Mais umas notas da série “mete-me espécie”, um enunciado que nos é caro e está sempre em alta.
Desta vez mete-me espécie que nos tempos que correm e que se
adivinham, um grupo de docentes universitários tenham publicado uma peça, “Por um ensino superior humanizado”, que é um manifesto contra o uso da “inteligência”
artificial generativa.
No entendimento destes docentes o recurso IA generativa está
a formar “cretinos digitais”. Também entendem que as instituições de ensino
superior não conseguem identificar práticas académicas fraudulentas e,
portanto, que se proíba a IA Generativa.
Apesar de aposentado continuo a sentir a pertença ao
universo do ensino universitário e, com desgosto, lembrei-me de Sá de Miranda,
"M'espanto às vezes, outras m'avergonho".
Na verdade, não consigo entender como a universidade pode
prescindir da utilização de uma ferramenta com a presença e o potencial que
revela em múltiplas dimensões da nossa vida em sociedade que dispensa
referências. Por outro lado, recordo que as universidades, o ensino superior, é
composto por estruturas de formação e investigação que, naturalmente, inclui a
IA Generativa. Como é que se entende que, se investiga a IA Generativa, mas não
se pode usar a IA Generativa. Faz sentido? Não.
Parece claro que a IA Generativa coloca desafios sérios e
difíceis, mas não é proibindo ou fugindo que se enfrentam esses desafios. À
universidade exige-se, justamente, um trajecto proactivo de investigação e
produção científica face aos desafios do desenvolvimento e não enterrar a
cabeça na areia à espera … nem sei bem de quê. Ainda me lembro de quando há cerca de 50 anos frequentava o ensino superior na área da psicologia se entender que "inteligência é adaptação". Ainda assim é.
Como muito bem escreveu Luís Aguiar-Conraria no Expresso, “Em
vez de proibirmos a IA, devíamos ter uma disciplina obrigatória e transversal a
todos os cursos sobre o seu uso ético e responsável".
Ainda sobre esta inusitada iniciativa mais algumas reacções que merecem leitura. “Mas proibir o quê? Resposta ao manifesto pela proibição de IA no ensino superior” de Nelson Zagalo no Público, “Proibir não é educar!” de Elvira Fortunato ou a posição expressa pelo Presidente do Conselho de Reitores.
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