domingo, 1 de fevereiro de 2026

A LER, “DEMOCRACIA E REDES SOCIAIS: “CONTRARIAR O DISCURSO DE ÓDIO EXIGE DOS JOVENS CORAGEM E COMPETÊNCIA””

 Merece leitura e reflexão a entrevista do Público a Oddrun Samdal, investigadora na área da saúde e bem-estar dos adolescentes e coordenadora do estudo, Health Behaviour in School-Aged Children (HBSC), realizado pela Organização Mundial da Saúde de quatro em quatro anos no qual Portugal participa e cujos resultados aqui vou reflectindo com regularidade.

A entrevista é centrada na construção e desenvolvimento de valores e identidade política nos adolescentes e a relação com os ecrãs, em particular, com as redes sociais, e também num projecto,  Engaged Youth, em desenvolvimento sobre esta problemática.

Na verdade, e como há bem pouco tempo aqui referia mais uma vez, a experiência diária e, como agora se diz, a evidência, mostram de forma cada vez mais clara como o excesso de tempo que crianças e adolescentes (mas não só) passam “trancados” em ecrãs têm impacto negativo no seu bem-estar e saúde mental, no desenvolvimento de competências e capacidades cognitivas, sociais e emocionais e, naturalmente, na aprendizagem. São conhecidos muitos exemplos de situações graves ocorridas no contexto de utilização das redes sociais.

Em muitos sistemas educativos e também por cá, têm surgido iniciativas, sobretudo nos espaços escolares, no sentido de minimizar esse tempo incluindo a redução da utilização dos recursos digitais na aprendizagem, sobretudo em particular com os mais pequenos.

Certamente mais difícil será a mudança nos contextos familiares e comunitários. O próprio comportamento dos adultos não parece favorável a esse trajecto de mudança.

Creio, aliás, a absoluta desregulação da utilização por parte dos adultos será um enorme obstáculo à auto-regulação por parte dos mais novos.

Na verdade, é clara a dificuldade de mudança dos comportamentos, independentemente dos discursos de concordância com a preocupação ou a expressão de dificuldades.

Não sendo apologista de estratégias essencialmente proibicionistas, facilmente contornáveis, creio que é bem mais potente o incremento de comportamentos de auto-regulação ajustados às diferentes idades.

No entanto, com alguma frequência se alimenta o equívoco de que não proibir significa a ausência de regras e limites. Do meu ponto de vista, a proibição por vezes necessária não invalida a um trajecto de auto-regulação sempre mais consistente. Um dos aspectos críticos na promoção de auto-regulação é a informação adequada e o diálogo sobre essa informação.

É o bem-estar dos mais novos e a qualidade global dos processos educativos que estão em jogo.

É uma questão demasiado importante.

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