sexta-feira, 7 de novembro de 2014

ABANDONO ESCOLAR, A PRIMEIRA ETAPA DA EXCLUSÃO SOCIAL

"Mais de 60% dos jovens de Lisboa que vão a 

tribunal apresentam absentismo escolar"

Segundo um trabalho do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra mais de 60% dos jovens que são presentes a tribunal de menores na área de Lisboa evidenciam absentismo escolar e  76% dos jovens já tinha pelo menos uma retenção escolar.
Estes dados não surpreendem. Como muito vezes afirmo, o abandono escolar é quase sempre a primeira etapa da exclusão social. Nesta perspectiva, o combate ao abandono e a promoção do sucesso educativo deve, tem de, ser um eixo central na política educativa.
Também por estas razões, alguns dos aspectos da PEC - Política Educativa em Curso são verdadeiramente preocupantes, cortes nos recursos docentes inibindo apoios oportunos e adequados que contrariem trajectórias de insucesso e abandono, número de alunos por turma sobretudo em territórios educativos mais problematizados, falta de técnicos, psicólogos, por exemplo, organização e conteúdos curriculares, etc.
A eficácia na tentativa de baixar os níveis de abandono passa necessariamente pela disponibilização de apoios oportunos e adequados logo que se evidenciam as primeiras dificuldades e pela diversificação dos percursos de educação e formação, o que habitualmente se designa por oferta educativa.
Deve sublinhar-se que têm sido realizados progressos bastante significativos na diversificação desta oferta embora, muitas vezes, as alternativas disponibilizadas sejam percebidas pelos alunos e pelas famílias como “formação de segunda”. A política do MEC nesta matéria alimenta esta percepção ao promover um ensino vocacional ou profissional para o qual são verdadeiramente empurrados os alunos que experimentam dificuldades.
Algumas escolas têm práticas que alimentam também esta percepção, na medida em que canalizam preferencialmente os “maus alunos” para formação “alternativa”.
Este movimento acaba por desencadear atitudes negativas e reactivas favoráveis ao abandono e insucesso.
Na verdade o que é absolutamente central é que os jovens ao sair do sistema se encontrem equipados com qualificação profissional, quer ao nível do ensino secundário, quer ao nível do ensino superior que com o trabalho no âmbito do ensino politécnico tem condições para processos de qualificação mais curtos e mais diversificados.

4 comentários:

miguel costa disse...

"Se acham que a educação é cara, experimentem a ignorância..."

Zé Morgado disse...

Sem dúvida, Miguel. Num Ministro com formação em "contas" as opções deveriam ser claras. Lamentavelmente, são claras pelas razões erradas

Anónimo disse...

Independentemente das politicas e de concordar mais ou menos com elas como é possível que os alunos das turmas Pief continuam em casa a aguardar a autorização do Mec? Sim hoje dia 7 de novembro. Que país é este que coloca os seus proprios alunos em risco e em abandono?
Será que os senhores por detras das secretarias têm noção do investimento que foi feito para trazer de novo estes jovens à escola? Que comprometem o seu futuro? Que continuam a negar-lhes por ventura a ultima oportunidade de serem alguém?
Não é à toa que para uma maioria sejam as turmas dos alunos .' menos bons.'

Zé Morgado disse...

É "apenas" mais um exemplo