terça-feira, 17 de março de 2026

NADA DE NOVO, LAMENTAVELMENTE

 Como é sabido e reconhecido, as políticas públicas de educação dos últimos anos são fortemente responsáveis pela dramática situação de milhares de alunos sem professor a todas as disciplinas.

Muitas vezes aqui tenho abordado esta questão, mas hoje e a propósito de uma peça no DN retomo a questão.

Nos anos com exames, 9.º, 11.º e 12.º, os alunos que não tiveram aulas das disciplinas sujeitas a exame irão prestar provas em situação de manifesta desigualdade.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, sugere “uma das soluções poderia ser os exames terem uma ponderação diferente na classificação final de cada disciplina”. Deveria ser avaliado em cada escola o número de alunos afectados e as disciplinas em que não tiveram aulas o que é um apuramento “fácil a nível administrativo” e considerar a ponderação diferente.

Por outro lado, a Missão Escola Pública (um movimento de professores) sugere de forma mais acertada a necessidade de compensar as aulas em falta podendo recorrer-se  a um ajustamento no calendário escolar permitindo as aulas de compensação.

Mais estranho neste cenário é demonstração de incapacidade e incompetência do MECI que desde o ano passado promete divulgar o número de alunos sem docente e a que disciplinas e ainda não foi capaz de o fazer.

Segundo a Fenprof, em Janeiro teríamos mais de 158 mil alunos sem professor a todas as disciplinas mais 28,4% que em Janeiro do ano passado em que se contabilizavam cerca de 123 mil alunos nesta situação.

Parece claro que, seja qual for resposta que possa ainda ser definida, estes alunos têm o direito à educação fortemente comprometido com consequência sérias no seu trajecto escolar e com custos acrescido, insuportáveis para muitas famílias, com dispositivos de compensação como explicações.

Sem estranheza não haverá certamente qualquer assumir de responsabilidades pelas figuras que foram passando pelo Ministério da Educação.

Nada de novo, lamentavelmente.

Sem comentários: