sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

ISTO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA É UM PROBLEMA

 A propósito da divulgação de um documento elaborado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses, "Vamos falar sobre Necessidades Educativas Específicas", que merece leitura atenta, é referido na SIC Notícias que “Só 39% dos professores dizem-se preparados para um modelo inclusivo” e que 57% dos alunos com NEE graves passa mais de 40% do tempo afastado da turma de pertença.

Uma nota antes de uma abordagem mais geral. Levanta-me sempre alguma reserva a ideia de que os professores “não estão preparados para lidar com alunos com NEE”. Primeiro, porque não sei de que “necessidades especiais“ se trata, as NEE não se definem em abstracto e, segundo, com os alunos com “necessidades normais” (seja lá isso o que for) as coisas também nem sempre correm bem, longe disso.

Na verdade, sendo o professor de ensino regular o actor directo do trabalho em sala de aula a questão crítica da designada "educação inclusiva" é mais lata, trata-se da qualidade e competência das políticas públicas de educação.

Após cinquenta anos de trabalho em educação sobretudo direccionado para o lado “especial” já não sei muito bem o que dizer, mas … não consigo ficar calado.

Quando comecei, nos idos de setenta, tínhamos uma escola normal para os alunos “normais” e uma escola “especial”, a "instituição" para os alunos “deficientes”.

Depois conheci escolas normais que, para além dos alunos “normais” já recebiam alunos “especiais” no ensino especial, em salas dos “normais” e em salas de ensino especial, as “salas de apoio”. Chamava-se Educação integrada.

Depois as escolas deixaram de ser normais e passaram a ser escolas inclusivas, lidam com os alunos normais e com os alunos “universais”, com os alunos “selectivos” e com os alunos “adicionais”.

E assim chegámos à “educação inclusiva” que, apesar do que de muito bom se realiza e dos frequentes exercícios de “wishful thinking” de que é objecto, faz parte das políticas públicas, designadamente de educação, e, naturalmente, das consequências da sua qualidade, competência e recursos.

Nesta perspectiva, insisto, o problema não é a falha na educação inclusiva, é a falha na Educação Falham as políticas públicas de educação quando são inadequadas, mas com implicações diversificadas, estas sim, inclusivas. Falham, por exemplo, na falta de professores e na sua valorização que, aliás, estão ligadas.

Falham nos profissionais que, para além dos docentes, são imprescindíveis à educação, técnicos, psicólogos, por exemplo, mas também em apoios especializados ou assistentes operacionais.

Falham quando submergem os profissionais numa burocracia que ineficiente e consumidora de recursos e desgastante.

Falham quando deixam pais e encarregados de educação inquietos e preocupados e impotentes face às dificuldades sentidas pelos seus filhos para cumprir o direito à Educação.

Falham quando os recursos são escassos ou ineficientes.

Falham quando …

Não, as políticas públicas de educação não falham na Educação Inclusiva, falham mesmo na Educação.

 

PS - Não deveria ser necessário, mas conheço e todos conhecemos e reconhecemos o que de muito bom se realiza diariamente nas escolas. Dito de outra forma, todos os dias acontece Educação em todas as escolas. Não precisamos de lhe chamar Inclusiva.

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