quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

DA SAÚDE MENTAL

 Enquanto se aguarda para o fim do ano a divulgação do Inquérito Nacional à Saúde, coordenado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), realizado a cada cinco anos em todos países da União Europeia, produzindo o European Health Interview Survey (EHIS), o Expresso tem uma peça com base nos dados de 2019.

Com base em auto-avaliação relativa aos últimos 12 meses,12,2% dos inquiridos refere ter depressão crónica, o valor mais alto da EU. A percentagem é mais baixa entre os 15 e os 24 anos e mais alta acima dos 65.

No contexto europeu apenas a Islândia tem um valor mais elevado, 15,6%.

Considerando o consumo de psicofármacos antidepressivos em 2023 venderam-se em Portugal cerca de 12 milhões de embalagens de antidepressivos, o valor mais alto de sempre, sendo que entre 2013 e 2023 se verificou um aumento de 80%. Também a venda de antipsicóticos subiu 75% entre 2013 e 2023, cerca de 5 milhões em 2023.

023, o consumo de antidepressivos nos países da OCDE aumentou mais de 40% e Portugal tem a taxa de consumo mais alta da EU com 152 doses diárias por mil habitantes, apenas suplantada na Europa pela Islândia, 158 doses diárias.

Importa considerar ainda que aos dados divulgados relativos venda dos psicofármacos faltará o volume de situações de mal-estar não abordadas através dos fármacos, as não tratadas e o contributo da automedicação apesar da exigência de prescrição médica para este consumo. Este quadro levará a que o número de consumidores seja superior às prescrições e número global de situações de mal-estar seja bem superior aos indicadores de consumo.

Também aqui referi na altura um trabalho divulgado em 2021 realizado pelo investigador na área da economia da saúde da Nova SBE, Pedro Pita Barros, “Acesso a cuidados de saúde - As escolhas dos cidadãos 2020”, em que se referia que 10% dos portugueses não vão ao médico quando sentem algum mal-estar e que desta população, 63% recorre à automedicação.

Como defende Miguel Xavier, coordenador nacional das políticas da Saúde Mental “Os problemas de Saúde Mental previnem-se antes de aparecerem. Através de bons programas de parentalidade, bons programas sociais, como os programas de apoio às populações vulneráveis”, o que envolve a necessidade de políticas integradas, mas também a importância dos recursos adequados.

Esperemos que o processo de reforma dos serviços de saúde mental que está em curso possa ter um impacto positivo. A saúde mental tem sido o parente pobre das políticas públicas de saúde.

Existe muita gente a passar mal, pode ser na casa ao lado.

No entanto, como agora se diz, somos resilientes e queremos viver, seremos capazes de continuar.

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