De acordo com o calendário das
consciências assinala-se hoje o Dia da Internet Mais Segura.
Como é habitual surgem referências
na imprensa e merecem leitura e reflexão “Dez passos para “blindar” a vida digital no Dia da Internet Mais Segura”, “Linha Internet Segura: mais casos de cibercrime e aumento de 70% nas denúncias de conteúdo ilegal” ou “Violência online sobre jovens: elas sofrem violência sexual; eles, ameaças”.
Num tempo em que também por cá se
considera a proibição de acesso às redes sociais antes dos 16 anos, a
entrevista de Joaquim Fialho, autor do estudo “Scroll. Logo Existo!:
Comportamentos adictivos no uso dos ecrãs” merece reflexão.
Retomo o que há pouco aqui
deixei. A experiência diária e, como agora se diz, a evidência, mostram de
forma cada vez mais clara como o excesso de tempo que crianças e adolescentes
(mas não só) passam “trancados” em ecrãs têm impacto negativo no seu bem-estar
e saúde mental, no desenvolvimento de competências e capacidades cognitivas,
sociais e emocionais e, naturalmente, na aprendizagem. São conhecidos muitos
exemplos de situações graves ocorridas no contexto de utilização das redes
sociais.
Em muitos sistemas educativos e
também por cá, têm surgido iniciativas, sobretudo nos espaços escolares, no
sentido de minimizar esse tempo incluindo a redução da utilização dos recursos
digitais na aprendizagem, sobretudo em particular com os mais pequenos.
Certamente mais difícil será a
mudança nos contextos familiares e comunitários. O próprio comportamento dos
adultos não parece favorável a esse trajecto de mudança.
Creio, aliás, a absoluta
desregulação da utilização por parte dos adultos será um enorme obstáculo à
auto-regulação por parte dos mais novos.
Na verdade, é clara a dificuldade
de mudança dos comportamentos, independentemente dos discursos de concordância
com a preocupação ou a expressão de dificuldades.
Não sendo apologista de
estratégias essencialmente proibicionistas, facilmente contornáveis, creio que
é bem mais potente o incremento de comportamentos de auto-regulação ajustados
às diferentes idades.
No entanto, com alguma frequência
se alimenta o equívoco de que não proibir significa a ausência de regras e
limites. Do meu ponto de vista, a proibição por vezes necessária não invalida a
um trajecto de auto-regulação sempre mais consistente. Um dos aspectos críticos
na promoção de auto-regulação é a informação adequada e o diálogo sobre essa
informação.
É o bem-estar de todos, jovens e
adultos, que está em jogo. É uma questão demasiado importante.
Sem comentários:
Enviar um comentário