Como é habitual, a generalidade das equipas ministeriais no universo da educação, mas não só, apresentam-se sempre com um inevitável “ímpeto reformista”. Como se sabe, uma dose de “ímpeto reformista” é um ingrediente imprescindível no desenho das políticas públicas.
Também o MECI puxou do seu “ímpeto reformista” e desatou a reformar as estruturas e organismos do estado. No entanto, como também se sabe, o “ímpeto reformista” é trôpego e acontece que a coisa está complicada. Ao que se lê no CM, os directores escolares sentem-se “como capitães de um navio a quem roubaram as bússolas em plena tempestade. Não há a quem recorrer e o auxílio na gestão transformou-se num exercício de adivinhação”, afirmou Rui Cardoso, diretor do Agrupamento de Viso, em Viseu, lamentando o “deserto de respostas”.
Após a extinção da Direção-Geral de Administração Escolar, do Instituto de Gestão Financeira da Educação e da Secretaria-Geral do MECI, as competências que foram atribuídas à Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional não estão a ser exercidas porque continuam por nomear os vice-presidentes responsáveis pela Educação. De acordo com o mesmo director, “Mandam-se os processos para uma estrutura que ainda não tem cabeça para pensar, nem mãos para executar”, sublinhando que as Direções-Gerais de Estabelecimentos Escolares regionais “oficialmente estão condenadas, mas, como ainda não foram formalmente extintas nem integradas, vão sobrevivendo num ‘limbo’ existencial”. Está muito bem.
Filinto Lima, director da
Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, também
elenca dificuldades, mas é um crente e acredita que com o tempo a coisa vai ao
lugar e ele, sem estranheza, lá estará pronto para o serviço como director de um qualquer agrupamento de escolas.
De facto, parece clara a
necessidade de ajustamentos nas políticas públicas de educação, “todo o mundo é
composto de mudança”, mas o “ímpeto reformista” tem de partir da necessária
avaliação das fragilidades e desajustamentos e então, de forma estudada,
reflectida e envolvendo os diferentes actores envolvidos, decidir os objectivos
e os processos e os tempos da mudança. A equipa que gere a PEC (política
educativa em curso), é de uma tal agitação que parece funcionar ao contrário,
ou seja, procura mudar tudo e ao mesmo tempo e pensa depois, se pensar.
O cidadão fica perplexo, sem
confiança o que acaba por minar o impacto de algumas medidas.
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