segunda-feira, 23 de março de 2026

ISSO DAS ARTES SERVE PARA QUÊ?

Nas últimas semanas têm sido frequentes as referências às dificuldades muito significativas que os estabelecimentos de ensino artístico especializado atravessam.

O ensino artístico especializado é assegurado maioritariamente por escolas privadas, 95%, existindo apenas sete estabelecimentos públicos.

Parece claro que nesta situação, a oferta privada cumpre um serviço público que, mais uma vez, é esquecido pelas políticas públicas de educação.

Lamentavelmente, também não é surpresa. Por cá e por fora temos vindo a assistir a um movimento de subvalorização do ensino artístico e mesmo de uma forma mais alargada e, por isso, mais grave, a uma subvalorização das ciências sociais, as humanidades e as artes.

Este movimento é particularmente grave no ensino superior, na formação e na investigação, no desinvestimento em recursos humanos e económicos e, não podia deixar de ser reflecte-se também no ensino básico e secundário.

Verifica-se, de facto, uma sobrevalorização das áreas STEM que incluem Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (Science, Technology, Engineering, Mathematics) que dominam o investimento e alimenta-se os discursos denegrindo o contributo essencial das ciências sociais, das artes e das humanidades para o desenvolvimento global das comunidades.

Os tempos que vivemos vão negros.

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