terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

DO DIA DA INTERNET MAIS SEGURA

De acordo com o calendário das consciências assinala-se hoje o Dia da Internet Mais Segura.

Como é habitual surgem referências na imprensa e merecem leitura e reflexão “Dez passos para “blindar” a vida digital no Dia da Internet Mais Segura”, “Linha Internet Segura: mais casos de cibercrime e aumento de 70% nas denúncias de conteúdo ilegal” ou “Violência online sobre jovens: elas sofrem violência sexual; eles, ameaças”.

Num tempo em que também por cá se considera a proibição de acesso às redes sociais antes dos 16 anos, a entrevista de Joaquim Fialho, autor do estudo “Scroll. Logo Existo!: Comportamentos adictivos no uso dos ecrãs” merece reflexão.

Retomo o que há pouco aqui deixei. A experiência diária e, como agora se diz, a evidência, mostram de forma cada vez mais clara como o excesso de tempo que crianças e adolescentes (mas não só) passam “trancados” em ecrãs têm impacto negativo no seu bem-estar e saúde mental, no desenvolvimento de competências e capacidades cognitivas, sociais e emocionais e, naturalmente, na aprendizagem. São conhecidos muitos exemplos de situações graves ocorridas no contexto de utilização das redes sociais.

Em muitos sistemas educativos e também por cá, têm surgido iniciativas, sobretudo nos espaços escolares, no sentido de minimizar esse tempo incluindo a redução da utilização dos recursos digitais na aprendizagem, sobretudo em particular com os mais pequenos.

Certamente mais difícil será a mudança nos contextos familiares e comunitários. O próprio comportamento dos adultos não parece favorável a esse trajecto de mudança.

Creio, aliás, a absoluta desregulação da utilização por parte dos adultos será um enorme obstáculo à auto-regulação por parte dos mais novos.

Na verdade, é clara a dificuldade de mudança dos comportamentos, independentemente dos discursos de concordância com a preocupação ou a expressão de dificuldades.

Não sendo apologista de estratégias essencialmente proibicionistas, facilmente contornáveis, creio que é bem mais potente o incremento de comportamentos de auto-regulação ajustados às diferentes idades.

No entanto, com alguma frequência se alimenta o equívoco de que não proibir significa a ausência de regras e limites. Do meu ponto de vista, a proibição por vezes necessária não invalida a um trajecto de auto-regulação sempre mais consistente. Um dos aspectos críticos na promoção de auto-regulação é a informação adequada e o diálogo sobre essa informação.

É o bem-estar de todos, jovens e adultos, que está em jogo. É uma questão demasiado importante.


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