Desde miúdo que as motas são uma paixão. Os olhos fixavam-se numa mota e muito pouco numa qualquer “bomba” de quatro rodas e o sonho aparecia. Logo que a vida possibilitou comecei numa Casal Boss de 50 CC na qual atravessava o Tejo no barco, passei por uma Casal de 125 cc uma Vespa 125 (não era uma mota, era uma atitude), uma Honda Transalp, a de que mais gostei e já depois dos 70 continuo a dar uma voltinha semanal com a minha companheira de há 26 anos, a CB 500.
Aproveitei o dia solarengo que
tem rareado e fiz-me à estrada. Assim sabe bem, mas lembrei-me dos dias de
chuva e de vento que faziam da passagem da Ponte 25 de Abril uma aventura na
qual apanhei alguns sustos. Valia que de Lisboa para cá, o lado pior quando há
vento, tínhamos a cumplicidade dos motoristas (alguns) dos autocarros que nos
serviam de “pára vento” durante a travessia. Assim foi durante mais de 50 anos.
Passei por alguns sustos e quedas, felizmente sem grandes problemas. Como costumamos dizer, existem dois tipos de motociclistas, os que já caíram e os que vão cair. O equipamento foi-se sofisticando. Ainda me lembro de começar por usar fatos de oleado das obras para andar com chuva.
Agora trata-se de um passeio e de
uma prova de vida, ainda ando de moto e gozo como no início.
Na volta de hoje aconteceu-me algo
que pensava já ter desaparecido, já não via há muito. Cruzei-me com um outro
motociclista e fez-me a velha saudação com os dedos em V.
Na verdade, há umas décadas era
quase que “obrigatório” que esse cumprimento se realizasse entre a gente das
motas. Eu sei que o “mundo é composto de mudança” e também sei sem que sendo
certo que se conhecem novas qualidades também se perdem algumas. Hoje assusto-me
de vez em quando com a forma como, frequentemente, vejo as motas a serem
usadas.
A volta de hoje ainda me soube
melhor. Enquanto puder a paixão pelas motas continuará … até um dia.
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