Merece leitura atenta o texto de Paulo Prudêncio na Público, “Foi fatal proletarizar os professores”.
O contexto actual do sistema educativo
traduz a falência de múltiplas dimensões das políticas de educação (e não só) das
últimas décadas.
Como também muitas vezes aqui
abordei, há décadas que a falta de docentes estava escrita nas estrelas e
sucessivas equipas ministeriais, para além de más políticas públicas que
afastaram milhares de professores das escolas negavam a evidência, ouvia-se o
mantra dos “professores a mais”. Maria de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato foram
dois exemplos de incompetência e irresponsabilidade nesta matéria e nem um
rasgo de seriedade no assumir do que é óbvio, falharam. Continuam serenos e de
consciência tranquila, provavelmente, também com uma outra percepção, está na
moda, do que é consciência tranquila.
O resultado está à vista, o
atropelo a um direito fundamental, o direito à educação, e o desempenho escolar
de muitos alunos prejudicado pela falta de docentes.
Apesar de algumas iniciativas
recentes na tentativa de em muito curto prazo minimizar os problemas só uma
abordagem estrutural pode ter potencial de mudança sustentada.
Nesta perspectiva, julgo
absolutamente necessário que as políticas públicas de educação assumissem como
um eixo nuclear a valorização da carreira docente, valorização dos professores.
É claro que mudanças estruturais
têm custos pelo que será de considerar a necessidade de investimento sério em
educação, 6% do Produto Interno Bruto o que está definido pela UNESCO como meta
para 2030.
Considerando o que acontece em
muitos territórios educativos talvez seja de começar a olhar (reflectir) sobre
o modelo de governança das escolas e agrupamentos que parece excessivamente
dependente da competência de cada direcção criando assimetrias profissionais e
climas institucionais menos favoráveis ao trabalho de alunos, professores e
técnicos.
Julgo claro que mudanças neste
sentido não são fáceis e que será sempre difícil um caminho de concordância
generalizado, mas também tenho a convicção de que medidas conjunturais, mais
positivas ou menos ajustadas, concebidas por ciclos políticos continuarão,
apesar, de alguns ajustamentos, a “mexer” na conjuntura e a não alterar
substantivamente a estrutura que alimenta … as conjunturas.
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