Dada a inenarrável odisseia da classificação dos exames e incompetência dos responsáveis e promotores deste processo tornando hercúlea e exasperante a tarefa dos professores classificadores, está comprometida a confiança nos resultados que se esperam para dia 17. Aliás, o MECI, Ministério dos Enleios, Caliqueiras e Irresponsabilidade, (em alentejano), já anunciou a gratuitidade das reapreciações que venham a ser solicitadas.
Como se regista numa peça do Público os processos de reapreciação têm sido caracterizados na última
década por um número baixo de pedidos, cerca de 2%, por uma subida das notas em
cerca de 76% e identificando os alunos com famílias mais favorecidas como os que
mais recorrem à reapreciação um processo burocrático e com custos que, como já
referi, o MECI decidiu não cobrar.
Independentemente do que possa vir
a acontecer neste ano infernal parece estranho o elevado número de alterações da
nota após a reapreciação e, como já tenho escrito, também se pode questionar a regularidade
desta situação e a forma discreta como é acolhida.
Sabe-se que a avaliação escolar é
um processo que contém uma incontornável dimensão de subjectividade e
complexidade, por isso, é necessário um trabalho muito consistente ao nível da
qualidade dos exames, da solidez, clareza e coerência dos critérios de avaliação
e, naturalmente, da preparação e competência dos avaliadores. Estes aspectos
são, aliás, objecto de frequentes referências na imprensa durante a época de
exames.
Ainda assim, como explicar a
percentagem significativa de recursos em que sobe a classificação? Por outro
lado, também me parece de considerar o risco de alguma perda de confiança no
processo de avaliação. Conheço muitas situações em que professores aconselham
os alunos a recorrer pois a probabilidade de conseguir melhoria na nota é grande.
Este ano, dado o processo caótico
que se desenvolveu, tudo isto é ampliado e mina a confiança num processo que não
deveria suscitar dúvidas. O trabalho dos professores classificadores tem sido
um pesadelo, os problemas e dificuldades são mais que muitas e, muito
provavelmente, ainda não acabou.
Há alguns anos, também na altura
em foram conhecidos os resultados dos recursos, a professora Leonor Santos da
Universidade de Lisboa, especialista em avaliação das aprendizagens, afirmava
em entrevista ao Público que aqui citei na altura devido ao seu interesse, a
existência de estudos que confirmam a tendência de subida de notas nos
processos de reapreciação. Entende que tal situação decorre mais da “atitude de
base” do classificador que de erros cometidos. Afirmava, “Há investigação que
já demonstrou que a preocupação dos avaliadores que estão a classificar pela
primeira vez é a de manter os mesmos critérios para todas as provas. Mas quando
está a fazer uma revisão de prova, a sua atitude é completamente diferente:
tenta aproveitar tudo o que for possível”.
Não sou especialista nestas
matérias, mas julgo que deveriam ser, tanto quanto possível, ponderadas e
consideradas para que os exames e a sua classificação mereçam a confiança de
alunos e famílias.
O processo deste ano com a provável
subida exponencial dos pedidos de reapreciação vai criar mais um enleio no qual
também está envolvido o acesso ao superior.
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