terça-feira, 12 de junho de 2012

O DISCURSO

Portugueses, Portuguesas,
Sempre vos falei verdade, sem subterfúgios e de forma clara. Assim continuarei a fazer, pois é desta forma que entendo ser o meu dever  e a forma ajustada de exercer funções governativas.
Sei bem as dificuldades que todos atravessámos nestes últimos tempos. Foram muitas e foram pesadas.
Sempre vos disse, contra muitas opiniões, que não tínhamos dois caminhos e mesmo este era estreito e difícil.
Há algum tempo disse-vos, muitos não compreenderam, que tínhamos de tomar decisões duras e que eram precisos sacrifícios, para todos, custasse o que custasse. Fizemos o que outros nunca fizeram. Já vos agradeci a paciência que demonstraram e a forma tranquila e lúcida como suportaram as medidas difíceis que tivemos de tomar.
Alguns entendem que foram ditadas por alguns dos nossos parceiros europeus. Devo dizer-vos claramente que não. As medidas que tomámos foram as que nós, com responsabilidade e sentido de estado, entendemos necessárias  para recuperar as contas de Portugal e construir um futuro sustentado e sustentável para os nossos filhos.
E conseguimos. Quando muitos oráculos e profetas da desgraça duvidavam do sucesso, nós persistimos, estávamos certos das nossas convicções e fomos bem sucedidos. O esforço, a seriedade, a coerência da visão foram recompensados. Nem sempre as medidas e os discursos foram compreendidos, mas sabíamos, nós estávamos confiantes, era este o caminho.
Portugueses, Portuguesas,
Quero anunciar-vos que conseguimos equilibrar as nossas contas e apresentar um saldo positivo na nossa balança comercial.
Quero anunciar-vos que atingimos estatisticamente a situação de pleno emprego.
Quero anunciar-vos que o crescimento previsto do PIB até final do ano será de 4,5%, prevendo-se 6% para o próximo ano.
Quero anunciar-vos também que estão reunidas as condições para proceder a uma imediata revalorização da massa salarial, bem com a uma actualização significativa das reformas e pensões, envolvendo, sobretudo, as de mais baixo valor.
Portugueses, Portuguesas,
Quero anunciar-vos também ...

Pedro, Pedro, acorda, Pedro, o telemóvel já está a tocar há muito tempo, andas tão cansado que nem acordas.

1 comentário:

anónimo paz disse...

Há sonhos contingentes...

Mas o sonho do Pedro é literalmente quimérico. 869 anos de história prova-nos que as prioridades em tempos de desafogo orçamental de Estado não são exactamente as que o sonho preconiza.


saudações