quinta-feira, 17 de setembro de 2020

IMPERMEÁVEL E RESPIRÁVEL

 

Como todos os dias em que é possível saio bem cedo para uma caminhada que a idade e o gosto solicitam.

Passado pouco tempo começou a chover uma chuva grada, bem “chovida”, como dizemos no Alentejo. As primeiras águas depois do Verão que colocam um cheiro notável na terra.

Felizmente, sou um homem prevenido, levava uma daquelas peças de fibra que certamente com custos ambientais, que sendo praticamente impermeáveis se mantêm respiráveis e nos permitiram dispensar aqueles casacos mais clássicos em nylon que quando não metiam água da chuva por fora, nos deixavam encharcados por dentro promovendo um efeito de sauna.

Satisfeito com esta cómoda solução têxtil e embalado pelo passo lento, ia pensando nos dias que hoje atravessamos, sobretudo no regresso às escolas e na experiência complexa que os miúdos, toda a gente, aliás, estão a viver.

De repente lembrei-me com seria interessante que se inventasse uma forma de proteger a vida dos miúdos das intempéries que alguns deles têm à volta e tornar a vida um pouco mais confortável. Poderia ser criado um dispositivo de protecção que fosse quase impermeável às agruras dos tempos maus, protegendo-os das mais pesadas pois também é preciso passar por algumas e que, ao mesmo tempo, fosse respirável, ou seja, não fosse um dispositivo que os mantivesse numa redoma estanque e os asfixiasse, mas sim algo que lhes permitisse continuar a respirar, a viver. Um dispositivo desta natureza seria um bem precioso.

Mas esta é uma ideia completamente disparatada que seguramente foi motivada pela água que, entretanto, fui apanhando na cabeça, o casaco não tem capuz. Quem me mandou andar à chuva.

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