianças que vivem em circunstâncias familiares
adversas.
Deixem-me mais uma vez recordar
algo que ou vi a Laborinho Lúcio lá para trás no tempo e não mais esqueci.
Estávamos os dois numa mesa de um encontro no Sardoal no âmbito da protecção de
crianças e jovens e Laborinho Lúcio, pedindo para que as muitas pessoas
presentes no auditório não reagissem logo no início da afirmação, disse “Só as
crianças adoptadas são felizes, felizmente a maioria das crianças são adoptadas
pelos seus pais”.
Mas há quem não seja, demasiados.
Como também há quem não seja
adoptado pela escola, pela justiça, pela saúde, pela segurança e bem-estar,
etc.
Na verdade, muitas crianças não
chegam a ser adoptadas pelos seus pais, crescem sós e abandonadas e, por vezes,
mal-tratadas. É, por isso, absolutamente necessário que em tempo útil e com
oportunidade se crie a oportunidade para que crianças "desabrigadas"
possam ser adoptadas, possam ser felizes.
Sem comentários:
Enviar um comentário