sábado, 25 de junho de 2016

O ENSINO PRIVADO É MELHOR QUE O ENSINO PÚBLICO. A SÉRIO?!

Na próxima semana, no âmbito do Projecto Fórum aQeduto, será apresentado no CNE o estudo ‘Público ou privado: há um modelo perfeito?’ realizado pelo CNE e pela Fundação Manuel Francisco dos Santos.
Não conheço o trabalho, não o encontrei na página do CNE, não poderei participar no Fórum, mas fica uma e uma dúvida com base no que é divulgado no Público.
O estudo compara resultados do Pisa 2012 obtidos por alunos das escolas públicas, dos estabelecimentos privados com financiamento do estado e estabelecimentos privados sem financiamento.
Em síntese, os alunos dos estabelecimentos privados sem financiamento obtêm resultados superiores aos dos outros dois grupos e os alunos dos estabelecimentos com financiamento apresentam resultados muito ligeiramente acima dos alunos das escolas públicas, diferença que, aliás, não me parece ser estatisticamente significativa. 
Ao que parece, insisto que não li o trabalho, o CNE conclui que, quanto aos estabelecimentos privados sem financiamento os resultados melhores decorrem do facto de servirem uma “elite” e verifica que existe uma “tendência generalizada para que as escolas privadas com financiamento do Estado tenham resultados acima dos da escola pública, apesar de operarem em meios sociais similares”.
O estudo parece, assim, vir ao encontro das teses de que o ensino privado financiado é melhor que o público mesmo quando serve a mesma população. Esta conclusão vem mesmo na hora e será, evidentemente, coincidência. Mas será que pode ser retirada esta conclusão? O Público deveria ser mais cauteloso no título que dá à notícia.
Na verdade, para além do significado estatístico da diferença, surge-me uma pequena dúvida que só a leitura do estudo poderá esclarecer. Ou não.
O facto de um estabelecimento de ensino privado receber alunos com diversidade nas características sociodemográficas e constituir turmas financiadas não elimina que tenha outras turmas com alunos de meios mais “favorecidos”, por assim dizer. Seria, portanto, interessante conhecer a caracterização sociodemográfica de toda a população destes estabelecimentos que nunca é pública contrariamente ao que acontece com as escolas públicas em que esta informação é divulgada.
É esta a sina de boa parte dos estudos, dizem tudo o que queremos que digam ou o que já sabemos. Aguardo a sua divulgação.

1 comentário:

Rita disse...

O estudo encontra-se publicado aqui. http://www.aqeduto.pt/foruns-aqeduto/q7-estudo/
O título foi uma "liberdade de interpretação" por parte da jornalista, sendo que a diferença que separa público e privado é de 2 pontos em mil. (517 vs 519).