quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

ARRANJA-ME UM EMPREGO

Lê-se no JN que um moço, com ar novinho a ver pela foto, com licenciatura em enfermagem, foi contratado para coordenador na Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis 2030 (EMER 2030), sob tutela do Ministério do Ambiente. O Enf. Fábio trabalhou no gabinete da atual ministra da Cultura e ex-ministra da Juventude, Margarida Balseiro Lopes, entre Outubro de 2024 e 2 de novembro de 2025. O Sr. Enfermeiro irá ganhar cerca de 3700 euros brutos por mês para colocar toda sua competência e experiência ao serviço do país na sua área de especialidade, Projectos de Energia Renovável.

Estranhamente, ou talvez não, a ministra do Ambiente e da Energia anunciou no Parlamento a 4 de Novembro de 2025 que a Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis seria extinta. Mau demais.

Na verdade, é com renovada energia que se vai mantendo o despudor, a sem-vergonhice com que esta gente se comporta e parece manter a infinita capacidade nos surpreender.

Como sempre nestas ocasiões e de acordo com o “script” clássico, os envolvidos dirão, se disserem alguma coisa, que estão de “consciência tranquila” e não existirá qualquer “incompatibilidade ou impedimento legal". Para este pessoal, “consciência”, “incompatibilidade”, “ética”, não significam certamente o mesmo que para a maioria das pessoas.

É por demais evidente que para boa parte desta gente, legalidade, transparência, competência, ética ou minudências como pagar contribuições, impostos, cumprir as exigências legais, etc., são “contos para crianças”, coisas, por assim dizer, para “tótós”, nós.

Vigarices, amigos mecenas, negócios manhosos e corrupção, tráfico de influências e amiguismo, utilização criteriosa dos alçapões de uma justiça criteriosamente desenhados para efeitos de protecção dos seus interesses e outras habilidades da mesma natureza são ferramentas diariamente usadas por esta família alargada e diversa que há décadas vem ocupando um largo espectro do nosso contexto político, social e económico.

Cambada de artistas, nem as moscas, às vezes, variam.

São assim as contas da partidocracia que mina a democracia.

Em alternância pois claro. Sem alternativa, evidentemente.

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