quinta-feira, 30 de julho de 2026

GORDINHOS E PARADINHOS

 De acordo com dados recentemente divulgados pelo INE, em Portugal, 22,6% das crianças entre os 5 e os 14 anos tem excesso de peso sendo que 12,9% com obesidade. Estes indicadores estarão associados ao tipo de alimentação, 41,7% consome refeições “fast food” ou alimentos ultraprocessados pelo menos uma vez por semana e o consumo de refrigerantes é hábito diário para 8,9%. Por outro lado, legumes ou saladas surgem diariamente no prato de apenas 44,1% das crianças.

Acresce que os níveis de sedentarismo entre os mais novos também estarão associados a este cenário. Recordando o estudo COSI Portugal  (Childhood Obesity Surveillance Initiative), integrado no Childhood Obesity Surveillance Initiative da OMS/Europa, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge sobre o excesso de peso e obesidade infantil que aqui citei na altura, (2022), alguns indicadores.

O estudo envolveu 6205 crianças entre os seis e os oito anos de 226 escolas de Portugal continental e dos arquipélagos dos Açores e da Madeira e, no que respeita ao sedentarismo, entre 2019 para 2022, todos os parâmetros estudados subiram entre 2,2 e 9,3%. É de sublinhar, sem surpresa, que se verificou um aumento de 18 para 27% na utilização de videojogos durante a semana pelo menos duas horas por dia. Importa considerar que estudos mais recentes apontam para um tempo superior de exposição a ecrãs por parte das crianças.

Estes dados estão em linha com os de relatórios anteriores e com estudos nacionais sobre os hábitos alimentares e estilo de vida dos mais novos e sobre as potenciais consequências para o seu desenvolvimento.

Relembro que em 2021 se regulamentou a oferta alimentar nas escolas com o objectivo de promover estilos alimentares mais saudáveis.

Apesar de parecer uma birra ou teimosia acho sempre importante sublinhar a importância que deve merecer a questão dos hábitos alimentares e o combate ao sedentarismo, sobretudo nos mais novos.

As consequências potenciais deste quadro em termos de saúde e qualidade de vida são muito significativas, quer em termos individuais, quer em termos sociais. Assim, e como já tenho referido, um problema de saúde pública desta dimensão e impacto justifica a definição de programas de prevenção, educação e remediação que o combatam. Sem surpresa, surgem sempre algumas reacções contra o chamado “fundamentalismo nos hábitos individuais”, mas creio que são também de ponderar as implicações colectivas e sociais do problema.

No entanto, como sabemos, o excesso de peso, o sedentarismo e os riscos associados não serão uma escolha individual para a generalidade dos miúdos e graúdos nessa situação, trata-se de algo de que não gostam e sofrem de diferentes formas com isso. 

Eu sei que à escola não compete tudo, não pode, nem deve ser responsável por todos os problemas que afectem a população em idade escolar. Por outro lado, apesar de em termos de educação familiar se registarem melhores níveis de literacia sobre saúde estilos de vida, ainda temos muito que caminhar.

No entanto, sei, sabemos, que pela educação é que vamos.

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