quarta-feira, 24 de outubro de 2007

PLANO NACIONAL DE LEITURA

Um dia de terça-feira sempre muito comprido, dificulta o contacto com este espaço e impediu-me de ter oportunamente sublinhado alguns resultados positivos que o Plano Nacional de Leitura parece evidenciar, pese algumas dificuldades referidas por escolas envolvidas no processo de avaliação realizado pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE.

Entre os aspectos encorajadores dos estudos recentes sobre hábitos de leitura, é importante registar que os alunos de 5º e 6º anos , 10 – 12 anos de idade, parecem ser os leitores mais entusiasmados o que será um bom prognóstico sobre o incremento de hábitos de leitura, minimizando um outro indicador segundo o qual 97.5% dos portugueses destina a “ver televisão” os seus tempos livres.

É também importante tentar contrariar uma tendência evidenciada no sentido de, ao longo da escolaridade, se verificar um abaixamento nos hábitos de leitura exceptuando os alunos que pretendem continuar a estudar. Este facto sugere algo de natural, a ligação entre a qualificação e a leitura, e reforça a importância de contrariar fenómenos de abandono e insucesso escolar.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

MINORIAS E DESENVOLVIMENTO


As conclusões do 9º Congresso Nacional de Deficientes apontam para a situação complicada em que muitas pessoas com deficiência (sobre)vivem. Sublinham as políticas ineficazes e desatentas de sucessivos governos e identificam a Saúde, Emprego e Reabilitação, Acessibilidades e Barreiras e ainda a Educação como as áreas de maiores dificuldades e em que mais frequentemente os deficientes se sentem discriminados.
Há muito tempo que entendo, como muitas outras pessoas, que um dos bons indicadores de desenvolvimento de uma comunidade, é a forma como cuida das suas minorias. Logo, o caminho é longo, não é fácil, mas torna-se necessária vontade política e uma mais sólida cultura de solidariedade e exigência.

domingo, 21 de outubro de 2007

O MEU PAI NÃO BRINCA COMIGO

O Expresso noticia de forma discreta, como o tema justifica, que, de acordo com um estudo internacional apresentado este sábado em Lisboa, as crianças portuguesas são as que brincam menos tempo com os pais, isto é, 6% das crianças afirmam brincar diariamente com os pais enquanto nos outros oito países temos cerca de 20%. De forma coerente, também se constatou que o tempo destinado a ver TV pelas crianças portuguesas é cerca do dobro do que se verifica nos outros países.
Estou a lembrar-me de uma velha estorinha que já aqui citei.
- Pai…
- Sim.
- Pai… Quanto ganhas por uma hora de trabalho?
- Que pergunta!
- Responde.
- Cerca de 30 €.
(algum tempo depois)
- Pai…
- Sim.
- Tenho aqui 30 € que juntei. Podes vir brincar comigo uma hora?
Mais do que constatar o que já sabemos, importa que possamos perceber como, no mundo actual, real e não ideal, podemos ter gente mais disponível para os filhos, e filhos menos dependentes de ecrã para estarem acompanhados.

PS – Nesta perspectiva foi comovente ver o Dr. Menezes acompanhado por um dos filhos a visitar o Bairro da Cova da Moura e justificar a presença do gaiato pelo facto de, trabalhando tantos dias a forma de estar com os filhos é trazê-los para o trabalho. Notável.

JOSÉ MANUEL FERNANDES E O DIREITO AO DISPARATE

José Manuel Fernandes, director do Público conhecido pela sua capacidade de opinar sobre tudo (e por isso um dos mais ilustres tudólogos da praça) deu hoje um passo de gigante na aproximação que tem vindo a fazer ao universo mais conservador da opinião publicada em Portugal. O tudólogo JM Fernandes, em Editorial a propósito das afirmações do Nobel da Medicina James Watson (de que ele próprio já se retratou) sobre a inferioridade intelectual dos negros, afirma que as reacções negativas que se desencadearam, cancelamento de conferências por exemplo, configuram um delito de opinião e logo um excesso inaceitável.
Existe um equívoco neste discurso do tudólogo JM Fernandes. Quando alguém entrevista um Nobel da Medicina, precursor dos estudos sobre o ADN não se espera uma “opinião” sobre a eventual superioridade genética dos brancos, espera-se que o seu conhecimento (saber) ajude a compreender as matérias em discussão. Opinião tem o tudólogo JM Fernandes quando fala sobre o que manifestamente não sabe, o que aliás acontece com frequência. É de notar que o próprio Watson em declarações posteriores reconhece que o estado actual dos CONHECIMENTOS (e não das opiniões) não permite sustentar as afirmações que ele próprio subscrevera. No entanto, como vai sendo hábito em Portugal, os medíocres são sempre mais papistas que o papa. Num aspecto concordo com o tudólogo JM Fernandes, não podemos abdicar do direito ao disparate.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

O GOVERNO E A RUA


Nenhum Governo pode ou deve governar a pensar exclusivamente na rua. Mas também nenhum governo pode ter a arrogância de esquecer a rua. 200 000 pessoas numa manifestação a 18 de Outubro de 2007, um dia útil, é muita rua.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

JORNALISMO DE SARJETA E "BOA IMPRENSA"

Há algum tempo atrás, o Ministro Santos Silva inflamou a opinião publicada ao referir-se a um “jornalismo de sarjeta”. Hoje relembrei a expressão ao deparar com a primeira página do “24 Horas” que rezava “Eusébio apanhado com uma mulher pela polícia”. Não entendo como isto pode ser uma “notícia” e, portanto, susceptível de publicação e muito menos entendo a chamada à primeira página. No entanto, o que mais me incomoda e entristece, é acreditar que alguém comprará o jornal atraído por aquela “notícia”.
Outra situação interessante é o facto de o DN referir, também em primeira página e de forma destacada, a publicação na próxima semana de um novo livro de Miguel Sousa Tavares enquanto no mesmo dia e de forma discretíssima se informava que foi atribuído a Gonçalo M. Tavares o mais importante prémio literário brasileiro pelo seu romance “Jerusalém”. Como se percebe, há Tavares e Tavares. Na gíria da comunicação social chama-se a isto ter “boa imprensa”. Não é intelectualmente sério.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

POBREZA E ESPERANÇA

(Foto de Francisco Garrett)
Na agenda das consciências assinala-se hoje o Dia Mundial de Erradicação da Pobreza. No que respeita a Portugal, cerca de 2,1 milhões de portugueses, 19% da população, vivem em situação de pobreza. Destes, 740 000 vivem com menos de 240 €, sublinho 240 €, por mês. Por coincidência é também divulgado que, entre 2008 e 2013, no âmbito do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), Portugal receberá cerca de 9,8 milhões de euros por dia. Seria interessante que alguém pudesse explicar ao João e à Maria, dois daqueles 740 000 que têm menos de 240 € por mês, que a vida deles pode mudar. O problema é que eu acho que eles não vão acreditar.

ESTOU COMOVIDO

Hoje algumas notícias deixaram-me comovido e com a sensação renovada de que vale a pena viver. Vejam.
Uma cidade alentejana, Beja, um conhecidíssimo bastião dos ideais monárquicos, recebeu com pompa, circunstância e afecto Suas Altezas Reais os Príncipes das Astúrias. Vieram premiar o Alqueva, uma conhecida central de rega e pólo de desenvolvimento turístico. É muito bonito e afasta a velha e xenófoba ideia de que “de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento”.
O Ministro das Finanças afirma solenemente que “não podemos reprimir salarialmente os funcionários”(!!). Os funcionários ficaram bem mais descansados com esta declaração e convencidos de que o que lhes tem acontecido nos últimos anos, se deve a gralha, mais uma, do Ministério das Finanças.
A atitude do BCP de perdoar dívidas de vários milhões de euros ao filho de Jardim Gonçalves, só pode ser entendida como uma nobre e já pouco vista preocupação de poupar a um velho pai o desgosto com algumas diabruras e excessos próprias da juventude do seu gaiato. Lindo.
A U.E. comprometeu-se a aumentar a ajuda ao Comércio Internacional privilegiando os países de África, Caraíbas e Pacífico. Os governantes de muitos destes países já estarão a pensar onde vão guardar a “ajuda” e os seus povos nem saberão que ela existe. Mas é uma atitude solidária e desinteressada que só enobrece a U.E.
O Dr. Vítor Santos responsável pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, ERSE, disse-nos que os aumentos da tarifa de electricidade não serão superiores a “duas bicas” para a maioria das famílias. O povo ainda não sabe como agradecer tamanha generosidade.
Vejam lá se não tenho razão para pensar que foi um daqueles dias que valeu a pena.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

É MAIS UM ILUMINADO, O DR. MENEZES

Estou entusiasmado. O Dr. Catavento Menezes afirma que “há muitos portugueses a precisar de um farol que lhes indique o caminho”. O homem não se enxerga. Ouve a conhecida fórmula “iluminai-nos Senhor” e pensa que é com ele. Olhe que aquilo a que gosta de chamar “as bases” e que o Dr. Barroso tratava por "Zé", já não está à espera de um D. Sebastião ou de um Messias salvador da pátria e pastor de um rebanho tresmalhado. O pessoal está farto de iluminados a querer dar luz que, na maior parte das vezes, é baça.
O menino guerreiro, o Dr. Santana Lopes, agora retirado da vida artística e mais dado ao trabalho, diz no DN que não teve culpa de suceder a Barroso. Pois não. Fomos nós que desejámos e nos batemos em eleições para colocar esta surreal figura como Primeiro-ministro esperando alguma coisa de útil e não dirigida ao seu enorme umbigo. Mas ele já está aí pronto para, numa estreitíssima, sincera e desinteressada colaboração com o Dr. Menezes o substituir na primeira curva da estrada. Sem surpresas. É tudo farinha do mesmo saco.

domingo, 14 de outubro de 2007

NOTAS DO PORTUGAL DOS PEQUENINOS

A leitura da imprensa, como sempre, fez-me saber coisas no mínimo interessantes sobre o Portugal dos pequeninos.
O Congresso do PSD foi a construção da unidade e coesão em torno do novo líder e dos políticos de enorme qualidade (atenção ASAE) que se acotovelam para um lugarzinho. Esta unidade e coesão parecem bem traduzidas no facto de o Dr. Menezes ter conseguido eleger apenas um terço dos elementos do Conselho Nacional, órgão máximo do partido.
A Dra. Catalina Pestana diz ter uma lista de alegados abusadores de crianças e jovens que será divulgada daqui a 25 anos (!!). Já ouviram falar numa figura chamada “supremo interesse da criança”?
A extinção da Direcção Geral de Viação parece ter levado à paragem de milhares de processos de infracção correndo-se o risco de prescrição de uma boa parte deles. A cidadania agradece o sinal que a rapidez e eficácia da justiça transmitem.
O Correio da Manhã informa em capa que Mourinho, o “special one”, saiu de casa. Fiquei naturalmente preocupado e a torcer para que tudo se recomponha e não tenhamos mais um lar desfeito. Desta vez o menino guerreiro, o Dr. Santana Lopes, parece que não saiu da capa do CM substituído por uma notícia que tanto interessa aos portugueses.
O Orçamento Geral de Estado foi entregue com uma gralha já assumida pelo Ministério das Finanças. Ao que se ouve parece que existem mais. Veremos.
O BCP parece que terá perdoado dívidas de alguns milhões de euros a um cliente insolvente, por acaso, filho do Eng. Jardim Gonçalves. O moço diz que o facto de se chamar Jardim Gonçalves o tem prejudicado. Ele há coisas fantásticas.
Por falar em fantástico, fiquei deveras impressionado com os números do último concerto da digressão do grande Tony Carreira realizado em Gondomar. Parece que, como é hábito, até milagres se realizaram do tipo “eu dantes tava deprimida e só d’o ouvir fico logo boa”. Os pastorinhos que se cuidem.

O PORCO PRETO DE "AVIÁRIO"

Notícias do meu Alentejo. A chuva que já apareceu ajuda a pintar de verde a terra. Isto quer dizer que chegou a altura de a começar a fabricar. Mas devo dizer-vos que umas horas em cima do tractor só se aguentam com os olhos cheios daquela luz, com o cheiro da terra mexida e com a companhia da colónia de carraceiros (garças-boieiras) que sempre seguem o tractor catando a bicharada.
Entretanto, um amigo do meu Alentejo esclareceu-me sobre um mistério que não percebia. Estando na moda a criação de porco preto em herdades alentejanas em parceria com os espanhóis, fazia-me um bocado de confusão ver os porcos em engorda intensiva com rações e farinhas fornecidas de Espanha e depois serem lá transformados criando, entre outros produtos, o famoso Pata Negra. O consumidor compra, assim, porco que acredita ser de montado mas, de facto, é criado em “porcário” não desconfiando que as azinheiras não dão bolota todo o ano, mas que as fábricas fornecem farinhas todos os dias. A questão é que o licenciamento para a criação de porcos, pressupõe a existência de uma área compatível com o número e necessidades de mobilidade dos animais, área de montado, e ninguém controla se eles estão fechados às centenas em espaços mínimos e em engorda intensiva. Atenção ao que compram como sendo Pata Negra de porco ibérico de montado.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

O CATAVENTISMO DA ZITA E O MILAGRE DOS PASTORINHOS

A agenda de hoje suscita-me dois comentários a partir de duas situações bem diferentes. Em primeiro lugar e de acordo com alguma imprensa, Zita Seabra parece reunir condições e estar na corrida para a liderança da bancada parlamentar do PSD. É-me relativamente indiferente a decisão que, nesta matéria, o Dr. Menezes venha a tomar embora simpatize com a ideia de ver o menino guerreiro, o Dr.Santana, com as suas competências de malabarista e animador humorístico nos debates com o Engenheiro do marketing. No entanto, este trajecto de Zita Seabra é um excelente exemplo, apenas mais um, do cataventismo político que de forma despudorada caracteriza boa parte da classe política. Aliás as sucessivas cambalhotas de Zita Seabra são coerentes com o trajecto da grande figura que é o seu novo chefe, o famoso contorcionista Menezes.
O segundo comentário prende-se com a notícia de que o milagre da cura de um menino com diabetes, alegadamente realizado pelos pastorinhos de Fátima, está a levantar algumas reservas aos médicos especialistas. Estas reservas estão a preocupar o Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos uma vez que se complica o processo de canonização do pastorinho Francisco e da pastorinha Jacinta. A sério? Então a comunidade médica especializada duvida do milagre da cura? Então teremos também que duvidar dos milagres? Que vai ser da nossa gente que de forma tão frequente afirma “só por milagre é qu’isto muda"? Doutores médicos, vá lá, por favor, digam depressa que foi um milagre.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

INSTITUIÇÃO A MAIS E PESSOA A MENOS

Uma das maiores conquistas das sociedades modernas, democráticas e abertas é a defesa e promoção das liberdades e direitos individuais sustentando a afirmação da autonomia de cada indivíduo e da sua capacidade de autodeterminação, ainda que inscrito em diferentes redes sociais. Esta arrevesada introdução serve para me referir à inquietação de hoje, uma excessiva “institucionalização” da nossa vida.
Já esta semana soubemos que continuamos com um número altíssimo de crianças e jovens institucionalizados, muitos dos quais sem projecto de vida. Soubemos hoje que cerca de 80% dos doentes mentais internados têm essa condição há mais de um ano. Temos uma altíssima taxa de presos preventivos. Temos os alunos que mais tempo passam em instituições escolares. Temos os velhos cada vez mais institucionalizados. Temos práticas e comportamentos que são autênticas instituições como a corrupção, a fuga e fraude fiscal, a má condução, o cataventismo da maioria dos nossos políticos, a promiscuidade entre futebol, política e autarquias, etc. Temos ainda figuras que, por diferentes razões, são também verdadeiras instituições como o Dr. Lopes, o menino guerreiro agredido pelos irmãos desde a incubadora e agora um humilde soldado, o Major Valentim, conhecido distribuidor de electrodomésticos, o Professor Marcelo (o maior dos entertainers políticos), o Sr. Pinto da Costa, angelical e desinteressado ofertante de lembranças, o Sr. Luís Filipe Vieira, o líder da maior instituição portuguesa, o Glorioso, etc. Temos ainda completamente institucionalizadas uma taxa de desemprego demasiado alta e uma taxa de endividamento familiar cada vez mais pesada, e, finalmente, a mais deprimente das instituições, a descrença.
É. Temos cada vez mais instituição e cada vez menos pessoa.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

MANIFESTAÇÕES - O APOIO DA PSP

Lê-se e estranha-se. A PSP terá visitado as instalações do Sindicato de Professores da Zona Centro procurando informações sobre a eventual manifestação a realizar pelos sindicalistas no âmbito de uma visita do Sr. Primeiro-ministro à Covilhã. De acordo com o SPRC, as autoridades terão aconselhado “algum cuidado na linguagem” e no comportamento a adoptar. A Sra. Governadora Civil de Castelo Branco, a Comissária Serrasqueiro, acha o procedimento “habitual e rotineiro” nestas ocasiões.

Parece que tudo isto está a desencadear reacções menos positivas o que me surpreende. Então não passamos o tempo a reclamar um policiamento de proximidade? Temos pois a PSP em casa dos potenciais manifestantes. Não queremos cooperação entre as autoridades de segurança e a sociedade civil? Cá está, a participação conjunta na definição das palavras de ordem, comportamentos e percursos, o que é bonito, reconheçamos. Então não se exige prevenção? É claramente mais sensato avisar os senhores manifestantes sobre como as coisas devem decorrer, do que tomar medidas mais pesadas se “o caldo se entornar”. E como diz a Comissária Serrasqueiro, trata-se de algo “habitual e rotineiro nestas situações”. E TAMBÉM MUITO TRISTE, E MUITO PREOCUPANTE.

PS – Para que conste, entendo que, sob a capa do direito à manifestação, não pode valer tudo, designadamente, insultos gratuitos e, por vezes, boçais que, do meu ponto de vista, diminuem as causas e os seus defensores.

SERÁ QUE SE ESQUECERAM DE MIM?

(Foto de Karina Bertoncini)





segunda-feira, 8 de outubro de 2007

PACHECO PEREIRA E MÁRIO MACHADO

Entristeceu-me ver Pacheco Pereira, homem que respeito mesmo quando discordo, ser objecto de um agradecimento elogioso de natureza política por parte de um fascista delinquente chamado Mário Machado. Há momentos infelizes e creio que a intervenção de Pacheco Pereira sobre este"preso político" terá sido um desses momentos. Prefiro acreditar nisto.

CRIANÇAS INSTITUCIONALIZADAS

Foi divulgado o Relatório de 2006 sobre Crianças e Jovens em Situação de Acolhimento elaborado pelo Instituto de Segurança Social. Alguns dados. Das cerca de 12000 crianças e jovens institucionalizadas (número excessivamente elevado), 40% não recebem visitas da família, nem as visitam. Quase metade está institucionalizada há pelo menos 4 anos e 28% há mais de 6. Em idades mais baixas, quando o processo de adopção é mais viável, verifica-se que um terço do grupo até aos 3 anos está institucionalizado há mais de um ano. Em 7.4% das situações, não existe um projecto de vida definido. Finalmente, metade da população acolhida tem entre 12 e 17 anos o que praticamente inviabiliza a adopção. As justificações mais frequentes para o acolhimento continuam a ser negligência, abandono educativo e nos cuidados básicos e modelos parentais desviantes.

Não é possível que mantenhamos esta cultura de institucionalização que demite as instituições de se organizarem para estadias transitórias e não entender que, tão importante como acolher bem, é iniciar imediatamente a definição de um projecto que devolva às crianças um direito, o direito a uma família. A Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco e toda a tutela deveriam assumir de forma mais assertiva o desmontar da cultura dominante obrigando a que as instituições definam em tempo útil projectos de vida para as crianças e jovens. A vida não pode ser estar numa instituição até sair por limite de idade. Mas esta responsabilidade também é de todos.

domingo, 7 de outubro de 2007

MANIFESTAÇÃO OU INSULTO

Estou profundamente de acordo consigo Senhor Primeiro-ministro. Não é admissível confundir o direito de manifestação com o insulto. Quando tal se verifica, ou falta a educação, ou falta a razão, ou… faltam ambas.

Para que todos possamos evoluir, peço-lhe Senhor Primeiro-ministro que esteja atento, pois alguns membros do Governo, incluindo o Senhor, por vezes, falam e (re)agem de uma forma que insultam a inteligência do cidadão.

O 5 DE OUTUBRO, O PRESIDENTE E A EDUCAÇÃO

A minha habitual deslocação para o meu Alentejo, permite que um pequeno comentário ao discurso do Presidente da República com referências à educação e as reacções que lhe seguiram, seja feito depois da poeira assentar e ao mesmo tempo que recupero de uma tarde de sábado agarrado a uma inspiradora marreta a rachar lenha de azinho, enquanto o Mestre Marrafa lavava as oliveiras e laranjeiras, protegendo-as da mosca.
Os discursos dos Presidentes da República, sobretudo os integrados na liturgia da República, não passam normalmente de um exercício retórico, uma espécie de prova de vida política, sustentados num eufemismo chamado “magistratura de influência”. Causa-me, por isso, alguma perplexidade a agitação desenvolvida em torno das ideias (nada de novo) sobre educação desenvolvidas pelo PR. A oposição, como sempre, acha que o discurso é um importante “recado” ao Governo e este, como sempre, acha que o discurso sublinha as suas próprias políticas e preocupações. O habitual, política à portuguesa.
Circunstancialmente, este discurso aconteceu no Dia do Professor, o que amplificou uma referência do Presidente à necessidade dos professores serem prestigiados e de se fazerem prestigiar. Também aqui nada de novo. Parece óbvio que a percepção de confiança de uma comunidade passa, entre muitas outras coisas e sem hierarquia, pela confiança depositada em quem educa os seus filhos, quem administra a justiça e gere a segurança e em quem presta os cuidados de saúde. Acontece que, a conflitualidade de interesses normal nas sociedades democráticas tem uma exacerbada presença na área da educação levando a que nunca, mesmo nunca, se consiga um entendimento mínimo sobre o que fazer e como fazer. Toda a gente tem os seus interesses federados num qualquer sindicato. Isto envolve professores, técnicos e funcionários, políticos, pais, estruturas de formação de professores, autarquias, produtores de material e manuais escolares, comunicação social, etc. Este quadro leva a que, em Portugal, a qualidade na Educação pareça ter de se desenvolver contra estes grupos e não com estes grupos, com o resultado que se conhece. Esta situação é bem ilustrada com a famosa afirmação “admito que perdi os professores mas ganhei a opinião pública” da Ministra da Educação. Vai sendo de tempo de entendermos que a educação é um problema nosso e que, com papéis e modelos diferenciados, temos de encontrar em conjunto os caminhos para uma formação de qualidade e exigente dos que menos vêem os seus interesses representados, os alunos. Continuamos a perder tempo, porra.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

O FALSO PSIQUIATRA BOM

O Conselho de Ministros aprovou ontem o Plano Nacional de Saúde Mental, instrumento que, desejo, possa contribuir para uma inadiável reforma da prestação de serviços nesta área que, de acordo com os dados do Inquérito Nacional de Saúde de 2005/2006, afecta 28% da população portuguesa. Um dos eixos centrais dessa reforma será a descentralização, esbatendo as grandes estruturas hospitalares e aproximando os apoios de doentes, famílias e comunidades.
Curiosamente, no mesmo dia era julgado um indivíduo que durante 17 anos trabalhou como psiquiatra, ao londo dos quais prescreveu, consultou e apoiou os que a ele recorreram, participou em formação e palestras e emitiu pareceres especializados. Tudo isto, ao que parece, sem grandes motivos de queixa, ou seja, as pessoas elogiaram-no e ter-se-ão sentido ajudadas. Esta situação causa, naturalmente a maior das perplexidades e terá explicações que não cabem aqui. O meu receio é que, com a actual e fortíssima contenção de custos no Ministério da Saúde, o Sr. Ministro veja aqui uma forma económica e “eficaz” de aumentar a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde na área da Saúde Mental. Afinal, parece que basta aquela “lata” e um jeitinho tão nossos.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O CHOQUE DO ENG. JOÃO CRAVINHO

O Eng. João Cravinho, recuperado pela Visão do seu estratégico retiro em Londres, afirma que “foi um dos maiores choques da minha vida” a “absoluta incompreensão do PS para a natureza real do fenómeno da corrupção”.

Esta reacção do Sr. Eng. Cravinho dever-se-á certamente à sua ausência do país, pois quem por cá anda tem percebido que as políticas e discursos do PS têm causado muitos choques. Agora coube-lhe a si Sr. Engenheiro. Seja bem-vindo ao clube dos chocados.

PS – Directamente do Portugal dos Pequeninos, regista-se que, certamente com base nos famosos “critérios editoriais”, a abertura do Telejornal de serviço público da RTP foi dedicada à redução do castigo do grande pai da pátria, o sargentão Scolari. O resto, a bem dizer, foram notícias de rodapé e, assim, dormimos um soninho descansado que o papão foi para cima do telhado, cantava a minha mãe há muitos anos.

O PROCESSO CASA PIA. LEMBRAM-SE?

O processo Casa Pia voltou hoje às primeiras páginas. Lembram-se? Existe um julgamento a decorrer há quase 3 anos e onde se julgam os presumíveis autores de cerca de 600, sim 600, crimes de abuso de crianças e adolescentes. Com o ruído das alterações no Código de Processo Penal, com as manobras e habilidades de natureza processual em que, frequentemente, a nossa justiça se perde e como ninguém parece duvidar de que houve abusos, oxalá tudo isto não venha a acabar, se e quando acabar, com as crianças e jovens processadas por assédio e os eventuais abusadores indemnizados por danos morais. A ver vamos.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

OBRIGADO ASAE

Os meus agradecidos parabéns aos cavaleiros da ASAE. Estão sempre, como agora se diz, na linha da frente do combate pela nossa qualidade de vida. Depois do arroz chau-chau pirata, do DVD pirata, do pólo Lacoste pirata, chegou vez das cozinhas hospitalares com “desconformidades” (este termo é lindo). De facto, as cozinhas do Hospital Santa Maria e do Hospital D. Estefânia foram encerradas o que até parece curioso se não fosse preocupante, ou seja, vamos tratar-nos e atacam-nos pelo estômago através das “desconformidades”. Obrigado ASAE.

Já agora, numa de gastronomia, creio que os indomáveis agentes deveriam inspeccionar os cozinhados que o Governo nos tem servido. Têm aumentado exponencialmente os casos de má digestão e, até, de intoxicação. Será dos produtos (recursos) que utilizam? Da confecção (políticas)? Do empratamento (marketing/propaganda)?

A alternativa a uma eventual necessidade de encerramento poderá advir do conhecido Chez PSD agora com o famoso Chef Menezes especialista em grandes saladas e escabeche a acompanhar francesinhas. Mas não tenho grandes esperanças. O Chef Menezes tem um staff pobrezinho e os recursos, sem o mercado do Poder, são escassos. Provavelmente, o serviço do Chez PSD continuará a assentar na grande salada, no escabeche e em algumas conservas fora de prazo.

Acode-nos ASAE.

ENCRUZILHADA

(Foto de Abílio Nestor)

terça-feira, 2 de outubro de 2007

SOCIEDADE FILARMÓNICA UNIÃO ARRENTELENSE

(Foto de João Morgado)
No âmbito do Dia Mundial da Música acabei de assistir a um concerto lindíssimo da Banda da Sociedade Filarmónica União Arrentelense. Trata-se de mais uma daquelas colectividades de resistentes que, apesar de estarmos num país de ruído muitas vezes insuportável, ainda juntam umas dezenas de putos novos e de putos menos novos fazendo da música uma festa. Temos que lhes agradecer. É fácil, basta aparecer nas suas apresentações.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

OS PAIS, AS MÃES E OS AVÓS

Em 2006, apenas 438 homens requereram a licença de paternidade o que corresponde a cerca de 0.5% dos nascimentos em Portugal. A tradição parece manter-se, os putos pequenos são tarefa de mulher.

Entraram hoje em vigor as medidas que visam aumentar a produtividade demográfica das famílias. Destacam-se o subsídio (sempre o subsídio) à gravidez e o aumento do abono de família a partir do segundo filho e por dois anos. Os estudos sobre demografia e a opinião recolhida sugerem que, ainda que no sentido certo, as expectativas sobre a eficácia destas medidas no sentido de aumentar o número de nascimentos são baixas. Talvez iniciativas com impacto na organização do trabalho, ajustamentos de natureza fiscal e com uma duração que acompanhe todo o crescimento dos filhos fossem mais bem-sucedidas.

Finalmente, a agenda diz que hoje é o Dia Internacional do Idoso e a realidade diz que muitos idosos têm dias para esquecer. Muitos desses dias são marcados pela solidão atenuada pelo convívio nas salas de espera (longa espera) dos Centros de Saúde. Segundo um trabalho do Público, em Portugal 28% das pessoas entre os 65 e os 69 trabalham, sendo que na UE são 8.2%. Os cínicos dirão que, pelo menos, estão ocupadas. Também entre nós, 25% dos idosos não se consideram felizes e um em cada quatro com mais de 65 anos receia cair na pobreza. Depois aumenta o consumo de antidepressivos.

Do princípio ao fim a vida não está animadora.

ALENTEJO DO CORAÇÃO

No Dia Mundial do Coração em que, como é habitual, a comunicação social se refere aos poucos cuidados que a população portuguesa revela com o coração, foi bonito ver a Região de Turismo Planície Dourada, a alentejana, claro, promover um Festival do Amor. Haja quem se preocupe com o coração. O Alentejo do meu afecto.

O CIRCO CHEGOU À CIDADE

Em 23 de Julho escrevi. “Ele aí virá de Gaia país abaixo brandindo a espada que baterá para sempre os sulistas, elitistas e liberais. E os fracos como o Dr. Mendes, o Marques. E os comentadores cegos à sua aura de genialidade como o Marcelo, o Professor, e o Pereira, o Pacheco. Treme Sócrates que ele está aí com a bandeira que tirou da mão de Sá Carneiro numa renhida disputa com outra figura maior, o Dr. Lopes, o Santana. Treme Portugal que ele ameaça tudo mudar e tudo fazer.”

Já está. E não vem sozinho. Trará certamente consigo algumas figuras centrais da nossa história recente. O Dr. Mendes Bota, poeta, cantor pimba, entertainer, dj e, naturalmente, político com provas dadas, sobretudo, na organização de jantares de apoio e na sindicalização de votos. Virá o Dr. Rui Gomes da Silva, outra figura do pensamento político português que ficou conhecido por, quando Ministro de Santana Lopes, ter querido calar o grande Professor (sim o Marcelo) cujos comentários desagradavam ao dono. Como uma desgraça nunca vem só, também o menino guerreiro já se colocou em bicos de pés na corrida à direcção do grupo parlamentar do PSD. Levanta-te Sá Carneiro, olha que eles dão cabo do partido.

PS – No meu Alentejo, sempre mais estimulante que esta trapalhada, no sábado de manhã o velho Zé Marrafa olhou para o céu e disse “isto vai dar água”. Resolvi passar a tarde a guardar a lenha cortada no casão. Fiz bem porque a água veio e a lenha está seca à espera de me aquecer o inverno.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

OS NÓS E OS LAÇOS

(Foto de Ruben Andrade)
Os magistrados do Tribunal da Relação de Coimbra assumindo que a lei é algo superior à pessoa, cega e dogmática, manifestamente não entendem que vida se organiza em torno de nós, laços e a falta deles. Os bons, os maus, os inexistentes, os desejados, mas, sempre, os nós e os laços.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

CORRUPÇÃO À PORTUGUESA

Segundo o relatório da organização não governamental Transparency International que analisou a situação de 180 países, Portugal surge em 28º lugar no Índice de Percepção de Corrupção política e da administração pública. Este resultado representa um retrocesso face aos dados anteriores em que nos situávamos dois lugares acima. Animadora perspectiva de evolução.

A propósito, a administração vai fiscalizar a situação de baixa por doença de cerca de 8000 funcionários. Apesar das trágicas e indefensáveis situações que nos últimos tempos têm vindo a ser publicadas registando decisões incompreensíveis em casos terminais, muitas pessoas verão certamente interrompido alguma forma de trabalho paralelo que, frequentemente, se verifica utilizando a situação de baixa, quer no serviço público, quer no privado.

É, e será sempre, uma questão de valores. Todos somos responsáveis, embora nem todos sejamos culpados.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O MENINO GUERREIRO AO ATAQUE

Por uma vez, acho que o menino guerreiro, o Dr. Santana Lopes fez uma birra com sentido. Hoje na SIC Notícias, ao ser escandalosamente interrompido para mostar em directo a chegada do Special One, o Mourinho, resolveu acabar com a entrevista. Está a crescer. Qando ele afirmou que ia deixar a noite e viver de forma mais tranquila eu afirmei, tal como o povo, "deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer". Ele cresceu e vem aí.

PORTUGAL DOS PEQUENINOS - novo episódio

Notícias do Portugal dos pequeninos. As duas inenarráveis figuras que pretendem presidir ao PSD e, se os portugueses aceitassem esse risco, gerir os nossos destinos não se enxergam. Como é possível montar este “tesourinho deprimente” e entender sentir-se em condições de governar um país. Pequeninos, pequeninos.

Pequenina também é a decisão de regulação do poder paternal do Tribunal da Relação de Coimbra que entrega a Esmeralda ao homem que a fez. Sendo da Relação, não entende manifestamente o que é uma relação. Parece mais um entendimento terrorista dos direitos de autor. Se eu a fiz ela é minha. Parece que o Acórdão aprova a primeira decisão considerando “bem fundamentada do ponto de vista jurídico”. Mas… e a criança? Com base em diversos pareceres, uma decisão “bem fundamentada do ponto de vista da criança” teria outro sentido. Prevalece o ponto de vista da lei, ainda por cima em nome do “supremo interesse da criança”. Para rir se não fosse trágico. Pequenino, pequenino.

Neste Portugal dos pequeninos uma referência ao custo da nova Basílica de Fátima, cerca de 80 milhões de euros, ou seja, o dobro do custo inicialmente previsto. Não ficou pequenino. Desta vez.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

A REALIDADE ESTÁ ENGANADA - novo episódio

De acordo com um relatório da Inspecção Geral da Educação, variadíssimas escolas apresentam horários mal construídos, com cargas horárias mal distribuídas e excessivamente extensas em alguns dias, desrespeito de intervalos razoáveis para almoço, organização das disciplinas sem critérios de natureza pedagógica, etc.
A DECO realizou um estudo e das escolas analisadas, a maioria revelou falta de condições de trabalho para alunos, professores e funcionários. O Ministério diz não “lhe reconhecer capacidade técnica” para a realização do estudo.
Continuam a verificar-se muitas situações de conflitualidade decorrente do encerramento de escolas e consequente redistribuição dos alunos.

A Senhora Ministra, por outro lado, afirma “que há motivos para festejar a abertura do ano lectivo”.
Conclusão. Este entendimento é frequente em muitos dos nossos políticos, “a realidade está enganada, eu é que estou certo”, Olhe que não, olhe que não.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A DELINQUÊNCIA PORTUGUESA E O MERCADO GLOBAL

Embora não simpatize com medidas proteccionistas na regulação do mercado, nos últimos tempos algumas notícias sugerem-me alguma atenção aos seus efeitos nos profissionais portugueses. Vejamos alguns exemplos. Um grupo de cidadãos moldavos dirigia alegadamente uma rede de imigração clandestina para Portugal ainda que em cooperação com colaboradores nacionais. Um grupo de profissionais de origem corsa, ao que parece, deslocou-se a Portugal a fim de participar em alguns eventos mais conhecidos por “assaltos a bancos”. Esta actividade estava também a ser desenvolvida por um freelancer espanhol de sua graça “O Solitário”. Um grupo ainda de origem espanhola registado como “Gang do Pecas” desenvolvia a sua actividade empresarial junto a postos de gasolina e caixas multibanco do Algarve com a recolha compulsiva dos lucros diários. Um grupo de empreendedores romenos preparava a consulta e movimentação de um número avultado de contas bancárias à revelia dos seus titulares.

Estes exemplos parecem suficientes para, sem colocar em causa a livre circulação de pessoas bens e capitais em mercados abertos, pensarmos nas consequências para os nossos empreendedores nesta área de actividade. Como é habitual queixam-se da falta de recursos e formação pelo que, parece, está em preparação um conjunto de iniciativas no sentido de solicitarem a quem de direito protecção da actividade e, sobretudo, apoios, ou seja, subsídios que lhes permitam enfrentar a concorrência em condições de maior equilíbrio.

domingo, 23 de setembro de 2007

OS TACHOS E A PANELA

Algumas notas decorrentes da leitura da imprensa de hoje.

Alguns nossos concidadãos que, generosa e desinteressadamente, nos concederam o privilégio de terem sido ministros, procurando zelar pelo nosso desenvolvimento e bem-estar viram, ao regressar à actividade privada, o seu rendimento anual multiplicado várias vezes. António Vitorino e Pina Moura constituem dois bons exemplos de que o “espírito de missão”, a “entrega à causa pública”, o “serviço ao país”, o “sacrifício pelo bem comum” e outras tretas são um bom investimento. Existem algumas excepções que… confirmam a regra.

Santana Lopes vai deixar de andar por aí e parece que está interessado em liderar a bancada parlamentar do PSD. Vai primeiro opor-se a sério ao Eng. Sócrates, (é preciso que alguém o faça e só pode ser o menino guerreiro) e, posteriormente, S. Bento ou Belém terão as cadeiras pelas quais terá de optar. O menino guerreiro continua ladino.

Uma menina de quatro anos terá sido, como forma de castigo, metida numa panela enorme e “sacudida” por uma funcionária do Lar Interno de Crianças da Sta. Casa da Misericórdia de Peso da Régua. A confirmar-se a denúncia, os elementos do Supremo Tribunal de Justiça vão achar que a educação em Portugal está, finalmente, no bom caminho e os bons métodos educativos que defendem estão a ser divulgados e postos em prática.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

MOURINHO E AS NOZES

Quando saio, ainda que por pouco tempo, faço-o sempre com a expectativa do regresso me mostrar algo melhor. Sempre me iludo, sempre me desiludo.

Nesta sexta feira, as primeiras páginas da imprensa generalista diária espelham um tema comum. No Correio da Manhã aparece “Mourinho põe Scolari em risco”. No JN, uma fotografia de uma enorme cartaz com “Mourinho simply the best”. O DN informa que “37 milhões só se não treinar até 2010” e o Público refere “25 milhões de indemnização e um ano sem poder treinar em Inglaterra”.

O país não muda mesmo. Agora vou para o meu Alentejo. Este fim-de-semana tenho que apanhar as nozes. É bem mais bonito.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

LICENCIATURA E EMPREGO, OUTRA VEZ

Hoje volto a um tema que recorrentemente aqui tenho referido e a que retorno face ao último relatório da OCDE, Education at a Glance 2007. Tal como anteriormente, deve ser sublinhado que em Portugal:
Um trabalhador licenciado ganha em média mais 80% que alguém com o ensino secundário;
Um indivíduo com a escolaridade básica recebe em média menos 57% que alguém com o Ensino Secundário;
Apenas 7.5% de pessoas com o 9º ano recebem duas vezes mais que a média nacional enquanto licenciados a receber duas vezes mais que a média são quase 60%;
Os filhos de pais licenciados têm 3,2 vezes mais probabilidades de obter uma licenciatura;
Entre os 25 e os 34 anos, 19% dos jovens tem uma licenciatura enquanto na OCDE a média é 32%. Na franja entre 35 e 44 a percentagem ainda baixa para 13%.

Face a estes números julgo imprescindível que não se alimente o discurso suicida e frequente em que se associa, mal, licenciatura e desemprego. Definitivamente, precisamos de gente qualificada mas, e isto é que é fundamental, que a oferta de formação seja diversificada, regulada face à evolução das comunidades e não dependente dos custos de funcionamento dos cursos, dos quintais do ensino superior ou de estratégias de (mau) marketing eficazes.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

TELEMEDICINA

(Foto de Raul Coelho)
Hoje a imprensa referia-se ao incremento da utilização da telemedicina. Embora consciente de eventuais vantagens em algumas situações, fiquei preocupado.

Já repararam como as salas de espera dos Centros de Saúde se constituem como espaços de convívio para os idosos sem família. Ali se trocam memórias, dores, incómodos, notícias, anedotas, estados de alma, enfim, (sobre)vive-se. Pensem nisto antes da medicina “hightech”. Já temos os putos trancados no ecrã e queremos correr o risco de trancar os velhos. Importante mesmo é a qualidade dos serviços e do acolhimento nos Centros de Saúde.

domingo, 16 de setembro de 2007

AS PERPLEXIDADES DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL

Não sendo um especialista em questões de Justiça, limito-me como cidadão a estar atento ao que vai acontecendo. A entrada em vigor do novo Código de Processo Penal causa-me algumas perplexidades (o Presidente da República também parece que ficou surpreendido mas ele promulgou-o, eu não). Primeiro, pela unanimidade e vigor das críticas embora, nos tempos que correm, essa questão deva ser relativizada porque a regra parece ser: ”uma medida do Governo só tem apoio do Governo e tudo o resto está contra”. O que verdadeiramente não entendo é que, de acordo com a generalidade da imprensa, a entrada em vigor deste normativo leva a situações como a libertação por questões processuais de indivíduos condenados por homicídio ou violação, por exemplo e que estão a iniciar o cumprimento das respectivas penas. Não vi qualquer contestação a estes efeitos pelo que presumo seguros. Ainda como exemplo, o indivíduo de Santa Comba condenado em 2007 pelo comprovado e confessado homicídio de três mulheres pode vir a ser colocado em liberdade antes do próximo Natal também por questões processuais.

Parece que o novo Código pretende aprofundar a defesa dos direitos dos arguidos mas, e isto merece reflexão, como ficam protegidos os direitos das vítimas e ofendidos. Talvez eu ainda possa vir a ser convencido de que a coisa está bem feita, mas que parece estranho, parece.