quinta-feira, 29 de outubro de 2009

AS FACES OCULTAS

Durante muito tempo a referência à face oculta remetia para o mistério poético que se esconderia no lado não visível da lua.
Sinais dos tempos, a face oculta deslocou-se para a terra e, naturalmente, também para a nossa. Temos vindo a transformar-nos num país de faces ocultas.
Ocultam-se os dados reais sobre problemas e dificuldades, pobreza e desemprego por exemplo, de modo a criar uma ilusória realidade mais simpática.
É conhecido o nível altíssimo, embora oculto, de corrupção e fraude em vários patamares e áreas de funcionamento da nossa sociedade. Temos bons exemplos no âmbito autárquico e no mundo económico com a operação em curso, envolvendo altos quadros empresariais e o que se passou recentemente na banca.
Temos uma face oculta na justiça, hoje o I noticia que reputados penalistas arrasam a condenação de Isaltino Morais, pensei que afinal o homem estaria inocente mas não, os reputados penalistas, certamente pagos à altura da sua reputação, apenas tentam provar que os crimes já prescreveram e que se registaram erros processuais. Do meu ponto de vista, estas frequentes práticas mostram uma das faces ocultas da justiça, a manhosice acessível a quem tem dinheiro para a pagar.
Não têm faltado também faces ocultas na nossa vida política, o domínio dos aparelhos e a compra das consciências e dos apoios. Como entender que a mesma pessoa, Santos Silva, possa ocupar quatro pastas ministeriais? Certamente não será por competência técnica, ninguém sabe tanto de áreas tão próximas como defesa e educação. Na mesma linha, só na face oculta da vida política se perceberá como um incompetente Secretário de Estado na Educação, Valter Lemos, área de onde até provinha profissionalmente, transite para Secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional.
Urge a reconstrução de uma ideia de cidadania que combata, denunciando e resistindo, as faces ocultas deste mundo, o nosso.

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