segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O HOMEM É FEITO PARA PERMANECER DE PÉ

A Cruz Vermelha francesa tem um pequeno vídeo de apoio e promoção às suas actividades que tem como frase chave "L´homme est fait pour rester debout".
Nunca como agora e muito provavelmente nos tempos mais próximos, esta afirmação ganhou sentido.
O espírito natalício, para além histeria do consumo é também caracterizado por um movimento em torno da ideia de solidariedade para com os mais desprotegidos pelos azares da vida e pelas consequências devastadoras dos sistemas de valores e modelos de desenvolvimento que assumimos como promotores de bem-estar que de facto são, mas não para todos, longe disso. Por estes dias multiplicam-se as referências nos jornais televisivos a iniciativas de solidariedade, recolha de bens, refeições, oferta de brinquedos, etc. etc., tendo como destinatários todos os grupos que compõem o mosaico social da exclusão. São mobilizados miúdos e graúdos em sucessivos eventos que produzem discursos generosos que, na sua maioria, me parecem genuínos e bem intencionados.
A experiência diz-nos que passada a influência do espírito natalício tudo, quase tudo, retoma a normalidade das coisas. Afinal, sempre houve ricos e pobres, dizia a minha Avó Leonor céptica face à utopia de Abril que de todos queria fazer ricos, achava ela.
Em várias das reportagens que uma despudorada imprensa teima em produzir, surgem histórias de vida que são paradigmas de exclusão, de sobrevivência, de ausência de futuro e das quais desapareceram, ou quase, os vestígios do que mantém os Homens de pé, a dignidade.
São sempre histórias de dignidade perdida ou roubada e das quais transparece uma desesperança que incomoda e nos deixa a inquietação de ver gente dobrada ao peso da irreparável perda da dignidade.
O Homem é feito para permanecer de pé.

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