Está mais um dia cabaneiro aqui no Alentejo, chuva ininterrupta, a terra a não receber mais água e muito vento. Estamos assim há já algumas semanas.
Na vila, onde as compras ainda
incluem uma conversa com as pessoas, comentava-se, não podia deixar
de ser, a água e a ventaneira. Invariavelmente as pessoas concluíam, que venha,
assim vamos tê-la no Verão e as barragens e nascentes agradecem. É verdade, as
que estão aqui no Monte têm um caudal pouco habitual.
A terra não deixa que se ande de
posse dela. Queríamos semear mais umas ervilhas e favas, mas não dá. Ontem
ainda consegui plantar uma ginjeira. Não deu para mais.
Agora, aqui em frente ao lume
leio que se verificam já alguns episódios de cheias em alguns dos nossos rios.
As cheias eram normais, por assim dizer, apesar de grandes prejuízos e de
tragédias acontecidas em circunstâncias extremas.
A verdade é que asneiras feitas
por nós acentuaram em muitas zonas os potenciais riscos de chuvas mais fortes.
As pessoas do Ribatejo sabem como
as cheias eram importantes para a qualidade dos solos e conviviam naturalmente
com a subida do Tejo, a cheia normal, por assim dizer. No fundo, é a mesma
naturalidade com que as pessoas das Beiras e de Trás-os-Montes não se queixam
do frio e afirmam a sua necessidade nas patéticas reportagens que as televisões
fazem logo que a temperatura baixa um pouco mais como estão agora. Como é
evidente, também podem ocorrer episódios mais violentos que trazem prejuízos e
danos, às vezes pessoais, o que é naturalmente grave.
Em todo o caso, estamos no
Inverno. Será que nos desabituámos de viver um Inverno?
A nascente por baixo da
nespereira que só corre em anos de muita chuva.
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