domingo, 21 de dezembro de 2014

ESTAMOS CONTRAFEITOS

"ASAE apreendeu vestuário de contrafacção no valor de 110.000 euros"

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, mais conhecida por ASAE, informou que durante a última semana apreendeu no Norte do país 11.000 artigos de vestuário e calçado, com um valor estimado de 110.000 euros. Trata-se de produto contrafeito, naturalmente.
Recordo que a ASAE já tinha anunciado a apreensão de material num valor superior a oito milhões de euros no primeiro semestre deste ano, um aumento de 500% face a 2013.
Na verdade, nos últimos anos, as economias de muitos países, em Portugal com especial incidência, têm sofrido um ataque pesadíssimo através das práticas de contrafacção que envolvem muitos bilhões de euros em muitíssimas áreas.
Na verdade, também temos, como não podia deixar de ser, um florescente mercado de produtos contrafeitos que, através das populares "feiras" ou da mais sofisticada net, disponibilizam tudo o que se pretender, de qualquer marca, perdão "griffe". Ainda há pouco tempo me ofereceram com insistência uns óculos Armani, mesmo Armani, por 5 € que, obviamente, recusei, eram caríssimos apesar da excelência da qualidade e da marca, claro.
As organizações de defesa do consumidor, em particular a DECO, bem como a ASAE, destacam-se na forma como procuram combater a contrafacção, por vezes em acções com forte cobertura mediática, sempre no supremo interesse da “defesa do consumidor”. Assumindo, como qualquer de nós, esta condição de consumidor, não posso estar mais de acordo com esta atitude, embora possa discutir a mediatização e aparato de que se revestem muitas das acções desenvolvidas, apesar de, reconheça-se, ter aumentado a discrição.
Nesta perspectiva preocupa-me que a emergência e o alargamento da contrafacção em sectores tão importantes como a alimentação, possam retirar eficácia para lidar com um problema também muito sério, a presença de produtos de contrafacção na nossa vida política e na gestão dos grupos económicos o que, obviamente, compromete a sua qualidade.
Na verdade, a contrafacção no nosso cenário político e nas lideranças económicas que usam e abusam nos procedimentos e produção de produtos contrafeitos, de má qualidade ou tóxicos constitui uma enorme preocupação.
Quando analisamos e sentimos os discursos e as práticas das lideranças políticas e económicas percebe-se sem necessidade de recorrer a sofisticados dispositivos laboratoriais que se trata de produtos contrafeitos, muitos deles altamente tóxicos e ameaçadores da saúde social, económica, mental e física dos portugueses.
Os últimos tempos têm sido particularmente elucidativos no que respeita à existência destes produtos contrafeitos tóxicos e altamente prejudiciais á nossa vida.
Seria, portanto, imprescindível que os elementos da classe política, de diferentes quadrantes, e da administração de empresas e grupos que são, obviamente, produtos contrafeitos e de uma falta de qualidade ameaçadora, sejam detectados e recolhidos por iniciativa da DECO ou da ASAE para que os eleitores e cidadãos não adquiram gato por lebre ou mesmo produtos ameaçadores do seu bem-estar.
Se assim não for ... estamos contrafeitos.

A VIDA NORMAL DE DOIS SEM-ABRIGO

A vida normal de dois sem-abrigo

Em linha com a qualidade a que nos habituou, Paulo Moura tem hoje um trabalho no Público sobre o quem título  é designado como "A vida normal de dois sem-abrigo".
É evidente que designar como "normal" a vida de dois sem-abrigo soa estranho. No entanto, a existência e a vida dos sem-abrigo entrou numa estranha dimensão de normalidade, ou melhor, numa dimensão de transparência, não os vemos, vemos através deles, 
Está a chegar a época do Natal e agora sim, vão ganhar visibilidade. Vão multiplicar-se as refeições oferecidas a sem-abrigo, a que não faltará o bacalhau e o bolo-rei, Boa parte destes sem-abrigo vão aparecer com uma roupinha mais composta, oferecida, evientemente, que lhes dará melhor aspecto, tiveram um banho e tudo isto vai acontecer com uma obscena cobertura mediática.
Serão insultuosas as perguntas estúpidas e ofensivas que alguns repórteres televisivos entenderão por bem colocar aos sem-abrigo, perguntando, por exemplo, a "este senhor" ou a "esta senhora" se se sente bem e se gosta da refeição que lhes foi proporcionada. Perguntarão ainda se assim o Natal fica melhor e eles, que haveriam de dizer, dirão que sim, comem um bocado melhor, vestem umas roupas diferentes e aparecem na televisão, proporcionando um pornográfico espectáculo de mediatização da exclusão, da miséria e da pobreza,
Entretanto, a vida normal do Vítor e do João tratados com dignidade por Paulo Moura continuará na sua normalidade inaceitável.
Uma pequna nota para a indiferença com o que os que nos desabrigam olharão para estas coisas, coisas de pobres, irrelevantes, já se vê.

AS MUDANÇAS DO CARLOS ABREU AMORIM

"Já não sou um liberal. O Estado tem de ter força"

Numa muito curiosa entrevista ao Público, Carlos Abreu Amorim, o coordenador dos deputados do PSD na Comissão de Inquérito Parlamentar ao caso do BES acaba por concluir que esta riquíssima experiência mudou substantivamente a sua maneira de pensar, “Já não sou um liberal. O Estado tem de ter força”, afirma convicto. Sentiu, por assim dizer, um chamamento, e converteu-se.
Este rapaz tem um sentido de oportunidade e mudança particularmente afinado. Vai longe, pelo menos esforça-se.
Recordo o alarido causado quando resolveu apelidar de “magrebinos” o pessoal que não apoiava o seu FCP, sobretudo os que tinham a infeliz e estúpida ideia de apoiar o Benfica. Está certo, os mouros são gente de mau gosto e que procedem a más escolhas.
Por falar em más escolhas, também me lembro de Carlos Abreu Amorim ter sido imposto pelos chefes partidários como candidato nas autárquicas à Câmara de Gaia, concelho com o qual não tem qualquer afinidade e, naturalmente, ter levado um banho.
Também me lembro das críticas que resolveu fazer a Vítor Gaspar quando este abandonou o Governo. É evidente que criticar o Ministro quando ele estivesse exercício é mais difícil, poderia até custar o lugarzinho de deputado que tanto trabalho dá a conseguir.
Finalmente, esta sim teve graça, é homem de um fino sentido de humor, recordo que em Janeiro ter afirmado que Cavaco Silva acerta … quando está calado.
Talvez esta a sua recente afirmação sobre a sua mudança “ideológica, por assim dizer, tenha sido um regresso a este entendimento. Carlos Abreu Amorim acerta … quando está calado.
De qualquer forma registo a mudança no discurso de Carlos Abreu Amorim. Talvez 2015 traga outras mudanças nos discursos dos deputados. Talvez boa parte deles resolva começar a representar os interesses de quem os elegeu e não os interesses que quem lhes manda carregar no botãozinho certo na hora certa, guardando a consciência na gaveta da secretária.

A ver vamos.

ESCOLHA DIFÍCIL

De acordo com o Observador, ganha força a escolha ente Marcelo Rebelo de Sousa e Santana Lopes para as Presidenciais.
Percebe-se a dificuldade da escolha, são duas figuras de peso.



ESTA É A PANTANOSA PÁTRIA NOSSA AMADA


"Relvas também terá pedido agilização de vistos Gold"

"Património de Menezes investigado"

"Marques Mendes escutado a pedir favores Contactos feitos em agosto e outubro. Queria nacionalização para duas mulheres, no âmbito dos Vistos Gold."
Cada cavadela, cada minhoca. Esta é a pantanosa Pátria nossa amada.

sábado, 20 de dezembro de 2014

A RELAÇÃO COM A ESCOLA. A ESCOLA SERVE PARA QUÊ?

Ainda considerando o estudo A Saúde dos AdolescentesPortugueses, que integra o trabalho internacional Health Behaviour in School-aged Children, da responsabilidade da OMS, coordenado em Portugal pela excelente equipa da Professora Margarida Gaspar de Matos e que citei no texto anterior, gostava de retomar mais alguns indicadores retirados do enorme volume de informação que justifica análise mais atenta e aprofundada.
Recordo que neste estudo, realizado de quatro em quatro anos, foram envolvidos 6026 alunos do 6.º, 8.º e 10.º ano, de Portugal continental, com idades entre os 10 e os 20 anos (idade média de 14 anos).
Assim, umas notas breves sobre a relação com a escola que emerge da inquirição destes adolescentes.
É importante registar que 73% afirma gostar genericamente da escola, 87% gosta dos colegas mas o que nos parece mais significativo ainda que não inesperado até porque é corroborado por outros estudos, 53.9% gosta dos professores, mas apenas 39% gosta das aulas. Segundo os adolescentes inquiridos, mais de seis em cada dez, entendem que a “matéria” é “muito difícil”, “aborrecida” e “demasiada”. Importa ainda considerar o número significativo de alunos que não vê, não sente, acolhidas e respondidas na escola as dificuldades resultantes das suas necessidades especiais.
Esta relação com a escola, com valores mais elevados que noutros países, não é surpreendente, em particular para quem conhece o universo das escolas públicas e também emerge noutros estudos.
O que se torna mais objecto de reflexão é a consistência sem alteração significativa desta relação com a escola que parece não ser devidamente valorizada e percebida como integrante e promotora de projectos de vida sólidos e viáveis. Aliás, apenas 54.9% tem intenção de frequentar o ensino superior, menos quase 10% que há 4 anos.
É por questões desta natureza que a organização, os tempos e as actividades da escola, os conteúdos curriculares, a estabilidade e do corpo docente como factor estabilizador e estruturante da relação com os alunos, da definição de uma oferta formativa e de percursos diferenciados sem que umas sejam consideradas de “primeira”, destinadas aos bons alunos e outras vias, sejam percebidas como de “segunda” e destinadas aos falhados e menos competentes, a definição de climas de escola amigáveis para professores, funcionários pais e alunos, existência de apoios eficazes às dificuldades, e de técnicos com intervenção em processos de aconselhamento, orientação e regulação de comportamentos e aprendizagem, etc., etc., são dimensões essenciais e que, do meu ponto de vista, a política educativa dos últimos anos não tem acautelado, não promovendo uma escola assente em princípios de educação inclusiva e com qualidade e com os recursos necessários.
Por outro lado e finalmente julgo ser necessário encarar de forma séria o trabalho com as famílias pois, que para muitas elas, sabemos quantas e quais, é insuficiente o que um director de turma, por mais empenhado e motivado que seja, possa realizar.
No entanto, os ventos que sopram da 5 de Outubro conseguem fazer, creio, o pleno, muitos alunos, professores e funcionários embora gostem genericamente da escola, desgostam da sua escola, da escola que têm.

JÁ NÃO AGUENTO

"Um em cada cinco adolescentes já se magoou para lidar com a tristeza"

No Público de hoje encontra-se um excelente trabalho sobre um universo pouco divulgado e que é fonte de uma enorme inquietação e sofrimento em adolescentes e famílias. Trata-se do comportamento de automutilação, adolescentes e jovens causam sofrimento a si próprios. Foram conhecidos os últimos dados do estudo A Saúde dos Adolescentes Portugueses que integra o estudo internacional Health Behaviour in School-aged Children, da responsabilidade da OMS, realizado de quatro em quatro anos e coordenado em Portugal pela excelente equipa da Professora Margarida Gaspar de Matos e de leitura obrigatória para compreensão do universo dos adolescentes e jovens portugueses
Um em cinco alunos entre o 8º e o 10º ano já se magoou a si próprio, de propósito, nos últimos 12 meses, sobretudo cortando-se nos braços, nas pernas, na barriga... Referiram que se sentiam “tristes”, “fartos”, “desiludidos” quando o fizeram.
Este indicador, preocupante como é evidente, é-o tanto mais quando representa um aumento de quase cinco pontos percentuais do grupo dos que fazem mal a si próprios considerando o Relatório de há quatro anos.
É importante sublinhar que foram envolvidos no estudo 6026 alunos do 6.º, 8.º e 10.º anos, de Portugal continental, com idades entre os 10 e os 20 anos (a média de idades é 14 anos).
Na verdade, os comportamentos de automutilação em adolescentes são mais frequentes do que muitas vezes pensamos. Alguns estudos internacionais apontam para cerca de 10% da população em idade escolar com comportamentos de automutilação pelo que os dados encontrados em Portugal são, de facto, preocupantes.
Este quadro é um indicador do mal-estar que muitos adolescentes e jovens sentem. Em muitas situações não conseguimos estar suficientemente atentos. Acontecem com alguma frequência situações de sofrimento com as mais diversas origens, relações entre colegas, bullying por exemplo, ou relações degradadas em família que facilitam a instalação de sentimentos de rejeição, ausência de suporte social, facilitadoras de comportamentos autodestrutivos. Começa também a emergir como causa deste mal estar a dificuldade que algumas crianças e adolescentes sentem em lidar com situações de insucesso escolar. Estas dificuldades são frequentemente potenciadas pela pressão das famílias e pelo nível de competição que por vezes se instala.
O sofrimento e mal-estar induz uma espiral de comportamentos em que os adolescentes causam a si próprios sofrimento que promove mais sofrimento num ciclo insuportável e com níveis de perplexidade, impotência e sofrimento para as famílias também extraordinariamente significativos.
Depois das ocorrências torna-se sempre mais fácil dizer qualquer coisa mas é necessário. Muitas crianças e adolescentes evidenciam no seu dia-a-dia sinais de mal-estar a que, por vezes não damos atenção, seja em casa, ou na escola espaço onde passam boa pare do seu tempo boa parte do seu tempo, De facto em muitos casos, designadamente, em comportamentos de automutilação, pode ser possível perceber sinais e comportamentos indiciadores de mal-estar que aliás são referidos no trabalho do Público. Estes sinais não podem, não devem, ser ignorados ou desvalorizados. É também importante que pais e professores atentos não hesitem nos pedidos de ajuda ou apoio para lidar com este tipo de situações.
Muitos pais, diz-me a experiência, sentem-se de tal forma assustados que inibem um pedido de ajuda por se sentirem impotentes e assutados.
O resultado pode ser trágico e obriga-nos a nós a uma atenção redobrada aos discursos e comportamentos dos adolescentes.

ELE HÁ ENUNCIADOS!

"Segurança Social vai invocar interesse público para dispensar pessoas"

Eu sei que a economia, a decisão politica, o conhecimento dos mercados, as finanças, a gestão das empresas, os ... etc., etc., são matérias que um cidadão normal, com preocupações e conhecimentos normais sobre a vida e a dificuldade das pessoas tem imensa difculdade em perceber,
Tanto assim é, que apesar de inúmeros programas, painéis, especialistas com currículos de uma solidez a toda a pova, catedráticos e outros musicólogos, se esforçarem por nos explicar, mesmo que o façam devagarinho, estes meandros altamente complexos da economia, a coisa continua difícil para a generealidade nós, os chamados mexilhões.
Este é um exemplo desta dificuldade de entendimento de alguns postulados ou enunciados. Vejamos de forma mais pormenorizada.
A Segurança Social, repito a Segurança Social, cuja área de competência é a protecção e apoio às pessoas, designadamente, às que estão em situação mais vulnerável ou fragilizada, vai defender o interesse público, ou seja o interesse das pessoas, para promover o desemprego de pessoas, ou seja, tornar estas pessoas mais vulneráveis pois lhes retirará a fonte de rendimento e de garantia da sua dignidade e qualidade de vida. Não é fácil entender.
Dito de outra maneira, alguém vai dizer "estou aqui para o proteger e ajudar, a si e a todos os outros que necessitam e, justamente para vos proteger a todos vou despedi-lo. Espero que compreenda o seu despedimento e o estado em que vai ficar, pois trata-se de defender o interesse das pessoas. Contamos, pois consigo e com a sua compreensão e solidariedade".
Por que será que se lê um título destes, o estômago dá uma volta e sente-se uma raiva a crescer nos dentes?

SOPRAM VENTOS DE MUDANÇA

"Miguel Albuquerque com 47,2% dos votos vai disputar liderança do PSD/Madeira na segunda volta com Manuel António"
Serão em que sentido? Alberto João ainda terá uma palavra a dizer. As expectativas sobre a morte do jardinismo talvez sejam um pouco exageradas. A ver vamos.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A TRISTEZA, A HUMILHAÇÃO, O INSULTO DE UMA SINISTRA PACC

Duas notas breves sobre a sinistra PACC que hoje se realizou.
O Público refere em título numa das peças que lhe dedica na edição online o termo “tristeza”.
Na página do IAVE temos a sinistra Prova na íntegra. Permitam-me que cite por razões de espaço apenas dois dos 32 itens de resposta múltipla.

Item 5
A Júlia saiu de casa para visitar uma amiga: andou 1 km para oeste, 500 m para noroeste, 300 m para oeste, 500 m para sudeste e, por último, 1 km para sul.
5. Para voltar a casa pelo mesmo caminho, a Júlia necessita de andar
(A) 1 km para sul, 500 m para sudoeste, 300 m para oeste, 500 m para nordeste e 1 km para oeste.
(B) 1 km para sul, 500 m para sudeste, 300 m para oeste, 500 m para noroeste e 1 km para oeste.
(C) 1 km para norte, 500 m para nordeste, 300 m para este, 500 m para sudoeste e 1 km para este.
(D) 1 km para norte, 500 m para noroeste, 300 m para este, 500 m para sudeste e 1 km para este.
Item 6
O selecionador nacional convocou 17 jogadores para o próximo jogo de futebol. Destes 17 jogadores, 6 ficarão no banco como suplentes.
6. Supondo que o selecionador pode escolher os seis suplentes sem qualquer critério que restrinja a sua escolha, poderemos afirmar que o número de grupos diferentes de jogadores suplentes
(A) é inferior ao número de grupos diferentes de jogadores efetivos.
(B) é superior ao número de grupos diferentes de jogadores efetivos.
(C) é igual ao número de grupos diferentes de jogadores efetivos.
(D) não se relaciona com o número de grupos diferentes de jogadores efetivos.

Para a “resposta extensa orientada” a questão era:
“Como a prensa de Gutenberg, a Internet e as redes sociais permitem que muito mais gente seja capaz de comunicar mais depressa e com mais pessoas, mas isso não implica que a informação que circula seja melhor e mais útil.”
José Manuel Fernandes, Liberdade e informação, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2011, p.90
No texto acima transcrito, depois de mencionar algumas vantagens evidentes das tecnologias da informação, José Manuel Fernandes suscita uma interrogação sobre a forma como essas tecnologias são utilizadas.
33. Escreva um texto em que exponha a sua opinião sobre a perspetiva expressa por este autor, fundamentando-a através de uma linha argumentativa coerente

Recorda-se que a estrutura da sinistra PACC incluía 32 itens de escolha múltipla (80% da cotação) e um item de “resposta extensa orientada” (20%). Esta última remete para um tema actual e solicita a discussão das ideias de um dos grandes pensadores e investigadores portugueses sobre o universo da educação.
Na verdade, o termo tristeza se bem que adequado a esta circunstância peca por simpático. Na verdade, um Ministro da Educação entender que esta Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades não é triste embora cause tristeza. É uma indignidade para além da incompetência, é uma humilhação e um insulto para uma classe que na verdade e por motivos desconhecidos Nuno Crato despreza profundamente mas da qual não pode prescindir.
Não foi por hábito ou lapso que uma assistente operacional de uma escola onde se realizou a PACC solicitou aos professores “Meninos, faz favor de fazer fila indiana sem stress”. Este discurso é coerente com as instruções que os professores, repito, os professores, receberam para responder à sinistra Prova.
Espanto, tristeza, indignação e revolta é o que ficam.
Uma nota final mais positiva, A esmagadora maioria dos docentes que trabalham nas escolas públicas e não só do nosso sistema educativo é gente mais competente e mais qualificada do que este insulto pretende comprovar da forma mais inadequada que se pode imaginar. Ainda bem para os nossos filhos e netos.

A AVALIAÇÃO DA INVESTIGAÇÃO. ÉS EXCELENTE MAS NÃO PODES SER EXCELENTE, TEM PACIÊNCIA

"A FCT deu instruções para haver até 80 centros excepcionais e excelentes"

Estará para breve a divulgação dos resultados da segunda fase de avaliação dos centros e unidades de investigação. Terminou a primeira fase depois da razia encomendada à European Science Foundation pela Fundação para a Ciência e Tecnologia definindo como patamar a não passagem à segunda fase de avaliação de cerca de 50% das estruturas avaliadas. Assim aconteceu, pelo que, considerando algumas repescagens praticamente metade do tecido de investigação em Portugal está condenado a desaparecer ou a ver quase impossibilitado o seu trabalho, muito do qual tem obtido reconhecimento nacional e internacionalmente. O processo de contestação ainda não terminou mas entretanto ... a vida continua.
No processo de avaliação da segunda fase voltam a ser definidas quotas que a FCT e o MEC insistem em considerar apenas “guidelines”, numa tão inaceitável quanto desrespeitosa apreciação da nossa inteligência, embora pareça convencer alguns raros apoiantes do processo que, assim, procuram defender o indefensável. Vejamos.
Quando estruturo um dispositivo de avaliação devo procurar fazê-lo com o maior rigor e competência possíveis. Devo utilizar critérios claros, exigentes, competentes e conhecidos. A partir daqui creio que fará pouco sentido estabelecer, mesmo que não informe, (fica mais fácil) que tenho como “guideline” atribuir apenas x “excelentes”, ou seja, se tiver x +1 excelentes, terei que encontrar forma de um dos “excelentes” deixar de o ser para respeitar a minha “guideline”, algo sem sentido evidentemente e contra tudo o que deve ser um processo de avaliação bem desenhado.
Podemos ainda usar um outro exemplo. Estamos a entrar na época de avaliações no superior e eu aviso os meus alunos de que vou montar a avaliação de uma Unidade Curricular mas vou fazê-lo de forma a que apenas 3 dos alunos tenham nota acima do 17. Corro, obviamente, o risco de um dos alunos me perguntar “E se aparecerem 5 alunos com essa nota que acontece?”, “Nenhum problema”, respondo, volto a mexer na avaliação até escolher só 3.
Esta forma de trabalhar subverte todo o sentido de uma avaliação justa, é de manual, mas, se bem repararmos, foi, é, assim que a ESF tem estado a trabalhar por encomenda da FCT
O resto, bom, o resto ... é a política, estúpido. Cheia de manhas e interesses outros.

NUNO CRATO VAI DAR EXPLICAÇÕES

O Ministro foi chamado ao Parlamento para dar explicações sobre o processo conhecido por “Municipalização das escolas” integrado no “Programa Aproximar”.
Nada de estranho, como se sabe, “dar explicações” constitui um dos mais frequentes recursos ao serviço da educação em Portugal. Não fora a crise que diminui as possibilidades das famílias e a política educativa, milhares de alunos sem aulas e o ensino transformado na preparação para exames, teria dado um excelente contributo para o florescimento deste nicho de mercado.
Este movimento de “aproximar” tem suscitado imensas dúvidas e parece assentar no equívoco de confundir “autonomia das escolas” ferramenta imprescindível para promover a qualidade, com “municipalização”, para além do mais com contornos altamente nebulosos, e que não garante maior autonomia, antes pelo contrário, apenas pode mudar a “tutela”, por assim dizer. Aliás o artigo de hoje no Público de do director de escola, Filinto Lima, é um exemplo dos equívocos e falta de transparência de todo este processo.
Para além das “explicações” de Nuno Crato, sobre as quais não tenho grande expectativa quanto a novidades, o Ministro não se tem revelado muito bom explicador, sempre que fala desencadeia apreciações que não passam, cito-o, de “conjecturáveis ambiguidades” tenho uma enorme curiosidade de outra natureza.
O genial troca-tintas Poiares Maduro afirmou que nunca esteve na intenção do Governo passar para as autarquias a gestão dos docentes. É sabido e conhecido, foram públicas, que as propostas avançadas pelo MEC sobre esta matéria passavam para as Autarquias várias dimensões da gestão de professores premiando, inclusivamente, as que poupassem no número de professores recorrendo a números mais baixos dos que seriam considerados neessários, estimulando um "factor de eficiência", uma pérola do "economês", língua que substituiu o "eduquês" na comunicação oficial do MEC.
Pode ser um número estimulante a “explicação” de Nuno Crato sobre esta matéria, tal como várias, outras, o “currículo local”, avaliação externa, a relação com o ensino privado, etc.

UMA PÁGINA NEGRA DA EDUCAÇÃO

"Exame para professores deixou de valer a pena, apesar de ser obrigatório"

Sem grande alarido, de acordo com os manuais da comunicação política, realiza-se hoje nova edição da sinistra Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades para a acesso à carreira de Professor. Dadas as actuais circunstâncias, cortes e inacessibilidade de novos professores à carreira, esta iniciativa vale mais pelos princípios que a informam que pelos efeitos práticos que eventualmente possa ter.
Na verdade, o saldo deste processo que se iniciou, é bom lembrar, em 2007 com a institucionalização desta Prova e que Crato recuperou da maneira aberrante e a que temos vindo a assistir com um primeiro episódio em 18 de Dezembro de 2013, é profundamente negativo.
Já o tenho afirmado, este processo estabelece uma das páginas mais negras da educação em Portugal e uma enorme humilhação e desrespeito à classe docente, a todos os Professores, avaliados e avaliadores ou vigilantes.
Em termos breves e em jeito de balanço, estabelecer uma Prova de acesso à carreira docente que não envolva avaliação das práticas durante algum tempo é, podemos afirmar assim, incompetência. Nenhuma prova, finita, curta e que não envolve o trabalho educativo pode avaliar a preparação de um professor para leccionar.
Mas Nuno Crato consegue ir mais longe, recupera a Prova definida em 2007 e constrói um modelo com uma componente comum, com itens de resposta múltipla e que mais não são do que charadas lógicas sem qualquer relação com o exercício da profissão professor e uma "resposta extensa orientada" com um número de palavras entre 250 e 350 a que acresce uma Componente específica sobre a disciplina que o docente se propõe leccionar que aliás nem se realizou nas edições anteriores.
A esta aberração sujeitar-se iam todos os professores que não estão nos quadros. Acontece que muitos destes professores são-no há vários anos, com prática avaliada e a reacção foi imediata. Com a colaboração prestimosa da FNE, o MEC assume a generosidade de decidir que a Prova só deverá ser realizada peos professores com menos de 5 anos. Acrescenta-se, assim, incompetência e manha pois que diferença de "Conhecimentos e Capacidades" existirá entre professores com mais ou menos uns dias de experiência.
Marca-se a data para Sinistra Prova e o alarido e confusão foram grandes pelo que muitos docentes não a realizaram. O MEC insiste, elimina a componente específica como se passasse a confiar no antes desconfiava, o conhecimento científico dos professores sobre o se propõem ensinar, e num processo absolutamente indigno e deplorável em ética e transparência, cheio de habilidades certamente "normais", marca nova Prova, a que hoje se estará a realizar.
Não é possível que alguém conhecedor deste processo e dos seus conteúdos, designadamente do modelo de Prova, possa aceitar tal ofensa e humilhação. Não é acertando na resolução de problemas de lógica que se evidencia qualidade e preparação para se ser professor. Esta Prova não tem rigorosamente a ver com a avaliação de desempenho dos professores, confusão que transparece em inúmeros comentários que se ouviram e leram. Tal confusão, creio, será, também, da responsabilidade também dos professores e seus representantes. Ao MEC interessa uma opinião pública mal informada e "contra" os professores como sucessivas equipas da 5 de Outubro têm alimentado.
De facto, para terminar, o saldo de tudo isto é algo de muito negro para a educação em Portugal, pelo modelo de avaliação, pelo processo, pelo modelo e conteúdos da Prova e, sobretudo, pela humilhação e desrespeito aos professores e pela sua profissão, cujos saberes e competência não cabem em 32 itens e uma resposta "extensa orientada" até 350 palavras.
O Ministro Nuno Crato e os e os seus ajudantes sabem, evidentemente que isto assim é. No entanto, a afirmação infantil de uma autoridade que não têm e que lhes não é reconhecida, um fingimento de rigor que a incompetência episódios sucessivos negaram mas, sobretudo, a tentativa desesperada de continuar a voltar a opinão pública contra os professores leva Nuno Crato a insistir despudoradamente na realização desta sinistra PACC.
A história não os absolverá. Morra a sinistra PACC, Morra! PIM!

PS - No DN lê-se mais um exemplo do quão degradante e aberrante é a situação criada pela arrogância e incompetência alimentada de Nuno Crato.

"Corpo de Intervenção em alerta máximo para prova dos professores"


De uma forma estúpida e desajustada, que talvez as odores intensas de uma dor ciática que continua a atormentar-me, possam desculpar, lembrei-me que no México foram recentemente massacrados 43 estudantes para professores por protestarem contra mudanças no sistema educativo mexicano. Desculpem a lembrança mas ocorreu-me.

A SUSTENTABILIDADE DA SEGURANÇA SOCIAL, A SOLUÇÃO FINAL

"Estado paga pensões de reformas a mortos 
Serviços continuaram a pagar a prestação, em alguns casos por um período de 18 anos"

Os mortos são menos sensíveis aos efeitos dos cortes e têm muito menor capacidade de reinvindicação. Trata-se de uma experiência piloto do Ministério de Mota Soares no sentido de testar a solução final e assegurar a sustentabilidade do sistema de reformas e pensões.
O resultado parece ser animador.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

DA INGRATIDÃO DE ALUNOS, PROFESSORES E INVESTIGADORES

"Nuno Crato interrompido por alunos que pedem a sua demissão"

Um grupo de alunos, docentes do ensino superior, bem como investigadores, manifestaram-se ontem durante a intervenção do Ministro Nuno Crato numa Conferência sobre Ciência realizada no ISCTE.
Mostraram uma faixa onde se lia “Parabéns Crato: O ensino e a ciência nunca estiveram tão mal” e manifestaram-se até receberem um amável convite para abandonar a sala. Esta manifestação é mais um incompreensível exemplo de ingratidão face à política de Nuno Crato. Esta ingratidão começa a ser preocupante.
Teve um episódio extremo quando o Primeiro-ministro afirmou na sua linguagem popular e simpática que tinha poupado os “mexilhões” aos efeitos da crise e, pasme-se, os mexilhões em vez de agradecerem tal humanidade e solidariedade ainda protestaram. Não se entende mas é hábito nesta terra de ingratos, pobres e mal agradecidos.
Relativamente ao ensino superior e ciência ainda menos se compreende que protestem com a política genial definida por Nuno Crato. Vejamos.
Como se sabe, os estudantes docentes e investigadores têm responsabilidade acrescidas de perceberem estas coisas, a quantidade é inimiga da qualidade. É melhor ter poucos e torná-los muito bons do que ter muitos a fazer qualquer tarefa correndo o sério risco de que a não façam bem.
Com este correcto entendimento, a construção de uma elite em vez de alimentar uma massa de potenciais medíocres, Nuno Crato com a preciosa ajuda das políticas de austeridade já criou condições para que alguns milhares de alunos abandonassem o ensino superior por dificuldades económicas. Está certo e é uma medida de largo alcance. De facto, a generalidade dos estudos mostram que os alunos provenientes de meios mais favorecidos e económica e socialmente são os que reúnem melhores condições para atingir a excelência. Levar os outros a desistir é, pois, a aposta correcta.
Por outro lado, pelas mesmas razões, dificuldades económicas, aumentam o número de alunos que acabam o secundário e não tencionam frequentar o superior. Lá está, os que continuam são os que mais equipados estão para percursos que os levem à excelência. Uma visão genial que alguns ingratos não vislumbram e não agradecem.
Neste cenário, menos alunos, são precisos menos professores pelo que não se renovam contratos ou se levam muitos docentes a sair numa evidente prova de boa gestão dos dinheiros públicos e de adequação às necessidades. Corre-se com os alunos, corre-se com os professores, uma fórmula digna de um matemático genial como Nuno Crato.
Quanto à investigação, como se sabe, existiam por aí milhares de investigadores que investigavam irrelevâncias e inutilidades como muito bem caracterizaram Pires de Lima e Passos Coelho. Assim, tornou-se necessário travar este desperdício brutal de dinheiro com a investigação, isso é coisa para países ricos, os mais pobres devem investigar apenas aquilo que se traduz num benefício imediato, produto ou serviço, para as empresas como muito  bem ilustrou Pires de Lima.
Para que o trabalho fosse bem feito, como sabem Nuno Crato é um maníaco da perfeição, começa-se por cortar nas bolsas de investigação, boa parte das quais alimentavam coisa nenhuma, assim cortaram-se 31% das bolsas de doutoramento e 35% das bolsas de pós doutoramento. Quem não tem dinheiro não o pode desperdiçar na investigação sem qualidade de um conjunto de irrelevâncias.
Mas o génio e a visão de Nuno Crato levaram-no mais longe. Para mascarar o processo com uma capa de rigor e isenção encomendou a uma estrutura exterior, a European Science Foundation, um processo de avliação dos Centros e Unidades de Investigação e estabeleceu como objectivo que à partida deveria ser eliminada metade das estruturas avaliadas.
A rapaziada da ESF cumpriu fielmente a encomenda e num processo transparente claro e rigoroso acabou mesmo com, pelo menos, metade do trabalho de investigação que se realizava em Portugal. A tarefa ainda não está completa pois falta conhecer o resultado da segunda fase de avaliação.
Mais uma vez, de forma estranha e profundamente ingrata, a esmagadora maioria da comunidade científica contestou este processo que apenas procurou defender a qualidade, a competência e o rigor como muitas vezes nos últimos tempos foi afirmado e sublinhado por Nuno Crato, pela Secretária de Estado e pelo Presidente da FCT.
Neste cenário fica perfeitamente claro que o protesto de estudantes, professores e investigadores realizado não passa de uma manifestação gratuita, própria de uma terra de ingratos, que se tornam incapazes ou não querem perceber a visão genial de Nuno Crato ou então fazem-no com intenções inconfessáveis.

OS ALCATRUZES DA NORA

sobem e descem.
De DDT e DGT, Dono Disto Tudo e Desta Gente Toda passa a pior CEO do ano, provavelmente o título  mais simpático dos que que ainda o esperam. Ou não, estamos em Portugal.

"Ricardo Salgado eleito pela BBC o pior CEO do ano"


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

DA DESUMANIDADE

"Taliban matam mais de 140 pessoas, a maioria crianças e adolescentes, numa escola de Peshawar"

Muito raramente abordo neste espaço acontecimentos de outras paragens.
Assim sendo, ainda hesitei mas não é possível não fazer uma referência a tamanho acto de desumanidade. Não difere muito dos ataques perpretados intencionalmente pelas tropas israelitas a escolas da faixa de Gaza onde também morreram muitas centenas de crianças ou do rapto e desaparecimento de centenas de raparigas em África.
Estas crianças morreram só porque existiam.
Como é possível que no Sec. XXI os Homens tenham capacidade para acomodar tanta crueldade, tanta maldade, tanta pobreza.

TIRO DOS SUBMARINOS, JUSTIÇA AO FUNDO

"Ministério Público arquiva processo dos submarinos"

Paulatinamente, cumprem-se sem surpresa os passos desta saga tóxica conhecida pelo “O negócio dos submarinos”. Hoje soube-se que o Ministério Público decidiu arquivar o processo relativo às suspeitas de corrupção na aquisição dos dois submarinos.
Recordo que em Fevereiro já tinham sido absolvidos os dez arguidos num outro processo relativo à mesma matéria.
Nada de extraordinário, do meu ponto de vista, as investigações estavam comprometidas à partida, estamos em Portugal. Relembro que na Alemanha, o pessoal envolvido neste mesmo esquema já foi julgado e condenado mas como sabem o sistema de justiça alemão levanta imensas dúvidas de eficácia e celeridade. Também na Grécia o processo se desenvolveu com a acusação dos responsáveis.
Nós por cá, tudo com calma, como de costume. Andámos aos papéis com eles misteriosamente desaparecidos e realizámos umas investigações e julgamentos, não se realizaram algumas ouras inestigação pois podia encontrar-se algo de indesejável, conheceram-se "indiciações" consistente de "esquemas" que ninguém pareceu verdadeiraamente interessado em que terminassem com alguma condenação, ou seja, tal como acontecia nas nossas míticas batalhas navais jogadas nas aulas, não passam de tiros na água. Tudo como é hábito, nada de novo.
De forma curiosa e mais preocupante, é que estes tiros na água abrem mais um rombo no casco do porta-aviões da confiança dos cidadãos na justiça e em boa parte da classe política.
Acresce que, de quem se espera que seja parte da solução é, na verdade, parte do problema, resultado, justiça ao fundo.

EU JÁ TINHA DITO AO PAI NATAL

que estes senhores só dizem a verdade, apenas a verdade e nada mais que a verdade.

"A venda das minhas acções não tem nada a ver com as informações que eu tinha"

ALUNOS AINDA SEM AULAS DE COMPENSAÇÃO? NÃO ACREDITO

"Ainda há alunos à espera das aulas de compensação

Dizem que há ainda muitas escolas e muitos alunos que ainda não tiveram aulas de compensação devido aos atrasos provocados pelo catastrófico e incompetente processo de colocação de professores.
Como é evidente, não acredito que tal possa estar a acontecer. Primeiro porque o primeiro período acaba hoje e, segundo, porque o Ministro Nuno Crato disse há muito que tudo estava resolvido apenas se verificaram uns ligeiríssimos atrasos. Eu acredito no Senhor Ministro.
No entanto, vou escrever ao Pai Natal, para poder dar uma ajuda. O Pai Natal, pelo menos, parece gostar das crianças.

POLÍTICAS EDUCATIVAS GENIAIS

Escolas abrem cantinas a pais que passam fome

Como vai sendo habitual nos últimos anos muitas autarquias vão manter abertas durantes as férias as cantinas escolares. Este Natal parece haver a particularidade de alunos do ensino secundário e pais também acederem a a esta resposta.
É claro que a simples existência de cantinas sociais, a velha "sopa dos pobres" é um dedo acusador da falência das nossas comunidades no assegurar de direitos básicos às pessoas, entre os quais se encontra, evidentemente, a alimentação.
Este ano os utentes privilegiados destas cantinas Eescolares serão, certamente, alunos e pais oriundos de classes sociais e económicas mais favorecidas, justamente, as que o Primeiro-ministro, num rasgo de lucidez, sensibilidade e sensatez, identificou como as que mais atingidas foram pelas dificuldades.
Por outro lado, regista-se mais um avanço no caminho de municipalização da educação alargando as competências das escolas sob tutela autárquica. Além de providenciarem desenvolvimento e conhecimento aos alunos, asseguram alimentação e apoio social extensível a pais, sendo que ao mesmo tempo se promove o sempre desejável envolvimento dos pais na vida da escola. Políticas geniais, sem dúvida.
Em final de ano, estas iniciativas permitem estabelecer uma avaliação extraordinariamente positiva do que tem sido a acção política dos últimos anos.
Bem hajam.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O INVESTIMENTO NO COMBATE À POBREZA

"Portugal vai investir 208,1 milhões de euros no combate à pobreza até 2020"

Lê-se no Público que Portugal irá receber 176,9 milhões de euros de fundos comunitários destinados aos pobres e para apoiar os pobres noo acesso a produtos alimentares e outros artigos para uso doméstico e de higiene básica. Esta verba virá de um Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas mais Carenciadas.
A este montante oriundo da Comissão Europeia acrescem 31,2 milhões de euros de verbas nacionais o que perfaz um total de 208,1 milhões de euros destinados a investir no combate à pobreza entre 2014 e 2020.
Sem qualquer ponta de cinismo, evidentemente, registo a preocupação com o combate à pobreza por parte de quem também esteve envolvido, justamente, na promoção da pobreza através das políticas levadas a cabo nos últimos anos.
No entanto a idade e muitos anos de vida nesta terra vão produzindo em mim, coisa de que não me orgulho, uma atitude razoavelmente céptica.
Quando oiço referências a muitos milhões de euros disponíveis para combater a pobreza começo logo a imaginar, de forma certamente injusta, um conjunto enorme de instituições, criadas e a criar, a perfilar-se para se candidatarem a combater a pobreza. Recordo os anos de ouro das verbas europeias para formação profissional e as "tecnoformices" e outras manhosics a que deram origem.
De seguida, com o sentimento de culpa a aumentar lembro-me do princípio de Shirky, “as instituições tendem a alimentar os problemas para os quais é suposto serem a solução”.
Mas estas considerações desconfiadas devem mesmo ser da idade e do mal-estar imenso que uma maldita dor ciática me anda a causar há alguns dias.

UMA HISTÓRIA SOBRE EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Era uma vez uma escola que tem uma Unidade de Apoio Especializado a Alunos com Multideficiência. Certamente por algum estranho e raríssimo fenómeno, entre os alunos que frequentam aquela unidade não se vislumbravam situações de multideficiência. Numa tentativa óbvia de aproveitar os recursos ali colocados e numa situação que nunca, mas nunca, acontece, a Unidade é frequentada por vários alunos que por alguma razão não “cabem” nas salas de ensino regular mas que .. não apresentam quadros de multideficiência.
A sala de trabalho desta Unidade tem os vidros forrados a papel opaco e os estores a tapar o espaço ainda descoberto das janelas. A justificação para tal “protecção” é que, assim, os “outros”, os normais, não espreitam para dentro. Como se sabe as actividades nas salas de aula devem estar ao abrigo de olhares indiscretos.
À hora dos intervalos os alunos da Unidade ficam também na sala. A justificação é que “não gostam” de estar ao pé dos outros. Está certo, assim ficam onde se sentem bem, a escola é também para isso mesmo, para que os alunos se sintam bem.
Também é importante contar que esta escola é uma escola que “defende e pratica a inclusão”. Seja lá isso o que for.
Esta é uma história inventada e, como tal, não corresponde a nenhuma realidade conhecida. Se isso acontecer trata-se, evidentemente, de uma coincidência a que o escriba é alheio.

DEPOIS DO LINCE IBÉRICO

Foram criados novos sinais de trânsito a relembrar a necessidade de preservar a única espécie não afectada pela crise.



AS NOTAS ESTÃO A SAIR

As aulas do primeiro período no ensino básico e secundário estão a terminar. Este ano o período foi marcado pelo catastrófico arranque que deixou muitos milhares de alunos sem aulas bem mais de um mês.
Agora e antes de se entrar mais a fundo no espírito natalício, realizam-se as reuniões de avaliação e a generalidade dos alunos e famílias vai começar a dar atenção às notas. Não só às notas necessárias para a compra dos presentes de Natal, essas serão certamente revistas em baixa, mas também às notas escolares dos filhos que igualmente influenciam a compra de presentes, as boas notas são muitas vezes compensadas com presentes mas, sobretudo, contribuem para comprar futuros.
Alguns miúdos e adolescentes esperarão com serenidade, apenas com a ponta de ansiedade criada pela expectativa de ver confirmado o bom andamento do primeiro período. Estes alunos receberão as felicitações da família pelo trabalho desenvolvido e, muito provavelmente, até verão essas felicitações e contentamento familiar sublinhados com o reforço dos presentes, merecem, trabalharam bem, toda a gente dirá.
Alguns outros miúdos esperam com a ansiedade da dúvida, será que o trabalho e a generosidade dos “setores” chegarão para a positiva, senão a tudo, pelo menos a quase tudo. É que os pais também tinham prometido “aquela” prenda se as notas fossem positivas, mesmo que não "boas", não esperam tanto.
Também existem alguns alunos que já nem a ansiedade pelas notas conseguem sentir, vão ser más, o que não estranharão e as famílias, algumas, também não. É hábito. Destes alunos, uns assumirão um discurso e uma pose de indiferença, precisam dessa pose e desse discurso para mascarar para fora o que o insucesso dói para dentro. Ninguém com saúde se satisfaz com o insucesso. As famílias não sabem que fazer e culpam a escola que as culpa a elas.
Alguns destes alunos receberão as más notas do primeiro período como uma espécie de “cheque pré-datado” passado pela escola, ou seja, estas serão também as notas do segundo e do terceiro período. Esta baixa expectativa é um forte contributo para que se cumpra o emitido no “cheque”, as más notas no futuro.
No entanto, não tem que ser, não é o destino e não estão condenados ao insucesso. Era bom ter consciência do processo e recusar esse fatalismo, apesar do MEC estruturar um sistema que é pouco amigável para alunos e professores.
Existe ainda um grupo mais pequeno de alunos que, por razões que eu não consigo compreender, não têm notas, são especiais, dizem, pelo que sendo alunos e trabalhando nas escolas não vêem, como todos os outros colegas, traduzida numa nota a sua participação na vida escolar. Será porque estando lá não participam, ou será que, apesar de participar e não tendo o mesmo "rendimento" ou sendo avaliados da mesma forma que os seus colegas, se entende, erradamente, que não se "justifica" uma nota, curiosamente, em contextos escolares que se afirmam "inclusivos". Talvez tenhamos ainda que caminhar no sentido melhorar culturas, modelos e dispositivos de avaliação que acomodem todos os alunos.
Enfim, como em quase tudo na nossa vida, as notas são, muitas vezes, determinantes.
Boas férias e Bom Natal.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

NO TEMPO DE COMPENSAÇÃO

"Pais e directores temem que atraso na colocação de professores provoque danos "irreparáveis""

Sem estranheza coube às escolas, professores, alunos e pais tentar apagar um fogo que a arrogância e incompetência do MEC na colocação de professores ateou e que, do meu ponto de vista, deixará marcas que a curto prazo dificilmente serão eliminadas, quando muito serão atenuadas como directores e pais estão a reconhecer. A compensação era, evidentemente uma tarefa imprescindível é difícil e complexa e não existia a forma perfeita de o fazer, apenas a possível, a menos má.
A grande preocupação dos dispositivos de compensação tem sido com os alunos atropelados pela incompetência do MEC que e frequentam anos ou disciplinas com exames nacionais.
Como o nosso ensino e educação se está de mansinho a transformar em aulas de preparação para exames entende-se a opção.
De resto … tudo bem. Para os alunos de anos sem exame e para as disciplinas não sujeitas a exame o tempo vai ajudar a recuperar.
Boa parte das escolas afectadas integram TEIPs, ou seja, a incompetência do MEC destratou escolas com características de maior fragilidade mas o tempo vai, certamente, ajudar a recuperar.
A organização e conteúdos curriculares, de natureza mais fechada e extensos, a que se junta um conjunto de metas curriculares que foram definidas de uma forma exaustiva e burocratizada torna bastante mais difícil a introdução de ajustamentos. Isto quer dizer que mais de um mês sem aulas implicou que muitos conteúdos programáticos deveriam ter sido abordados e o tempo que resta estará, sem grande margem, hipotecado pelos conteúdos que nesta altura deveriam estar a ser trabalhados. Mas desde que não sejam disciplinas ou anos com exame, tudo bem, o tempo vai ajudar a recuperar.
Também é sabido que muitas famílias afectadas têm estado a recorrer a explicações para atenuar à falta de aulas. Percebe-se obviamente a decisão, mas também é claro que esta situação alimenta assimetrias e a desigualdade de oportunidades, quando, para complicar, se atravessa um período de enormes dificuldades para as famílias. Mas o tempo vai ajudar a promover igualdade de oportunidades.
Uma palavra ainda para um grupo que também neste processo foi completamente atropelado e cuja situação é menos divulgada, a dos alunos com necessidades educativas especiais que, por falta de professores e de técnicos estiveram, estão(?) em casa ou "entregados" em escolas em condições que contrariam o que legalmente está definido ou mesmo juntos numa sala sem a realização do trabalho educativo que por necessidade é imprescindível e a que têm direito. Não levantam grande problema vão crescendo e encaminham-se para instituições em algumas muitas das quais realizam actividades que, só por si, são debilizantes e inibidoras de desenvolvimento e aquisição de competências para além de comprometer algo de inegociável a participação em contexto real das actividades reais dos seus companheiros de idade.
No que respeita ao MEC, exceptuando a figura menor que se demitiu por causa dos erros na fórmula de cálculo que ordenaria os professores, não aconteceu nada.
Aliás, como todos nos recordamos, o MEC decretou que o ano lectivo se iniciou com toda a normalidade.
Porque razão haveria de acontecer alguma coisa?

DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO NÃO É O MESMO QUE DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO


“Há falta de formação nas universidades para o que a indústria necessita”


Este entendimento do papel das Universidades como escola profissional para as empresas assenta num equívoco tremendamente perigoso que o actual Governo alimenta, designadamente Passos Coelho, Nuno Crato e Pires de Lima, ao confundir desenvolvimento tecnológico com desenvolvimento científico.
Este equívoco está claramente presente na política de Crato para a ciência e investigação com o esmagamento das Ciências Sociais e das Humanidades ou nos discursos de Pires de Lima quando afirma com preconceito e ignorância que é preciso que a investigação (maioritariamente desenvolvida enquadrada pelas universidades) "se traduza em produtos, marcas e serviços que possam fazer a diferença no mercado e devolver à sociedade o investimento que fizemos". Tal entendimento mostra mais uma vez a ignorância sobre a ciência, o seu desenvolvimento e o papel fundamental no desenvolvimento das sociedades, eliminando pura e simplesmente as ciências sociais e das humanidades, evidentemente inúteis por não criarem "produtos, marcas e serviços".
É evidente que a empregabilidade e a transferência de conhecimentos para o tecido económico são dimensões a considerar na organização da oferta formativa mas existe um conjunto vasto e imprescindível de formação universitária de que não podemos prescindir com o fundamento exclusivo no mercado de emprego. Podemos dar como exemplo formações na área da filosofia ou nichos de investigação que são imprescindíveis num tecido universitário e social moderno e que cumpra o seu papel de construção e divulgação de conhecimento e desenvolvimento em todas as áreas.  
As universidades não podem ser o departamento de formação profissional das empresas.

OS BRINQUEDOS DOS MENINOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS

"Alunos de robótica do Minho adaptam brinquedos para crianças com deficiência"

Após algum tempo de interrupção alunos e docentes do grupo de Robótica da Universidade do Minho retomam o processo de adaptação de brinquedos de forma a poderem ser usados por crianças com necessidades especiais. A meritória iniciativa contava com a “boa vontade” e “solidariedade” de fabricantes no fornecimento de brinquedos que foi revista em baixa, por assim dizer, obrigando à paragem.
Este ano o grupo de Robótica decidiu retomar a iniciativa pedindo às pessoas brinquedos usados que possam ser adaptados e entregues a instituições. Algumas notas.
Em primeiro lugar deve registar-se a iniciativa dos investigadores da Universidade do Minho na promoção da acessibilidade de crianças com necessidades especiais à utilização de brinquedos.
Parece-me ainda interessante a indisponibilidade dos fabricantes para colaborar. Este universo, o das crianças com necessidades especiais é, evidentemente, um universo com pouca visibilidade pelo que o eventual retorno do investimento em “generosidade” não será certamente atractivo. As “popotices” são bastante mais rentáveis, como é óbvio.
A adaptação de brinquedos para os meninos com necessidades especiais é, evidentemente, uma iniciativa positiva. No entanto, em matéria de brincadeiras e do meu ponto de vista, o mais importante é que os meninos com necessidades especiais tenham oportunidades de brincar com os seus colegas das mesmas idades, com maior ou menor dificuldade de manipulação dos brinquedos. Se o fizerem em conjunto essas dificuldades são minimizadas, juntos, todos ficam mais capazes.
A minha inquietação é que, apesar de algumas boas práticas que se saúdam, em muitos espaços educativos, mesmo os que se reclamam de inclusivos, são curtos os espaços de brincadeira que envolvam TODAS as crianças e verifica-se com alguma frequência a existência de espaços “guetizados” em que brincam juntos os meninos “normais” e brincam juntos os meninos “especiais”, às vezes até em horas diferentes para não “atrapalhar”. Em nome da inclusão, evidentemente.
Aliás, não será certamente por acaso que os brinquedos, depois de adaptados pelo grupo de Robótica, serão entregues a instituições que os distribuirão pelos destinatários.
Com estas considerações não pretendo beliscar o valor da iniciativa dos colegas da Universidade do Minho, antes pelo contrário, registar a sua importância, mas, apenas sublinhar o que tenho vindo a defender insistentemente, a inclusão define-se pela participação nas actividades comuns, essa participação é, também promotora de acessibilidades e capacidades porque … juntos fazemos melhor e mais.

domingo, 14 de dezembro de 2014

A EXAMOCRACIA EM DEBATE

Em França está em discussão uma proposta no sentido de abandonar avaliações escolares de natureza quantitativa, as notas.
Segundo o DN, também em Portugal a reflexão sobre esta questão entrará na agenda dado que o Conselho Nacional de Educação promove um debate sobre a matéria. Parece-me importante a abertura deste debate pois sou dos que entende que “medir muitas vezes a febre não a faz baixar”.
O Presidente do CNE sustenta que no ensino básico a avaliação quantitativa apensa deveria ocorrer nos anos com exame nacional 4º, 6. E 9º sendo nos restantes usados exclusivamente dispositivos de avaliação formativa.
No entanto, parece claro que abolir as avaliações quantitativas iria no sentido oposto ao que em matéria de avaliação informa a actual política educativa que, na verdade, se transformou numa espécie de examocracia, assente na convicção de que a medida sucessiva é base da qualidade e que se tem vindo a traduzir no estabelecimento de exames nacionais cada vez mais frequentes e desde o 1º ciclo.
Para este debate vale a pena recordar que o Relatório da OCDE de 2012 “Reviews of Evaluation and Assessment in Education” relativo a Portugal, citei-o neste espaço referia uma excessiva centração da avaliação na dimensão sumativa. Como muitas vezes tenho referido, não creio que mais exames, só por si, fomentem qualidade, tal como o Relatório da OCDE reconhece.
A qualidade promove-se, é certo, com a avaliação rigorosa e regular das aprendizagens, naturalmente, mas também com a avaliação do trabalho dos professores, com a definição de currículos e metodologias adequadas, com a estruturação de dispositivos de apoio a alunos e professores eficazes e suficientes, com a definição de políticas educativas que sustentem um quadro normativo simples e coerente e modelos adequados de organização e funcionamento das escolas, com a definição de objectivos de curto e médio prazo, etc., aspectos que o Relatório da OCDE também sublinhava.
Parece-me ainda interessante a afirmação também constante no Relatório de se desejar um modelo de ensino centrado no aluno e em que este seja envolvido no planeamento e organização do trabalho. O Professor Nuno Crato vai certamente achar uma ideia muito “eduquesa”, os alunos estão na escola para trabalhar, para aprender e para fazer exames não para esta deriva construtivista de se envolverem no processo de ensino e aprendizagem.
Ainda sobre a avaliação, recordo algumas passagens de opiniões registadas pelo JN de Paulo Santiago, analista chefe da Direção da Educação e das Competências da OCDE, e que participará no debate promovido pelo CNE e a realizar em Janeiro.
“Os exames de 4.º e 6.º ano em Portugal podem ter sido introduzidos demasiado cedo no percurso escolar dos alunos, tendo "potencial penalizante" para agravar o risco de reprovação e de exclusão social”
“... que entre os mais jovens os testes devem ter uma função de diagnóstico, para permitir a orientação dos alunos e a superação de dificuldades, retirando o peso de um exame final, com consequências para o percurso escolar dos alunos”
“a nível europeu apenas existem exames de 4.º ano na Bélgica e na Turquia, Paulo Santiago sublinhou o potencial de exclusão social que estes exames podem ter”
"O que mostra a investigação a nível de educação é que o fator mais importante é a envolvente socioeconómica do aluno: se tem um quarto para estudar, se tem pais que o empurram para estudar, tudo isso vai aparecer na nota do aluno. Se o exame é penalizante, no sentido que conta para a potencial reprovação, a proporção dos que vão reprovar é bastante mais significativa, e o que isso quer dizer é que o exame pode eventualmente ter uma função de exclusão social",
“Até aos 13-14 anos o que é preciso é fazer um diagnóstico sobre a progressão do aluno e refletir sobre os conselhos que se podem dar para que possa melhorar a sua aprendizagem".
De forma um pouco marginal a esta questão mas importante, “Paulo Santiago deixou ainda alertas sobre as escolhas precoces de uma via profissionalizante, sublinhado também o "potencial de penalização" para a carreira e o futuro dos jovens que escolhem este caminho demasiado cedo.
Por uma questão de maturidade dos alunos, a OCDE entende que essa escolhe nunca deve ser feita antes dos 14, 15 anos.”
Julgo de facto que é uma questão a debater com profundidade e sem preconceitos. Não tenho uma posição fundamentalista contra os exames, duvido da sua justificação no 4º ano, mas também tenho a maior das convicções que uma avaliação basicamente centrada em produtos, exames por exemplo, é insuficiente para introduzir mecanismos de correcção eficazes no trabalho de alunos e professores.
Com este objectivo importa recorrer, também, a uma avaliação dirigida aos processos, ou seja, recorrer de forma consistente e aprofundada a dispositivos de avaliação formativa.
Também me parece que o importante debate sobre avaliação deverá envolver outras dimensões como currículos e programas, organização e funcionamento das escolas, designadamente recursos e apoios educativos.

sábado, 13 de dezembro de 2014

DA EXCLUSÃO E DA INCLUSÃO

"Pai surdo gera onda de apoio para legendar programas da Disney"

A imprensa de hoje divulga a iniciativa de um Pai que, sendo surdo se viu impossibilitado de acompanhar a filha na assistência a banda desenhada no Canal Disney por falta de legendagem. O Pai, incomodado com a tristeza da miúda, resolveu apresentar a situação na página de Facebook da Disney Portugal, iniciativa que teve um impacto inesperado, obteve o envolvimento de estruturas oficiais e representativas da comunidade surda e a Disney Portugal veio afirmar que tem o assunto em estudo.
Esta história é apenas mais um exemplo da infindável prova de obstáculos em que se transforma a vida das pessoas com deficiência envolvendo a educação, a segurança social, a saúde ou o acesso ao mercado de trabalho.
No caso particular das pessoas surdas, também os exemplos são variados, falta de intérpretes de Língua Gestual Portugesa nas escolas, a limitação no acesso a serviços ou eventos por barreiras de comunicação, apoios insuficientes na área da segurança social ou da saúde, caso dos implantes cocleares, dificuldades acrescidas no acesso ao mercado de trabalho, boa parte dos conteúdos televisivos para crianças ou adultos inacessíveis por falta de legendagem ou de intérprete, etc., etc.
Este Pai encontrou um eco que nem sequer esperava num exemplo do papel positivo que as redes sociais podem ter no ampliar da voz de gente que, habitualmente, não tem voz, As minorias, por exemplo.
Acontece ainda que esta situação pode reforçar algo que tenho vindo a defender insistentemente, os problemas que afectam as minorias são mais facilmente minimizados com o envolvimento da comunidade não directamente ligada ao problema, o sujeito, a família ou os técnicos. Nesta perpectiva, se a iniciativa deste Pai obtiver os apoios dos cidadãos em geral e não apenas dos cidadãos surdos, das suas famílias e dos técnicos ou associações representativas, a probabilidade de promover alterações é bem maior.
Dito de outra maneira, se os problemas que afectam a comunidade surda, por exemplo, forem sentidos como problemas nossos e não de uma minoria sem voz serão mais facilmente acomodados, 
Sendo certo que se o nível de desenvolvimento das comunidades também se afere pela forma como lida com as minorias, é também fundamental que as minorias minimizem uma dimensão de "discursos para dentro" e proactivamente promovam o envolvimento de todos.
Não querendo ser mal interpretado, posso referir que quando sou solicitado a intervir em inicativas no universo das pessoas com necessidades especiais, mais novos ou mais crescidos, e procuro saber quem compõe a assitência verifico sem surpresa que quase sempre apenas estão os próprios sujeitos (quando adultos), familiares, professores, técnicos ou pessoas com funções sociais na área..
Fica tudo mais difícil, precisamos de assumir e agir com o entendimento de que o problema de cada miúdo, de cada pessoa, seja ele qual for, é um problema da comunidade.
Ponto.

MIÚDOS EM SOFRIMENTO, ADULTOS EM SOFRIMENTO

"Está a chegar a altura do ano em que a subcomissária Aurora ameaça cortar crianças ao meio, à catanada"


No Público encontra-se um trabalho sobre as crianças, os tratos que sofrem e as consequências para as crianças do desentendimento de pais separados, em particular na época natalícia que se avizinha e que tradicionalmente assenta em reuniões familiares. Deixando de lado a tragédia dos maus tratos, algumas notas relativas à separação dos pais e aos seus efeitos.
Apesar de em algumas separações conjugais as pessoas continuarem a viver em conjunto por dificuldades económicas, os estudos na área da sociologia familiar têm vindo a evidenciar um aumento do número de divórcios, relativizado ao número de casamentos, que parece ligado, entre outras razões, a alterações na percepção social da separação, menos “punitiva” e “culpabilizante” para os envolvidos. Estará a criar-se assim uma situação mais favorável, até do ponto de vista legal, à facilidade do processo de divórcio o que poderá levar a decisões, cuja bondade não avalio, que podem ser apressadas, por decisão não assumida por ambos e não antecipando a necessidade de minimizar eventuais impactos, sobretudo quando existem filhos como é o caso que motiva estas notas.
Neste quadro, podem emergir nos adultos, ou num deles, situações de sofrimento, dor e/ou raiva, que “exigem” reparação e ajuda. Muitos pais lidam sós com estes sentimentos pelo que os filhos surgem frequentemente como o “tudo o que ficou” ou o que “não posso, não quero e tenho medo de também perder”. Poderemos assistir então a comportamentos de diabolização da figura do outro progenitor, manipulação das crianças tentando comprá-las (o seu afecto), ou, mais pesado, a utilização dos filhos como forma de agredir o outro o que torna necessária a intervenção reguladora de estruturas ou serviços que se deseja oportuna no tempo e eficaz na ajuda. São por demais conhecidas situações desta natureza, muitas envolvendo figuras públicas que são objecto de larga e excessiva cobertura mediática, que se desenvolvem de forma a inibir possibilidade retorno e minimização de consequências.
É obviamente imprescindível proteger o bem-estar das crianças, o superior interesse da criança, o princípio fundador do olhar actual sobre crianças e jovens mas não devemos esquecer que, em muitos casos, existem também adultos em enorme sofrimento e que a sua eventual condenação, sem mais, não será seguramente a melhor forma de os ajudar. 
Ajudando-os, os miúdos serão ajudados e protegidos. Também aqui a imprensa deveria sentir-se obrigada a não esquecer o superior interesse da criança. já que os pais, em sofrimento por demasiados centrados em si mesmos, perdem lucidez para o fazer.
Quero ainda sublinhar que, por princípio, prefiro uma boa separação a uma má família.

TPCs, umas notas no Público

Umas notas minhas no Público sobre os TPCs, uma questão sempre em aberto para professores e pais.
"Os TPCs clássicos têm ainda o problema de colocar com frequência os pais em situações embaraçosas, querem ajudar os filhos mas não possuem habilitações para tal. A propósito, numa reunião de pais em que participava e se discutia esta questão, dizia uma mãe, “o senhor, da maneira que fala, se calhar é capaz de ajudar o seu filho, mas na minha casa, chora a minha filha e choro eu, ela porque quer ajuda, eu porque não sou capaz de lha dar.” Colocar os pais nesta posição parece-me inaceitável."

"Não sei fazer os TPCs, a minha mãe também não e o meu pai não está"

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

OS SERVIÇOS MÍNIMOS DO MEC

"Colégio arbitral chumba serviços mínimos pedidos pelo MEC"

O colégio arbitral chumbou a pretensão do MEC de estabelecer serviços mínimos face à greve decretada pelos sindicatos dos professores para o dia da realização da sinistra PACC.
Também a PEC - Política Educativa em Curso não tem cumprido em muitas dimensões os serviços mínimos exigidos, a insistência na realização de uma Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades nos termos e conteúdos já praticados é um bom exemplo.
A sinistra PACC não cumpre os serviços mínimos requeridos no que respeita à qualidade e forma de avaliar conhecimentos e capacidades para se ser professor.
Deve ser chumbada.

TAP A VOAR BAIXINHO

"Passos avisa: solução para a TAP é privatização ou despedimento colectivo"

A TAP a voar baixinho para outras paragens.
Será, certamente, mais um bom negócio, estrangeiro, como é óbvio.
Tudo o que era público e rentável, se bem gerido, vai sendo vendido proporcionando excelentes negócios a desinteressados e generosos investidores.
A Terra ... vai indo.
O Mar ... vai indo.
Deixem-nos o Sol ... se fazem favor.

DA MUNICIPALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO

Ao que se lê no Diário Económico, as autarquias que integram o projecto piloto da chamada municipalização da educação recusam liminarmente assumir a gestão de professores. Ameaçam abandonar o projecto se o Governo não aceitar esta posição.
A passagem da gestão dos professores para as autarquias é uma peça chave do projecto do Governo em cujos objectivos se integra a redução, mais uma vez, do  número de docentes. Como é sabido, de acordo com a proposta do MEC, as autarquias que mais reduzirem o número professores  a partir do número considerado necessário terão incentivos financeiros. Dito de outra maneira, o número de professores necessário é avaliad em função da demografia e tipologia escolas do concelho mas se as autarquias cortarem professores necessários são premiadas com mais uns euros sob a capa  de um "factor de eficiência" um dos enunciados chave do "economês". Demasiado mau.
Veremos a reacção do MEC.
Como tenho dito existe o enorme equívoco criado intencionalmente pelo MEC de confundir autonomia das escolas e agrupamentos com a municipalização que, aliás, nem sequer é uma experiência bem sucedida noutras paragens dado no qual conviria reflectir. Como é evidente para promover a imprescindível autonomia das escolas não é necessário esta "municipalização".
A agenda é de outra natureza.