quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O DESCONFORTO DO SR. DR. CASANOVA

"Ministério assume “desconforto” com “erro lamentável” na colocação de professores"

De facto, parece não haver limites para o despudor e irresponsabilidade. 
Uma figurinha que à boleia do cartão partidário, é quase sempre uma essência curricular,  ocupa o lugar de Secretário de Estado da Administração Escolar, o Sr. Dr. Casanova de Almeida, veio hoje afirmar que "Estamos (MEC) desconfortáveis porque aquele trabalho que deveria ter sido feito detectou um erro e esse erro é lamentável” referindo-se, evidentemente, ao processo catastrófico da colocação de professores.
Insistindo na tecla desde o início batida, já só falta resolver situações muito pontuais e o que aconteceu não é muito diferente de anos anteriores, a figurinha continua a mostrar a maior das irresponsabilidades e a falta de uma coisa que o meu pai sempre referia, espinha.
Milhares de alunos sem aulas há um mês e meio com as inevitáveis consequências noS processos e resultados da aprendizagem, um clima de instabilidade que afecta alunos e professores mesmo os não envolvidos directamente, centenas de professores atropelados na sua dignidade, situação pessoal e profissional, um clima de escola virado do avesso e a figurinha fala de "desconforto". Desconforto?!
Uma situação desta natureza seria mais do que suficiente para gente com um mínimo de dignidade, sentido ético, competência e responsabilidade tomar a primeira decisão que em termos políticos se exige, a demissão.
Mas não, o seu ex-colega Director-geral bateu com a porta devido à "fórmula errada", o seu ex-colega Secretário de Estado da Educação bateu com a porta porque plagiou um trabalho sobre a "Dimensão moral da profissão docente" e a figurinha fala de como o MEC se sente "desconfortável" por estes pormenores relativos à colocação de professores.
Relativamente às formas de compensação para os problemas causados a alunos e professores, sabe-se que se não adiam exames mas não se sabe de mais. O que é dito, por assim dizer, traduz-se em linguagem cratesa por, "as escolas que se desenrrasquem", talvez com ajuda do voluntariado dos docentes e da capacidade económica de algumas famílias para proporcionar explicações aos miúdos como já está a acontecer,
Tudo isto faz com que me sinta não "desconfortável", mas nauseado e indignado.

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