quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

FERIADOS, TEMPO DE TRABALHO E PRODUTIVIDADE

A reintrodução de feriados, civis e religiosos, que tinham sido retirados e as contas imediatas à possibilidade da realização das famosas “pontes” relança a questão do tempo de trabalho e da produtividade. Como hoje alguma imprensa refere Portugal passa a ser o terceiro país europeu com mais feriados como também, e muita gente esquece-se, é um dos países com maior carga horária de trabalho, superior à dos alemães por exemplo, e ainda somos brindados com o rótulo de preguiçosos do sul.
Não discuto agora a justiça relativa das horas e dias de trabalho mas tenho a convicção de que a problema da produtividade é, fundamentalmente uma questão de melhor trabalho e não de mais trabalho. Aliás, conhecem-se estudos neste sentido e podemos reparar o que se passa noutros países com cargas de horário laboral semelhantes à nossa.
Por outro lado, existem factores menos considerados e que do meu ponto de vista desempenham um papel fundamental, a organização do trabalho, a qualidade dos modelos de organização e funcionamento, no fundo, a qualidade das lideranças nos contextos profissionais. O nível de desperdício no esforço, nos meios e nos processos em alguns contextos laborais é extraordinariamente elevado.
Relembro que os empregadores portugueses, sobretudo nas médias, pequenas e micro empresas, as que asseguram a grande fatia dos postos de trabalho, possuem um baixíssimo nível de qualificação em termos europeus, excepção feita, evidentemente, a alguns nichos.
Neste cenário, a simples decisão de aumentar o horário de trabalho como foi realizado, com redução ou reintrodução de feriados, dias de férias, não parecem ser, só por si, as soluções milagrosas de incremento da produtividade.
Parece-me bem mais potente um esforço concertado e consistente de apoio à modernização e formação dos empregadores e quadros do tecido empresarial do que baixar custos do trabalho pelo recurso simplista e “fácil” ao aumento da carga horária ou à efectiva redução de salários como se o empobrecimento e mais carga horária, só por si, promovessem desenvolvimento.

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