sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

ESCOLAS, ENCERRAR OU MANTER ABERTAS?

 E voltámos ao confinamento. Relativamente ao primeiro período, a diferença substantiva é a manutenção das escolas, de todos ciclos e níveis de ensino, em modo privilegiadamente presencial.

Como não podia deixar de ser, a decisão tem sido largamente discutida e por diferentes razões. Sem hierarquizar vejamos algumas delas.

Há quem concorde e discorde porque sim e quem num exercício de pensamento mágico afirme que tudo vai correr bem ou, ao contrário, profetize a desgraça.

Podiam fechar apenas as escolas a partir do 2º ciclo incluindo o secundário porque os alunos mais velhos constituem um risco superior de disseminação e, por outro lado, a sua autonomia e competências acomodam melhor os eventuais constrangimentos do ensino não presencial que, acrescento, em boa parte das situações não é ensino à distância.

No mesmo sentido, sobretudo nas crianças mais novas, o anterior encerramento promoveu as desigualdades aumentando para muitos alunos a distância para a escola sendo, por isso, mais ajustado mantê-las a funcionar.

Também não deve esquecer-se que os prometidos equipamentos e acessibilidades digitais prometidos a alunos, escolas e docentes, estão longe de estar satisfeitos tal como, aliás, acontece ao nível de recursos humanos, docentes, técnicos e funcionários. Assim, recorrer preferencialmente aos recursos digitais seria ineficaz pois são insuficientes

O impacto económico e social do encerramento das escolas seria enorme e insuportável.

Mas também se entende que a mobilidade diária e os contactos gerados pelas escolas em funcionamento geram redes de contacto gigantescas com os riscos associados e com maior dificuldade para baixar o famoso Rt.

Por outro lado também se afirma que as escolas não são os espaços mais potenciadores de disseminação.

Os miúdos mais novos em casa obrigariam a que os pais voltassem também a confinar e o impacto seria enorme, economicamente, socialmente e em termos de saúde mental.

Também li que as crianças seriam bem capazes de lidar de forma bem-sucedida com um novo encerramento das escolas por algum tempo, são resilientes e com capacidade de adaptação.

E também que muitas crianças carregam mochilas que já são tão pesadas que qualquer sobressalto é enorme e, por vezes, inultrapassável.

Também se conhecem referências aos riscos para professores, técnicos e funcionários que que lidam com múltiplos grupos, em espaços muitas vezes inadequados e incompatíveis com o cumprimento rigoroso das medidas de protecção.

Bom, a lista de razões para discutir o encerramento ou a manutenção em funcionamento das escolas poderia continuar, mas parece suficiente para sustentar uma ideia.

Ainda bem que não tive de decidir.

Apenas posso afirmar algo extremamente simples. Hoje de manhã, o meu neto Simão saiu para a escola todo contente, com os trabalhos de casa feitos e para ir estar com a sua Professora … e com os seus amigos do 2º ano de uma escolinha oficial aqui de Almada. Se ficasse em casa na “escola do Ipad” como ele lhe chamava, sentir-se-ia muito infeliz e era um sacrifício. Eu sei e bem que foi difícil.

O meu neto Tomás saiu para a creche satisfeito por ir para a escolinha levando, como sempre, uma mini-produção em Legos para mostrar aos amigos.

É esta a vida dos miúdos e não sustenta uma opinião fechada relativamente a uma questão do meu ponto de vista mal equacionada, escolas abertas vs escolas fechadas, pois a complexidade, multiplicidade  e variáveis de contexto não a permite. É apenas um olhar de miúdos sobre a escola.

2 comentários:

Carlota disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carlota disse...

A visão de uma criança é sempre bela mas muito ingénua...
E os tempos não estão para eufemismos!
Quem está nas escolas está com medo e com justificação plena, exatamente pelas razões explanadas no texto!
Não seriam 15 dias ou um mês que iriam tiram o riso e a felicidade aos seus netos e dos respetivos coleguinhas! Pelo contrário, falamos da implicação do contacto e, consequente, contágio, de milhões!
E de milhares desprotegidos nas escolas deste país, cujo ambiente de turmas fantasmas não coincide com a promoção das aprendizagens, que tanto se advoga!