Peço desculpa, mas é inevitável, hoje e sempre. Não é possível deixar de recordar um Homem Bom que já partiu há muito. Partiu demasiado cedo, mas nos vinte anos em que convivemos mostrou-me o que nunca viu e levou-me aonde nunca foi.
Um dia destes haveremos de acabar
todas as conversas que não acabámos.
Um dia destes haveremos de
começar todas as conversas que não iniciámos.
Vou contar-te tanta coisa que
aconteceu e acontece que vais gostar de saber. Deixa-me só recordar, já te
tinha dito, que tens dois bisnetos que são uma bênção mágica. Não te rias, ao
Simão e ao Tomás contei histórias como a do Arranja Moinhos, todos os dias
inventadas, como tu me contavas. E mais engraçado, o Simão já inventa histórias
do Arranja Moinhos para eu e o Tomás ouvirmos, havias de gostar. Não vais
perceber a comparação, mas um dia explico-te, eles acham que o Arranja Moinhos
é como os heróis da banda desenhada, resolvem todos os problemas. E como
estamos precisados de quem contribua para soluções e não para problemas.
É que na verdade também se vão
passando tantas outras coisas de que não gostarias, coisas muito feias e gente
muito feia a fazer o que não deve, mas são assim as coisas do mundo. Partiste
numa altura em que acreditávamos que, finalmente, tudo seria melhor, tudo seria
possível, e tudo seria melhor e possível para todos.
Vamos acreditar que o mundo
ganhará novas qualidades terá um lugar onde os teus bisnetos e meus tenho
tenham um tempo e um modo para serem felizes.
Até um dia destes, Pai.
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