Ontem foi daqueles dias que nos enchem, são mágicos e fazem-nos esquecer por algum tempo os … outros dias.
O dia começou com um Sol e uma
luz que há muitas semanas andavam arredios. Deu para retomar a lida do monte, limpar
caminhos com a roçadora, a erva estava crescida. Ficou mais bonito e a erva
corta segue para compostagem e voltará à terra lá mais para a frente.
Ao final da tarde fomos ter com a
alma do Alentejo, o Cante. Sou suspeito, mas acho o Cante uma das expressões vocais
mais fascinantes e sempre me emociona ouvir. Há no Cante uma força e um
sentimento que não consigo explicar, também não é preciso, é apenas um milagre
do ouvir e do sentir.
Assistimos a um encontro de grupos
corais a pretexto do 48º aniversário do Grupo Coral e Etnográfico de Viana do
Alentejo, a nossa terra de adopção, em que se juntaram o Coro da Velha Guarda de Viana
do Alentejo, o Grupo Coral Feminino de Viana do Alentejo, o Grupo Coral
Trabalhadores de Alcáçovas, o Grupo Coral Cante Novo do Pinhal Novo, o Grupo
Coral e Etnográfico os Amigos do Feijó (curiosamente, a terra onde nasci e vivi
quase 50 anos).
Não cansa ouvir o Cante e o encanto
do ambiente que se cria com aquelas vozes que, felizmente se ouvem num silêncio de liturgia.
Mas o momento mais alto e mais
inesperado, não constava do programa, foi a presença do Grupo Sementes do
Cante. Como o nome sugere é constituído por crianças do 1.º ciclo que integrada
nas Actividades de Enriquecimento Curricular têm “aulas” de Cante. E se
cantam!! Foi muito bonito, antes de começar ainda falámos com o nosso amigo
Jorge que com os seus sete anos disse estar um bocadinho nervoso, mas … foi
lindo de se ver e ouvir. Acho que toda a gente na sala do Cineteatro Vianense
se emocionou e descansou, o Cante tem futuro.
Como muitas vezes aqui falo, são assim os dias do Alentejo, mas hoje foi um dia especial.
Fica um pequeno registo.
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