A realidade tem o infinito condão
de nos surpreender mesmo quando pensamos que tal não é possível.
O Portugal dos Pequeninos e sua
pequenina política têm andado centrados nas grandes questões que afectam os
portugueses, os cartazes de pré-campanha e os debates entre líderes partidários.
No que respeita aos debates importa começar por dizer que depois de ter sido retirada uma despudorada proposta legislativa inicial da maioria PSD/CDS-PP
de controlar a comunicação social, foi aprovada também pela maioria uma lei que
determina o que agora os mesmos partidos não querem que aconteça.
Os outros partidos entendem que
não pode ser e a grande discussão é “quem vai ao debate com quem” e se “haverá
debate”.
Como é evidente a questão dos
debates deveria ser da exclusiva responsabilidade dos órgãos de comunicação
social que já estão constitucionalmente obrigados a assegurar a pluralidade.
Aliás, essa pluralidade não
acontece, basta olhar para o leque de “opinadores”, “politólogos”, “comentadores”,
etc. e perceber a promiscuidade entre partidos e “fazedores de opinião” com o
controlo quase total por parte da partidocracia dos espaços de opinião da
comunicação social.
Atente-se, por exemplo, o espaço atribuído
a outros partidos ou movimentos fora do espectro da “alternância” do costume.
Neste contexto, do meu ponto de
vista e subscrevendo a opinião de Joaquim Vieira, presidente do Observatório da
Imprensa, os órgãos de comunicação social, no uso pleno da sua liberdade
editorial deveriam, pura e simplesmente, boicotar a lei e decidir com proceder
à cobertura das campanhas eleitorais e submeter-se eles próprios ao juízo dos
leitores, ouvintes ou telespectadores. Como dizia Joaquim Vieira seria curioso
saber qual seriam as consequências de tal posição.
No entanto, para isto também
precisaríamos de uma comunicação social que mais liberta e resiliente à pressão
da partidocracia. É verdade que existem algumas excepções que se saúdam, mas é penoso
assistir a declarações de responsáveis políticos sem que os jornalistas
coloquem as questões certas e exijam respostas sobre o que verdadeiramente interessa
aos portugueses e não aceitem sem um sobressalto as “não respostas” que tantas
vezes recebem.
Neste contexto, repare-se no
título dado pelo Público a uma notícia relativa a esta matéria, “CDU atira Heloísa Apolónia para debate comPaulo Portas”. O enunciado é de uma elegância e qualidade no estilo que são
impressionantes.
Do meu ponto de vista e já que se
trata de debates talvez fosse interessante debater a quem e porquê interessa
este “debate” sobre os “debates”.
Como diria, o meu amigo Cajó, “cá
p’ra mim” serve a todos os envolvidos, a uns por umas razões, a outros por
outras razões.
A nós não serve certamente mas a
indiferença e a distância que boa parte dos portugueses sente ou está da
política pequenina do Portugal dos Pequeninos leva a que também não estejamos
particularmente inquietos, são coisas “lá dos gajos”, “é sempre o mesmo com os
mesmos”.
Até quando?
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