segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

DA SÉRIE "METE-ME ESPÉCIE"

Mais umas notas da série “mete-me espécie”, um enunciado que nos é caro e está sempre em alta.

Desta vez mete-me espécie que nos tempos que correm e que se adivinham, um grupo de docentes universitários tenham publicado uma peça, “Por um ensino superior humanizado”, que é um manifesto contra o uso da “inteligência” artificial generativa.

No entendimento destes docentes o recurso IA generativa está a formar “cretinos digitais”. Também entendem que as instituições de ensino superior não conseguem identificar práticas académicas fraudulentas e, portanto, que se proíba a IA Generativa.

Apesar de aposentado continuo a sentir a pertença ao universo do ensino universitário e, com desgosto, lembrei-me de Sá de Miranda, "M'espanto às vezes, outras m'avergonho".

Na verdade, não consigo entender como a universidade pode prescindir da utilização de uma ferramenta com a presença e o potencial que revela em múltiplas dimensões da nossa vida em sociedade que dispensa referências. Por outro lado, recordo que as universidades, o ensino superior, é composto por estruturas de formação e investigação que, naturalmente, inclui a IA Generativa. Como é que se entende que, se investiga a IA Generativa, mas não se pode usar a IA Generativa. Faz sentido? Não.

Parece claro que a IA Generativa coloca desafios sérios e difíceis, mas não é proibindo ou fugindo que se enfrentam esses desafios. À universidade exige-se, justamente, um trajecto proactivo de investigação e produção científica face aos desafios do desenvolvimento e não enterrar a cabeça na areia à espera … nem sei bem de quê. Ainda me lembro de quando há cerca de 50 anos frequentava o ensino superior na área da psicologia se entender que "inteligência é adaptação". Ainda assim é.

Como muito bem escreveu Luís Aguiar-Conraria no Expresso, “Em vez de proibirmos a IA, devíamos ter uma disciplina obrigatória e transversal a todos os cursos sobre o seu uso ético e responsável".

Ainda sobre esta inusitada iniciativa mais algumas reacções que merecem leitura.  “Mas proibir o quê?  Resposta ao manifesto pela proibição de IA no ensino superior” de Nelson Zagalo no Público, “Proibir não é educar!” de Elvira Fortunato ou a posição expressa pelo Presidente do Conselho de Reitores.

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