Está mais um dia cabaneiro com o
vento e chuva a bater nas janelas do sótão e quase se sobrepõem à música
ingénua e genuína que integra a colectânea Bachata Roja. Ao ouvir o tema de
Juan Bautista, “Estoy aqui pero no soy yo”, fiquei a pensar na curiosidade deste
título, muito repetido como refrão.
Creio que todos nós já alguma vez
pensámos qualquer coisa como, “estou aqui, mas não sou eu”, certamente em
circunstâncias diferentes, mas sempre com a estranha sensação de dissonância.
É também o que se passa em
algumas situações da vida dos mais novos.
De facto, assistimos, por vezes,
a comportamentos, maus comportamentos, de alguns miúdos que apesar do que
aparentam não correspondem ao que, na verdade, os miúdos, alguns miúdos, pensam
ou sentem.
Eles próprios conseguem mostrar,
quando se cria a oportunidade, que não gostam e não desejam evidenciar esse
tipo de comportamentos. Acontece que o desconforto e mal-estar que lhes rói a
alma, os leva a assumir um personagem de que se alimentam, mal, e se alimenta
do que fazem quando qualquer deles diz “estou aqui”. No entanto, no fundo “não
sou eu”, não sou assim.
Alguns destes miúdos, se
estivermos atentos e encontrarem escuta e apoio podem reverter o discurso para
“sou eu e estou aqui”.
É o caminho.
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