sábado, 8 de outubro de 2022

OS DIAS DO ALENTEJO

 Quem por aqui passa sabe que para além da paixão pela educação e a escola, universo no qual entrei aos seis anos pela mão da D. Beatriz e de que não mais saí, o Alentejo é outra das que me alimento. Começou em 1975 quando namorava, lá está, outra paixão até hoje, com uma então jovem professora do 1º ciclo que iniciou a sua carreira em Panóias, perto de Ourique.  Acabei por, há quase trinta anos e num tempo em que o Alentejo ainda não estava em moda, adquirir um pedaço de paraíso onde não falta nada do que é o Alentejo, incluindo o trabalho.

Desejo muito que o Alentejo sobreviva à ameaça do amendoal e olival superintensivos à mercê do engodo dos lucros imediatos e com a complacência de políticas públicas que hipotecam o futuro.

Enquanto não … trabalhamos, dizem que o trabalho dá saúde. Então que assim seja, os setenta já não estão longe. Falta o Mestre Zé Marrafa que não merecia o que está a passar, mas vem o Valter, rapaz vontadeiro e amigo que dá uma ajuda.

Como dizia o Mestre Zé, há sempre que fazer, um hortelão só não trabalha quando não quer. E nós queremos.

Por estes dias, foi acabar de traçar e carregar a lenha e sobrantes da limpeza de uns pinheiros bem grandes e de umas nespereiras, fabricar um bocado de terra para encanteirar para nabiças, espinafres e nabos que daqui a pouco serão semeados. Antecipando a chuva que teima em não chegar, tapou-se a lenha que há-de aquecer o Inverno que traz um frio áspero, tão áspero como o calor no Verão.

Acabámos de colher a azeitona para conserva, este ano quase não há azeitona para azeite, mas, quase sempre, depois de um ano bom, o anterior foi excepcional, vem um ano fraco. Aproveitamos para lá para Janeiro limpar algumas oliveiras e arranjar mais lenha. Ainda apanhamos mais umas nozes tardias e plantei uma gamboa que o Meste Zé carinhosamente tinha guardada para pôr aqui no monte e o filho me disse para ir buscar.

Também é preciso regar e não sabemos até quando, o tempo ainda vai quente. Oxalá o Outono traga água.

É uma paixão exigente, esta do Alentejo, do meu Alentejo, mas as paixões são assim, ou não o seriam.

E são assim os dias do Alentejo.

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