E pronto. Depois da entrada do Ano Novo retomemos os problemas do ano velho que deveriam constituir-se como prioridades … do Ano Novo.
Lê-se no Público que, com base no último Inquérito às
Condições de Vida e Rendimentos, do Instituto Nacional de Estatística divulgado
em Dezembro e que aqui referi, o investigador Carlos Farinha Rodrigues actualizou
o estudo Portugal Desigual, iniciado em 2016 pela Fundação Francisco Manuel dos
Santos.
Em termos globais, o risco de
pobreza desceu de 16,6% para 15,4% entre 2023 e 2024. No entanto, no mesmo período
e para crianças e jovens a descida foi de apenas de 0,2 %, de 17,8% para 17,6%.
Considerando a escolaridade dos
pais como critério e sem surpresa o quadro é mais negativo, “a taxa de pobreza
é quase quatro vezes superior quando os pais têm apenas o ensino básico”, ou
seja, no caso de filhos de pais com escassa escolaridade a pobreza atinge os
34,3% enquanto nos filhos de pais com o ensino superior, o valor baixa
drasticamente para os 8,9%.
A situação de pobreza é mais elevada
em adolescentes dos 12 aos 17 anos, o risco de pobreza atinge 19,2% das
crianças e jovens neste grupo etário que representa 40% das crianças em
situação de pobreza.
Repetindo-me sobre estas
questões, os dados são inquietantes, está bem estudada a relação entre a
situação económica, laboral e nível de literacia familiar no trajecto pessoal
sendo que, sem surpresa, são estes alunos que, globalmente, mais dificuldades sentem
no desempenho escolar bem-sucedido.
Também sabemos que a pobreza tem
claramente uma dimensão estrutural e intergeracional, as crianças de famílias
pobres demorarão até cinco gerações a aceder a rendimentos médios, um indicador
acima da média europeia.
A escola é certamente uma
ferramenta poderosa de promoção de mobilidade social, mas, por si só,
dificilmente funciona como elevador social.
O impacto das circunstâncias de
vida no bem-estar das crianças e em aspectos mais particulares como o
rendimento escolar ou o comportamento é por demais conhecido e essas
circunstâncias constituem, aliás, um dos mais potentes preditores de insucesso
e abandono quando são particularmente negativas, como é o caso de carências
significativas ao nível das necessidades básicas.
É este o desafio que enfrentam as
políticas públicas de diferentes sectores.
Em nome do futuro, não podemos
falhar, repito, não podemos falhar.
E o futuro começa agora.
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