domingo, 19 de julho de 2026

ROUPA ESTENDIDA

 Depois da lida da manhã aqui no Monte, como dizia o Mestre Zé Marrafa num monte há sempre trabalho, sentei-me e abro computador começo a olhar para imprensa e … disse para comigo, hoje não, fico por aqui, neste mundo pequeno. Sorte a minha que o tenho.

Quase sempre, quando a lida não é muito pesada, os meus dias por aqui começam por uma caminhada pelos caminhos do monte, gosto de ir vendo as oliveiras, que já estão carregadas com azeitona, oxalá se crie bem e não caia, os sobreiros pequenos que estão bonitos e a crescer ...

Às tantas, fiquei a olhar para uma roupa que tínhamos estendida numa corda entre duas oliveiras. Pode parecer assim um bocadinho estranho, mas gosto de ver um estendal numa casa no meio do campo. É uma prova de vida, um sinal de humanidade. Por coincidência, quando passei pelo lado de cima do monte também reparei que se via roupa a secar ao pé da casa da herdade que está mais perto. Outro sinal de vida, são casas habitadas, com gente.

A certa altura, certamente para me fazer sentir melhor, veio acompanhar-me uma das gatas residentes aqui no monte e caminhou à minha beira algum tempo. Trocámos umas palavras por umas miadelas e concordámos, sabe bem passear no monte. Somos amigos, algum comer a troco de alguns ratos caçados e da guarda quando não estamos.

Bom, agora, já depois da volta, de umas limpezas erva com a roçadora  e de excelente petisco, beringela panada e salada de tomate, tudo cá da horta, um tempinho para esta escrita. Talvez seja um pouco estranha num tempo de nuvens negras que nos inquietam, mas não podemos esquecer. Trata-se de agradecer as graças que a vida ainda nos dá, como os 71 anos da minha companheira de estrada há quase cinquenta anos que hoje se cumprem.

E são assim os dias do Alentejo.

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