O meu pai sempre me dizia e lembrava que na nossa vida devemos ser gente com espinha, se erramos, assumimos, se pensamos, defendemos, se temos razão, agimos. É assim que deve ser, gente com espinha. Era a sua designação para seriedade, sentido ético e de responsabilidade perante o outro.
Esta atitude é ainda mais
exigente para quem tem funções em que as suas decisões ou procedimentos se
repercutem no bem-estar ou nos direitos dos outros.
No que respeita ao universo das
políticas públicas quem ocupa cargos desta natureza é, obviamente, responsável
pelo que de melhor ou menos bom acontece na sua área de intervenção e exige-se
que assuma as suas responsabilidades em cada momento, bom ou mau.
Um exercício breve de olhar à
volta, ouvir muitos discursos e assistir a comportamentos recorrentes de muitas
figuras mostra como tanta gente terá problemas de coluna. Aliás alguns parecem
mesmo nem sequer ter coluna, são enguias.
Talvez não tivessem sido bem
cuidados quando cresciam.
Provavelmente, eu e tantas outras
pessoas como eu estamos erradas e fora do tempo.
Certamente é isso,
falta-nos flexibilidade na coluna. A flexibilidade demonstrada pelos
responsáveis pelo indecente processo dos exames nacionais e múltiplas
intervenções sobre o mesmo. Mau demais.
É uma questão muito séria, mas lembrei-me de uma anedota que se contava quando eu era miúdo. Na inauguração de uma ponte esta desabou. Seguíu-se o normal inquérito no qual foram interrrogados os materiais, quando perguntaram ao ferro se sabia de algum problema, a resposta foi "eu?!!, nem sequer lá estava".
Todo o processo relativo aos exames finais tem sido tudo o que não podia ser e é inaceitável nos tempos que correm. Pensando melhor, talvez sejam os tempos que correm que sustentam processos desta natureza e com estes contornos.
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