sábado, 3 de janeiro de 2026

É OBRIGATÓRIO CONTRARIAR O DESTINO

 E pronto. Depois da entrada do Ano Novo retomemos os problemas do ano velho que deveriam constituir-se como prioridades … do Ano Novo.

Lê-se no Público que, com base no último Inquérito às Condições de Vida e Rendimentos, do Instituto Nacional de Estatística divulgado em Dezembro e que aqui referi, o investigador Carlos Farinha Rodrigues actualizou o estudo Portugal Desigual, iniciado em 2016 pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Em termos globais, o risco de pobreza desceu de 16,6% para 15,4% entre 2023 e 2024. No entanto, no mesmo período e para crianças e jovens a descida foi de apenas de 0,2 %, de 17,8% para 17,6%.

Considerando a escolaridade dos pais como critério e sem surpresa o quadro é mais negativo, “a taxa de pobreza é quase quatro vezes superior quando os pais têm apenas o ensino básico”, ou seja, no caso de filhos de pais com escassa escolaridade a pobreza atinge os 34,3% enquanto nos filhos de pais com o ensino superior, o valor baixa drasticamente para os 8,9%.

A situação de pobreza é mais elevada em adolescentes dos 12 aos 17 anos, o risco de pobreza atinge 19,2% das crianças e jovens neste grupo etário que representa 40% das crianças em situação de pobreza.

Repetindo-me sobre estas questões, os dados são inquietantes, está bem estudada a relação entre a situação económica, laboral e nível de literacia familiar no trajecto pessoal sendo que, sem surpresa, são estes alunos que, globalmente, mais dificuldades sentem no desempenho escolar bem-sucedido.

Também sabemos que a pobreza tem claramente uma dimensão estrutural e intergeracional, as crianças de famílias pobres demorarão até cinco gerações a aceder a rendimentos médios, um indicador acima da média europeia.

A escola é certamente uma ferramenta poderosa de promoção de mobilidade social, mas, por si só, dificilmente funciona como elevador social.

O impacto das circunstâncias de vida no bem-estar das crianças e em aspectos mais particulares como o rendimento escolar ou o comportamento é por demais conhecido e essas circunstâncias constituem, aliás, um dos mais potentes preditores de insucesso e abandono quando são particularmente negativas, como é o caso de carências significativas ao nível das necessidades básicas.

É este o desafio que enfrentam as políticas públicas de diferentes sectores.

Em nome do futuro, não podemos falhar, repito, não podemos falhar.

E o futuro começa agora.

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