Sempre achei graça à expressão “salta-me a tampa” no sentido em que mais frequentemente é utilizada, significando a ideia de se ficar numa situação algures entre o perplexo, o reactivo e desorganizado. De facto, se imaginarmos qualquer objecto que use tampa sem a mesma, ficamos com a sensação desconfortável do à vista, do exposto, no fundo, do destapado.
É por este tipo de questões, ridículas certamente, que me inquietam os cenários em que vivemos e que a toda a hora nos fazem “saltar a tampa”, ou seja, ficamos perplexos, com vontade de … seja o que for, a quem for, sem saber o que fazer e para onde nos virarmos em busca de um rumo.
Ouvimos declarações de gente com a responsabilidade de nos governarem ou de gente com vontade disso, que são assustadoras e nos fazem “saltar a tampa”.
Assistimos e tomamos conhecimento de comportamentos e atitudes que são um atentado à ética e à seriedade que nos fazem “saltar a tampa”.
Convivemos com situações de desrespeito por direitos básicos e pela sagrada dignidade das pessoas que nos fazem “saltar a tampa”.
Todos os dias sentimos que nos “salta a tampa” ou nos cruzamos com gente a quem “salta a tampa”.
Reparem na cacofonia em que este país se transformou, com tantas “tampas aos saltos”.



