quinta-feira, 23 de julho de 2026

A LER "CIÊNCIA A 100 À HORA (PARA O ABISMO): O ENCONTRO CIÊNCIA E ARTE DE SERVIR CANAPÉS"

 Merece leitura e reflexão o texto de João Conde no Público, “Ciência a 100 à hora (para o abismo): o Encontro Ciência e a arte de servir canapés”.

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Aliás, o ministério coloca a cabeça no cepo da retórica, mas os investigadores, esses, já lá têm o resto do corpo, com milhares de doutorados mantidos por bolsas de investigação, que, tecnicamente, não conferem direitos laborais básicos, criando uma classe de subcidadãos científicos com uma idade média de entrada na carreira estável que já ultrapassa os 40 anos. É o talento nacional transformado em combustível fóssil de baixo custo para a máquina burocrática. A estratégia do ministério é, no fundo, a gestão do declínio, fingir que se investe no futuro enquanto se mantém o investigador preso num ciclo eterno de renovação de contratos de seis meses, como se a ciência se fizesse com o desespero de quem não sabe se terá onde dormir no próximo trimestre.

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Na verdade, o nível de precariedade no trabalho dos investigadores em Portugal é inaceitável e um tiro no pé dado pelos sucessivos responsáveis das políticas públicas.

Esta precariedade menoriza direitos e necessidades permanentes com impacto na vida de muitas pessoas e no tecido das instituições científicas.

Acresce, que, como afirmava Carlos Fiolhais, “a ciência é a árvore do desenvolvimento” e cuidar dela é cuidar do futuro do país.

Como já tenho escrito, está estudada e reconhecida de há muito a associação fortíssima entre o investimento em educação e investigação e o desenvolvimento das comunidades, seja por via directa, qualificação e produção de conhecimento, seja por via indirecta, condições económicas, qualidade de vida e condições de saúde, por exemplo.

Não é coisa pouca.

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