segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

PAIS QUE SOFREM, CRIANÇAS QUE SOFREM

O DN aborda hoje uma questão que começa a ser preocupante pela frequência. Trata-se da utilização dos filhos como “arma” em situações de divórcio. Os estudos na área da sociologia familiar têm vindo a evidenciar um aumento do número de divórcios que parece ligado, entre outras razões, a alterações na percepção social da separação, menos “punitiva” e “culpabilizante” para os envolvidos. Estará criar-se assim uma situação mais favorável, até do ponto de vista legal, à facilidade do processo de divórcio o que poderá levar a decisões, cuja bondade não avalio, que podem ser apressadas, não assumidas por ambos e não antecipando a necessidade de minimizar eventuais impactos, sobretudo quando existem filhos. Neste quadro, podem emergir nos adultos, ou num deles, situações de sofrimento, dor e/ou raiva, que “exigem” reparação e ajuda. Muitos pais lidam sós com estes sentimentos pelo que os filhos surgem frequentemente como “tudo o que ficou” e o que “não posso e tenho medo de também perder”. Poderemos assistir então a comportamentos de diabolização da figura do outro progenitor, manipulação das crianças tentando comprá-las (o seu afecto), ou, mais pesado, a utilização dos filhos como forma de agredir o outro. Estas situações, mais ou menos graves, solicitam, no entanto, uma enorme prudência na forma como são olhadas. É obviamente imprescindível proteger o bem-estar das crianças mas não devemos esquecer que, em muitos casos, existem também adultos em enorme sofrimento e que a sua condenação, sem mais, não será seguramente a melhor forma de os ajudar. Ajudando-os, os miúdos serão ajudados. Quero por fim sublinhar que, por princípio, prefiro uma boa separação a uma má família.

DEPOIS DAS BURRICES, OS BURROS

Notícia do DN. No Algarve está em desenvolvimento um projecto de utilização dos burros como forma de atrair turistas. Depois de tantos anos de burrices que quase arrasaram o Algarve, só faltava mesmo a utilização dos próprios burros. Coitados destes, que não foram eles e vão levar com os turistas ao lombo.

domingo, 13 de janeiro de 2008

AFINAL ESTOU EM CASA

O frio, vento e chuva transformaram este Domingo num dia cabaneiro, como se diz no meu Alentejo. Bom para estar em casa, perto do lume e, sinais dos tempos, com o portátil à mão. Comecei a alinhavar umas notas mas a quentura e a preguiça adormeceram-me um pouco. Lembro-me que queria referir-me a uma situação curiosa, em que um antigo Ministro negociou como uma empresa a que agora preside, um contrato que garante a essa empresa a exclusividade de exploração de todas as pontes que venham a ser feitas servindo a capital do país. Lembro-me de pensar referir o facto interessante de os elementos de uma estrutura de fiscalização de Segurança Alimentar e Económica receberem treino militar. Lembro-me de querer comentar o facto de os chefes militares do país que integram um órgão constitucional, Conselho Superior de Defesa Nacional, discordarem da entrega da declaração de património e rendimento. Também tinha pensado registar a existência de centenas de indivíduos presos que são obrigados a utilizar o balde higiénico. Ainda me lembro vagamente de querer escrever sobre a situação de um rapaz que mendiga desde os 4 anos, tem 15, e o Ministério responsável por estas situações entender que a responsabilidade é de uma estrutura, Santa Casa da Misericórdia, que, por sua vez, entende não ter competência para intervir. De repente, acordei desta espécie de sonho em que, procurando o Verão, viajava por um qualquer país da América do Sul de que não me lembro o nome. Estava onde sempre estive, no Portugal dos Pequeninos. E agora sem assunto para escrever.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

EQUÍVOCOS DO TEMPO

(Foto de Peter M.)


O PAÍS TREMEU

O país tremeu esta noite. Como não? Reparem em algumas referências da imprensa de hoje e fora do âmbito da localização do aeroporto. Segundo a DECO duplicou o número de famílias sobreendividadas. António Costa quer combater o duplo emprego na Câmara de Lisboa e, assim, engrossar o desemprego em vez de estimular o empreendorismo. Dois seguranças profissionais cometem crime violento o que espelha a falta de profissionalismo e confusão de papéis que anda por aí. Entre 2006 e 2007 aumentou quase 21% o número de apreensões de nota falsa. O Ministério da Saúde deixou, parece, sem controlo a dívida à indústria farmacêutica num evidente exemplo de falta de saúde financeira. O estado vendeu em 2007 por 3.4 milhões de euros a uma empresa do ex-sócio do Ministro da Justiça, António Lamego, irmão de uma figura do PS, José Lamego, o edifício de uma antiga prisão. O edifício tinha custado 4 milhões em 1998. Bom negócio. Parece estranho mas deve haver certamente uma excelente justificação e a defesa de que é tudo legal e o resto são minudências éticas e invejinhas de quem não tem tanta competência empresarial. Finalmente, na Madeira o PCP e o PSD coligam-se na tentativa de referendar o Tratado de Lisboa. Isto pode querer dizer que o Dr. Alberto João considera a hipótese de abandonar a ideia de independência e posterior tentativa de adesão à EU. Aí eu já estaria por tudo. Se levámos com os gémeos polacos, também podemos levar, como até aqui, com o Alberto João. Só me admira como o país não treme mais.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

HABEMUS AEROPORTO

Duas notas do Portugal dos Pequeninos. O fumo branco confirma, habemus aeroporto. A decisão foi comunicada pelo chefe, como as grandes ocasiões exigem. Vai ser em Alcochete. Em maus lençóis ficou o grande entertainer Mário Lino que viu esfumar-se a opção Ota, apesar do seu “compromisso pessoal” e de considerar que o aeroporto na margem sul seria uma “obra faraónica” sem justificação porque não serviria mais do que o “deserto”. Naturalmente que o Primeiro-ministro tenta branquear ou disfarçar os disparates do ajudante, Fica-lhe bem, mas não o faça à custa do entendimento de que o povo é burro e não percebeu o iluminado Lino. Devo dizer que, com os dados disponíveis, a decisão parece acertada.
As dúvidas, poucas, que existiriam sobre a competência para administrador do Dr. Vara começam a desaparecer. O senhor é Administrador da CGD, propõe-se ir administrar o BCP, não tem a certeza se consegue, pede uma licença sem vencimento na CGD e assegura sempre o seu job. O procedimento é legal e trata-se de uma situação muito parecida com a de umas senhoras que asseguravam há muitos anos serviços de limpeza em instalações da PSP, com recibo de vencimento e processando descontos. É que receberam agora, uma delas em situação de baixa por acidente de trabalho, uma carta de despedimento, sem justificação e, ao que referiram, sem a certeza de poderem aceder ao subsídio de desemprego. Sugiro-lhes que se dirijam ao Dr. Vara para aprenderem como administrar a sua vidinha e estar sempre resguardado. O PS já assegurou que é legal. Ética, pudor e princípios são pormenores que não podem inibir uma sociedade moderna, um governo reformista, a globalização, o progresso, blá blá blá blá.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

VAI SER MAIS FÁCIL APANHAR A ONDA CERTA

Uma pequena notícia do JN abre uma enorme janela de oportunidades e justifica todos os discursos que exigem o reforço do investimento em I&D. No âmbito da realização de uma Dissertação de Mestrado no Instituto Superior Técnico, Nelson Silvestre elaborou um modelo de análise e previsão das condições de prática de surf. Esta notável ferramenta será um poderoso auxiliar no desenho das carreiras políticas em Portugal. Como sabem, o acesso e progresso nesta carreira, mais do que nos méritos pessoais e profissionais, assenta muito frequentemente na capacidade e oportunidade de apanhar a onda certa e na competência para fazer essa escolha em cada momento de forma a garantir, tanto quanto possível, a manutenção no lado certo da onda.
Imaginem um modelo de análise que permita gerir facilmente dúvidas como, aposto na Ota ou em Alcochete? Entro para que Jota? Referendo ou não? Menezes ou Rio? Adiro ao PS ou ao PSD? Será melhor começar uma autarquia ou por uma concelhia? De quem é que devo dizer bem lá na empresa? A que almoços de apoio é que devo ir? etc. etc. Talvez nem o autor do modelo tenha previsto todas as suas enormes potencialidades.

A EUROPA DOS CIDADÃOS. DE QUAIS?

Em termos práticos o efeito é o mesmo. O bloco central, nas urnas ou na Assembleia, seria sempre favorável ao Tratado de Lisboa. A via parlamentar tem a vantagem da economia de custos e procedimentos. Nos tempos que correm não é despiciendo. O pormenor do compromisso assumido pelo PS de referendar a opção europeia, na altura o Tratado Constitucional, não passa disso mesmo um pormenor, e um equívoco. Um pormenor, porque, como sabem, isso de compromissos e promessas no Portugal dos Pequeninos não são coisas a que se deva dar importância. É também verdade que os nossos parceiros europeus, os do costume, terão explicado ao Senhor Engenheiro que o referendo poderia ser um grãozinho na engrenagem da construção europeia, projecto que naturalmente não pode sofrer sobressaltos desta natureza, mas isto de decisões soberanas é outro pormenor. Um equívoco porque, como muito irritadamente explicou o Senhor Primeiro-ministro, ele comprometeu-se a referendar o Tratado Constitucional, não o Tratado de Lisboa, instrumentos que “não têm nada a ver” como é óbvio. Pois. A Europa dos cidadãos? De quais?

CONTEÚDO FUNCIONAL DA PROFISSÃO DOCENTE


terça-feira, 8 de janeiro de 2008

FOI-SE O PACHECO

Discretamente como nunca viveu, morreu Luiz Pacheco, um dos que não se tornou um Incaracterístico habitante da Absurdidade, na notável formulação de António B. Vieira. Intencionalmente esperei algum tempo para ver se me enganava. Não. Não me enganei. Umas notas apressadas sobre os aspectos mais folclóricos da sua passagem pela vida, um trabalho antigo da RTP a justificar o serviço público e alguns depoimentos de natureza litúrgica como a circunstância exige.
Relembro o aqui escrevi sobre a morte de Eduardo Prado Coelho. “Agora que tudo acabou podemos reparar como em um dia, um só dia, Eduardo Prado Coelho se tornou uma unanimidade. Bastou que morresse, receita simples. Um homem que cultivou a polémica não vai poder comentar como certamente o faria. Não foi merecedor desta podre elegia. É o Portugal de (alguns) pequeninos.”
O próximo?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

O BOM POVO PORTUGUÊS E AS TRADIÇÕES

Nos últimos tempos e a propósito de algumas intervenções da polícia de costumes, a ASAE, tem-se falado imenso de respeito pela cultura, tradições e, sobretudo, de bom senso e sensatez. Vem isto a propósito da tradição da aldeia de Vale Salgueiros, Mirandela, sugerir que, durante a época dos Reis, a criançada deve fumar incentivada pelos mais velhos. Em notas de reportagem, soube-se que o Gonçalo de 8 anos já tinha fumado 23 cigarros, ouviram-se pais e avós entusiasmados com as performances dos “piquenos” e, estranhamente, uma mãe afirmou ter começado assim e ficado fumadora. Tradicional e entusiasmante.
No sentido de aumentar o zelo com que o bom povo deve cuidar das heranças, sugiro que, entre outras tradições, considerem a hipótese de manter a discriminação de género pois o lugar da mulher é em casa e se trabalhar fora, deve ganhar menos, é a tradição. O trabalho em casa deve ser também realizado só pelas mulheres porque os homens tradicionalmente não lhe tocam. Para que a tradição seja o que era, uma “carga de porrada” na mulher e nos filhos de vez em quando é bom para que não se esqueçam de quem manda. Deve trabalhar-se de sol a sol e sem direitos como é de tradição. Para bem cuidar da criançada neste tempo de frio, a tradição determina umas sopinhas de cavalo cansado que aquecem que é uma beleza. Se houver alguma dificuldade na escola teremos as tradicionais orelhas de burro já em desuso, vá lá saber-se porquê. Finalmente, a miudagem deve começar a trabalhar de bem pequeno, 9 ou 10 anos no máximo, porque a tradição deve manter-se e um dinheirinho a mais dá sempre jeito para mais umas litradas para aquecimento e uns macitos de tabaco para alimentar a tradição deste bom povo português.

domingo, 6 de janeiro de 2008

O TURISMO É O FUTURO

Duas referências, aparentemente desligadas, deram-me a perceber um futuro possível e viável para o País. Por um lado, o indicador de confiança dos consumidores continua em baixa assente no pessimismo sobre a evolução económica e na situação financeira dos agregados familiares. Por outro lado, soubemos que o ano turístico de 2007 foi o melhor de sempre, com um número superior a 12 milhões de visitantes. Em síntese, parece que somos um local de interesse para visitar mas para viver nem por isso. Neste quadro creio que se justifica uma aposta radical no turismo.
Sob o grande lema SPA – Portugal (Simpatia, Profissionalismo, Atenção) ninguém nos bateria como destino turístico e não só no ALL Garve. Vejam. Com a introdução do inglês no 1º ciclo extraordinariamente bem-sucedida, a comunicação com estrangeiros já não é um obstáculo. Com o sucesso das Novas Oportunidades, os portugueses profissionalizaram-se e o tempo do pano às costas e um palito na boca nos serviços de restauração acabou. Tudo quanto é paisagem interessante passa a PIN (Projecto de Interesse Nacional) e, consequentemente, transforma-se em resort e campo de golfe. Ao mesmo tempo cada turista passa também a ser um PIN (Projecto de Interesse Nacional) daí o ser tratado com Atenção. Temos pobres e zonas degradadas que poderão dar um ar de exotismo permitindo excelentes fotografias em safaris especializados. Temos a Dulce Pontes e o fado. Por fim, somos respeitadores e bem comportados com os estrangeiros e ainda temos uma polícia de costumes a ASAE de uma eficácia inultrapassável que zelará pela qualidade de vida de turistas e empregados, nós.

PS – Temos uns políticos assim para o fraquinho mas podemos prometer que não os deixamos incomodar os turistas, nós já estamos habituados. Pede-se à ASAE.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

A NOVA RELIGIÃO, O SAUDISMO ASSEPTICISTA

A fotografia aqui colocada foi retirada por exigência da autora pelo facto de eu não ter requerido autorização, eram visíveis duas pessoas que fumavam, uma das quais vendedora de castanhas
(Foto de Isaurinda Brissos)

Estão a olhar para dois bons exemplos de espécies em vias de extinção, vendedores de castanhas e fumadores.
Se aceitam um conselho, corram a comprar (estão caras) uma dúzia de castanhas antes que passem a ser adquiridas na secção de congelados das grandes superfícies comerciais, embaladas à unidade, pré-congeladas, pré-assadas e prontinhas a comer com talheres especiais depois de uns minutos de microondas. É que então não haverá maneira de relembrar o sabor.
Quanto ao tabaquito … esqueçam. Obrigado por olharem por nós, os pobres pecadores do saudismo (a saúde é o deus), ramo assepticista, o mais fundamentalista.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

CHAMEM A POLÍCIA

Agora na Guarda. Dando a seguimento à PEC – Política Educativa em Curso, terão sido dispensados cerca de 20 funcionários que, em regime de tarefa, davam apoio às necessidades específicas de crianças com Necessidades Educativas Especiais, em vários casos muito dependentes, que frequentam escolas públicas como é seu direito. A sucessão deste tipo de decisões já não parece analisável à luz de um qualquer entendimento sobre política educativa. Numa de revivalismo lembro-me de uma velha canção dos Trabalhadores do Comércio dos princípios de 80 de título “Chamem a Polícia”. De facto, isto não é um problema de educação é um caso de polícia.

Ainda duas notas do Portugal dos Pequeninos. Primeira, uma senhora faleceu numa urgência hospitalar em Aveiro depois de quatro horas de espera sem qualquer atendimento. A senhora desistiu. Se foi para o céu estará melhor, se foi para o inferno não estranhará. É uma questão de crença. Segunda, o Dr. Ferro Rodrigues, apesar de manifestar o seu apoio genérico às políticas do Governo, lembrou-se de achar, também ele, que sobra arrogância e falta humildade na postura governamental. Logo a voz do dono, o Dr. Canas, se apressou a afirmar que o Dr. Ferro Rodrigues está distante e com uma opinião mal informada. Certo, está em Paris, do outro lado do mundo, completamente isolado numa barraca inacessível barraca chamada OCDE. O meu Faísca é menos sofisticado mas também me defende incondicionalmente.

DO PORTUGAL DOS PEQUENINOS, A CORTINA DE FUMO

O planeamento da acção do Governo é de grande competência. A entrada em vigor da chamada Lei do Tabaco no início do ano é genial e na linha da quadra. De facto, em muitos locais do país o ano começa com fogo-de-artifício de primeira grandeza, que nós não somos de coisas menores, pelo que, a seguir ao fogo-de-artifício, nada melhor que uma cortina de fumo para nublar o impacto da fria entrada no ano novo com os habituais aumentos, a continuidade da política de fechamentos, a retoma que está quase, quase aí mas que tarda em aparecer, o desemprego que ameaça, etc. O país está completamente entretido a fumar à porta ou a comentar o facto de fumar à porta e as discussões obviamente inconclusivas seguem com os argumentos habituais já fora de prazo de tanto uso.
Sobre o fechamento, não posso deixar de citar uma notável apreciação produzida pelo Ministro Correia de Campos, “Os portugueses não estão a perceber a política de saúde do Governo. Se estivessem a perceber eu seria o ministro mais popular em vez de ser o menos popular”. Faz-me lembrar a história do homem que, circulando em contramão na auto-estrada, ouve na rádio um alerta sobre essa situação e pensa, “Estão a dizer que está um tipo na auto-estrada em contramão. Aqui vão todos!”.
A análise do discurso de ano novo do Presidente da República é, como de costume, curiosíssima. Não parecem falar do que o senhor disse. Toda a gente se dedica ao desporto de interpretar o ele terá querido dizer. Naturalmente há “achismos” para todos os gostos.
Em mais uma prova de vida, o impagável Alberto João diz que não participou na cerimónia de passagem da Presidência da UE porque não alinha em piroseiras. Vindo do rei Zulu do Funchal é notável. E assim vai o Portugal dos Pequeninos.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

AGORA OS SANTOS, SANTA PACIÊNCIA

O ano começa bem. Há muitos anos que variadíssimos estudos têm identificado a designação das escolas como uma das maiores causas das elevadas taxas de insucesso e abandono que apresentamos. É, assim, de saudar a sábia orientação ministerial de acelerar a renomeação das escolas, eliminando referências de natureza religiosa, obviamente incompatíveis com um estado laico e além disso fomentadoras de dificuldades de ordem vária.
Entendo que o estado da educação torna obviamente prioritária e imprescindível a medida, mas estranho este zelo num Governo que manifestamente aposta na sua milagrosa capacidade. O início do ano, como de costume, fez-se anunciar com aumentos generalizados nos bens e serviços, na sua maioria superiores a 2.1%, a taxa de inflação prevista. Entretanto, o Governo afirma que, com aumentos salariais iguais à inflação e o custo de vida com aumentos superiores, o cidadão vai recuperar poder de compra. É um milagre que torna injustificado o zelo de laicidade no nome das escolas. No entanto, se este for o caminho, então o país entrará em convulsão onomástica. O cidadão não quererá tratar-se no Hospital de Santa Maria em Lisboa ou no de Santo António no Porto. Dificilmente alguém aceitará nascer em Santa Maria dos Olivais, na ilha de São Miguel e até mesmo no Porto Santo. Trabalhar em Santa Maria da Feira ou S. João da Pesqueira está fora de questão. Chegar de comboio a uma acolhedora estação de Santa Apolónia será uma recordação. E que dizer de Vila Real de Santo António que acumula religião com monarquia? Naturalmente acabar-se-á esse resquício de religiosidade inaceitável que é a comemoração do Santo António em Lisboa e do S. João no Porto. Será ainda de pensar o que se fará ao Natal.
Haja sensatez.
PS – Também não se poderá dizer, nem a brincar, que Pinto da Costa é o Papa. A famosa expressão “santos da casa não fazem milagres” deverá ser substituída por “cidadãos da casa não fazem coisas impossíveis” e o Ministro Teixeira dos Santos passará a Teixeira das Pessoas Boazinhas que Antes se Chamavam Santos.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

BALANCEMOS POIS

Os balanços em final de ano não são coisa que me entusiasme particularmente mas fazem parte da liturgia da época. Sem a preocupação de ordenar pela importância que lhes atribuo, aqui ficam algumas notas sobre o ano da graça de 2007.
Numa época de descrença creio que merecem registo dois, pelo menos, milagres realizados pelo Governo do Grande Engenheiro. Milagre primeiro, a taxa de desemprego continuou a subir mas o Governo criou milhares de empregos. Milagre segundo, os aumentos salariais definidos são abaixo da inflação prevista mas os cidadãos vão recuperar poder de compra. Obrigado Senhor. Queria ainda agradecer a forma como o Governo conseguiu colocar o Verão em Julho e Agosto, o que me possibilitou umas idas à praia nas férias e ainda o feito de, pela sua competência e ímpeto reformista, realizar o Natal em finais de Dezembro permitindo mais um descansozinho ao cidadão. Merece ainda registo a extraordinária e prestigiante presidência da UE, que bem dificultará a vida à Eslovénia e seguintes, pois apenas o Kosovo ficou por resolver e ainda assim, já todos os interessados foram avisados de que, ou se entendem, ou o Engenheiro leva lá o menino guerreiro Santana Lopes e dá-lhes com a Dulce Pontes.
O cidadão, burro e desqualificado, não parece entender as reformas e tudo o que de bom está a ser feito. Vai daí, passa o tempo a protestar. O meu prémio, só pelo nome, vai para esse inesperado e estimulante problema chamado de linhas de muito alta tensão. Uns dizem que deve andar no ar e depois queixam-se de que anda tensão no ar. Outros querem enterrá-la, coisa que também não me parece assim muito bonita. São pobres e mal agradecidos. Não lhes ligue Senhor Primeiro-ministro. Não o entendem e não o merecem.
O País emocionou-se com a desgraça de duas crianças, Maddie e Esmeralda. Esqueceu-se de milhares de outras mas, em certas alturas, até parecia que nos preocupávamos a sério com os putos.
Um país ainda marcado pela matriz judaico-cristã no que diz respeito à família, entristeceu-se com as desavenças entre o Sr. Pinto da Costa e a D. Carolina contadas numa obra de fino recorte literário. Também é de referir um dos momentos altos do ano e que decorreu da estruturante dúvida, afinal, o homem é Engenheiro ou não?
Vamos ser qualificados à força e ainda bem. Em qualquer freguesia em que o Sr. Zé quis ter uma Nova Oportunidade para tirar o curso de padeiro, apareceu um Senhor Ministro, qualquer um, a oferecer um computador. Foi bonito e vai ser útil. Estatisticamente.
O processo Casa Pia continuou na suave vergonha em que se transformou. Continuo a pensar que os putos acabarão condenados por assédio. Em matéria de justiça, continuamos à espera. De justiça.
O meu reconhecimento aos cavaleiros da ASAE pela sua fundamentalista preocupação com o meu bem-estar. Em todo o caso não esqueçam que o povo afirma “tudo o que sabe bem, ou faz mal, ou é pecado”. Agradeço o cuidado, mas sejam sensatos e não se escondam em leis de burocratas assépticos que nos desconhecem e não sabem que a vida nem sempre cabe num tubo de ensaio ou numa norma europeia.
Na vida político-partidária, não posso deixar de registar o regresso do Menino Guerreiro, o Dr. Santana Lopes, que não começou muito bem mas espera melhorar. Os primeiros 50 anos é que são difíceis, depois aprende-se. O Dr. Menezes correu com o Dr. Marques Mendes e depois de desmantelar o PSD ameaça desmantelar o país em seis meses, se o deixarem. Foi bonito também assistir ao regresso de duas das maiores figuras do Portugal dos Pequeninos, o Dr. Bota, o poeta pimba e o Dr. Gomes da Silva mais conhecido pelo Pavlov pois sempre que ouve o menino guerreiro saliva e abana o rabo para receber umas festinhas na cabeça. O Dr. Portas parece que se esqueceu da lavoura e agora é guarda-fiscal. O Dr. Louçã e o Sr. Jerónimo continuam no contrismo, isto é, seja o que for, estou contra. É uma questão de princípio. O Dr. Jardim ainda existe mas parece estar à espera de alta.
O tratado de Lisboa não fez esquecer o tratamento que as sucessivas administrações autárquicas têm dado a Lisboa. Lisboa não merece.
O clown de serviço no Governo, o Ministro Mário Lino, teve os 15 segundos de glória com o discurso do “jamais” e do deserto sobre a questão do aeroporto que continua isso mesmo, uma questão.
Num país em séria crise económica, com o fosso entre ricos e pobres a aumentar, a Banca continuou com lucros a subir o que prova a excelência da sua gestão. A recente turbulência no BCP ajuda a perceber como.
Os seguranças da noite no Porto estão finalmente a cumprir a sua missão. Matam-se uns aos outros e a noite portuense ficará mais segura, mais Branca chamam-lhe.
Finalmente queria sublinhar o meu espectáculo político preferido. O Dr. Menezes ao ataque ao governo e o Dr. Jorge Coelho à defesa do Governo. Vão longe.
Até para o ano.

domingo, 30 de dezembro de 2007

JUSTIÇA

Parece consensual que o nível de confiança dos cidadãos no sistema de Justiça é um bom indicador de desenvolvimento de uma comunidade. É também conhecida e preocupante a má conta em que os portugueses têm a justiça o que assume consequências sociais graves, designadamente na instalação e manutenção de um sentimento geral de impunidade de efeitos devastadores. A entrevista do Procurador-geral da República ao CM de hoje tenta, por um lado, identificar alguns constrangimentos e, por outro, transmitir alguma confiança no funcionamento da máquina da justiça anunciando o fim de processos como Casa Pia, Operação Furacão e Apito Dourado. Se interrogarmos o cidadão anónimo sobre isto, a resposta provável será do tipo “não vai acontecer nada, os tipos safam-se sempre, e quanto maiores melhor se safam”. Será difícil reverter esta ideia. As manobras dilatórias e incidentes processuais explorando os alçapões de leis complexas em que mais do que provar eventual inocência, se procura impedir a acusação e levar à prescrição, alimentarão a ideia de que um bom e bem pago advogado é suficiente para garantir a impunidade. A ver vamos como acabarão estes processos e outros como os que envolvem câmaras e autarcas.
A propósito, não estou muito convencido de que se as comadres no BCP não se tivessem zangado e algumas informações fossem “sopradas” para o exterior, o Banco de Portugal e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, ou CVM como diz o Comendador, mecenas e filantropo Berardo, não estariam agora a investigar uma série de operações desenvolvidas pelo banco com contornos legais no mínimo duvidosos. Veremos o resultado.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

À VARA LARGA

O frio da noite no meu Alentejo exige um bom lume de chão que dá uma quentura branda pouco inspiradora. Nestes últimos dias tenho-me lembrado de uma expressão usada pelo meu pai quando achava que eu fugia a limites ou regras, “pensas q’isto anda à vara larga ou quê”. É verdade. Passados 40 anos andamos à “vara larga”, isto é, Vara larga a CGD e corre largado para o BCP. O Dr. Vara é daquelas pessoas cuja vida é um exaltante paradigma. Tem sido um dos mais sólidos praticantes de alpinismo político. Desde que entrou no PS foi sempre a subir, no aparelho e nos jobs. O João Garcia que se cuide. É também excelente no surf. Qualquer que seja a onda sai sempre por cima e bem, ou não estivesse tão ligado a uma famosa Fundação para a Prevenção e Segurança. Licenciou-se em Relações Internacionais uns dias antes de ser nomeado, em 2005, administrador da CGD. Ficou com o pelouro do crédito e das participações financeiras do banco embora já fosse director adjunto da área de Obras e Património que é mais ou menos a mesma coisa e ligado à sua formação académica. Tal pelouro parece não requerer conhecimento e experiência que, aliás, lhe não faltariam obviamente. Por fim, por agora, o Dr. Vara, um apoiante do Programa Novas Oportunidades do amigo Engenheiro, vai agora aplicar no BCP a larguíssima experiência de administração que adquiriu em dois anos.
O meu pai tinha razão. Isto anda mesmo à vara larga.

Notinha – O Sr. Pinto da Costa, pecador, perdão, fumador arrependido apresenta hoje no Público uma comovente ladainha sobre a nova Lei do Tabaco. Diz a personagem, “A Lei do Tabaco é a melhor lei que este Governo implementou nos últimos tempos”. A quentura do lume certamente que me amolece o intelecto, mas isto é um elogio?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

918 MILHÕES DE MENSAGENS

Neste Natal os portugueses trocaram 918 milhões de SMS, o dobro do verificado o ano passado, apenas 459 milhões.
Rendo-me. Afinal não somos uma comunidade fechada, com baixos níveis de comunicação, 918 milhões de mensagens é obra. Afinal não somos uma comunidade com pouca apetência para a leitura e escrita, 918 milhões de mensagens é obra. Afinal não somos uma comunidade pouco dada ao exercício, teclar 918 milhões de mensagens é obra. Afinal não somos uma comunidade de distraídos, concentrarmo-nos em 918 milhões de mensagens é obra. Afinal já somos uma comunidade “high tech”, equipamento electrónico suficiente para 918 milhões de mensagens em 5 dias é obra.
Só me admiro pelo facto de o Eng. Sócrates não ter promovido uma conferência de imprensa para sublinhar o importante contributo do governo, obviamente, o grande responsável por este fantástico aumento de produtividade. Um grande bem-haja.

ARRANJA-ME UM EMPREGO

“Arranja-me um emprego
Pode ser na tua empresa
Concerteza.
Que eu dava conta do recado
E para ti era um sossego.”


Não, não é. É certo que parece uma conferência de imprensa do Dr. Menezes a reclamar pública e despudoradamente a sua parte junto do Presidente do Conselho de Administração da JOB FOR THE BOYS - BLOCO CENTRAL COMP. SA., mas trata-se apenas de um excerto de uma canção de Sérgio Godinho do álbum Campolide, publicado em 1978.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

SMS - Sossega, Medo Sentido

Sossega, medo sentido.
Vêem-me só e avisam,
cuidado com as companhias.
Porquê
são as companhias que me cuidam.
Não entendem.
Queixam-se do meu silêncio.
Porquê
todos falam de mim e ninguém fala comigo.
Não entendem.
Parecem com medo de mim.
Porquê
o meu medo é ainda maior.
Escondo-me com os fones
no máximo para não o ouvir,
o medo sentido.
Não entendem.
Dizem que me porto mal.
Porquê
só procuro um porto bom.
Não entendem.
É preciso pensar no futuro, dizem.
Porquê
o meu amanhã,
vai ser igual ao hoje,
igual ao nada.
Não entendem.
Sossega, medo sentido.

DO DESERTO AO OÁSIS

Sou dos que entendo como necessário um discurso positivo e optimista por parte dos líderes políticos de forma a promover segurança e confiança nos cidadãos. Sei também que num mundo cada vez mais globalizado e interdependente, a resolução ou minimização dos problemas de cada país, designadamente nos de menor dimensão e influência, estão para lá da capacidade de gestão imediata dos respectivos governos. Dito isto, parece-me que o discurso de Natal do Primeiro-ministro foi isso mesmo, um discurso natalício. A quadra manda-nos esquecer problemas, ser generosos, pessoas de boa-vontade, apoiar criancinhas e sem-abrigo, velhinhos e outros excluídos. É certo senhor Primeiro-ministro que tudo o que de positivo se tem conseguido deve ser afirmado, mas o fosso que se tem acentuado entre mais “favorecidos” e menos “favorecidos”, o desemprego, os baixos níveis de confiança, os fenómenos de exclusão, a quantidade de famílias a (sobre)viver no limiar de pobreza, o mal-estar ético dos níveis de corrupção, etc. não autorizam o seu discurso que nos coloca, outra vez, à beira do oásis. Mesmo que seja Natal, sobretudo por ser Natal. Não é justo para todos, e são muitos, os que não sentem os efeitos de tanta obra.
PS – Uma boa notícia do DN refere-se ao notável aumento da taxa de mulheres licenciadas, 9.3%, um dos valores mais altos da UE. Em alguns casos a tradição começa a não ser o que era. Felizmente.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

ACABOU O NATAL, A VIDA SEGUE DENTRO DE MOMENTOS

(Foto de Honey)
A vida segue dentro de momentos,
porque amanhã já não é Natal.
Voltaremos a ser os putos da atenção pequena.
Pode parecer grande,
de tão presente nos presentes.
Ficará pequenina,
de tão ausente do futuro.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

INVENTAR PALAVRAS JÁ INVENTADAS

De vez em quando lembro-me de Almada Negreiros. Em várias circunstâncias e por diferentes razões. O Mestre dizia, “Nós não somos do século de inventar as palavras. As palavras já foram inventadas. Nós somos do século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas.”
A D. Gracinda, da aldeia de Pitões, nas Terras do Barroso e hoje referida no Público, mostra uma forma muito bonita de inventar palavras já inventadas.
“O meu marido e os seus irmãos tinham a arte de carpinteiros. Faziam obras finas. As mãos deles não haviam de ser comidas pela terra.”

FARINHA DO MESMO SACO

É tudo farinha do mesmo saco. O Dr. Menezes tem-se mostrado ofendidíssimo com a ideia de que o Estado, ou seja, o PS possa estar a interferir na crise instalada na Banca devido ao BCP. Em particular, refere-se à eventual passagem de administradores da CGD conotados com o PS para a administração do BCP, designadamente, Santos Ferreira e Armando Vara. É óbvio que este tipo de procedimentos é um péssimo serviço prestado à saúde ética e cívica da nossa comunidade. O Sr. Vara, que da banca possuía a experiência de um balcão foi colocado na Administração da CGD e agora, já conhecedor e especialista, passará para o BCP. Fantástico e bonito percurso que ainda envolveu uma obscura passagem pelo governo e o escândalo da Fundação para a Prevenção e Segurança. O que acho curioso é a virgem ofendida, o Dr. Menezes, pertencer ao PSD que teve um chefe de Governo, Santana Lopes (brrrrr!!!!), que após uma brilhante e inesquecível passagem pelo governo da D. Celeste Cardona, a nomeou para a administração da CGD, também atendendo, obviamente, ao seu sólido currículo na banca. Haja vergonha. É tudo farinha do mesmo saco.

domingo, 23 de dezembro de 2007

POSTAL DE NATAL

Fui ao Natal ao Almada Fórum. Nós temos um Centro Comercial cá no deserto. É um dos maiores. Fui a pé porque, disseram-me, é muito difícil estacionar no Natal do Fórum. Parece que está sempre cheio. Logo nas entradas dos parques se via o Natal. Os carros com as luzes e piscas ligados e a apitar pareciam um enfeite. Muito bonito e as pessoas estavam com um ar contente de espírito natalício. Lá dentro havia gente que vou-vos contar. Mas cria-se um ambiente tão simpático e aconchegante com o aquecimento no máximo e as pessoas ao colo umas das outras, que se deseja que o Natal não acabe. Foi uma experiência fantástica. Para terem uma ideia do meu Natal no Fórum, deixo-vos uns fragmentos do que fui captando.
“Ó Cajó não tesqueças que temos que ir ao JUMBO buscar os camarões que são mais baratos que no LIDL. Tá bem Micas, aproveita-se e levamos as bejecas.”
“Crise? Qual crise? Crise é para mim que não me sai o Euromilhões.”
“Vanessa não insistas. Inda em Agosto, pelos anos, te comprei um telemóvel, não te vou já comprar outro. Na tua idade não precisas de uma banda muito larga, essa chega muito bem.”
“É sempre a mesma coisa e eu não aprendo. A tua mãe está lá dentro da loja há uma hora, na volta não compra nada nesta e temos que apanhar outra seca.”
“Crise? Qual crise? Crise é para mim que não me sai o Euromilhões.”
“Não me chateies com os livros. Ainda não leste todos os que estão lá em casa.”
“Tatiana, por amor de Deus, 12 prendas chega. Queres mais alguma coisa pede à tua avó.”
“Não Miguel, é ao contrário, o Natal é que passas com a mãe e na passagem de ano é que vais com o teu pai.”
“Crise? Qual crise? Crise é para mim que não me sai o Euromilhões.”
“Ó mãe deixa-me pôr outra moeda na máquina. Ainda só andei seis vezes. Vá lá.”
“Vou ali à FNAC comprar aquela cena do GPS. Fica fixe no carro. O people tem todo.”
“Eu bem te disse que não era boa ideia trazer a velhota. Nunca mais vamos sair daqui.”

Aproveitando, espero que quando forem ao vosso Natal se sintam felizes. Mais do que eu.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

LÍDERES OU REPRESENTANTES

Líder é um dirigente político que pode antecipar o seu tempo e é capaz de pôr em risco a sua liderança por objectivos que não são necessariamente populares…Representantes, pelo contrário, conduzem os países por sondagens, não antecipam o seu tempo, governam cada dia como se as eleições fossem para a semana.”
(Luís Campos e Cunha, Público, 21/12/2007)

Bem pensado, digo eu.

PORTUGUESES E ESPANHÓIS

Os dados constantes no Relatório A Península Ibérica em Números 2007 produzido pelo INE são deveras interessantes. Vejamos alguns.
Casamo-nos menos que os espanhóis. A tradição já não é o que era e, é sabido, de lá nem bons ventos, nem bons casamentos.
Temos menos filhos que os espanhóis. O tão falado e sério problema da produtividade.
Bebemos mais vinho mas, compensamos, bebemos menos leite. Pensam que somos alguns meninos ou quê?
Temos mais telemóveis (mais aparelhos que habitantes) e mais automóveis que os espanhóis. E depois ainda vêm p’ra cá dizer que estão mais à frente. Aguentem-se seus invejosos subdesenvolvidos.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

NÃO, NESTA ESCOLA NÃO PODES ANDAR

De Pessoa, a estranheza e a perplexidade. Um trabalho do JN refere que uma equipa do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE encontrou escolas públicas que seleccionam os seus alunos por rendimento escolar e origem social, o que parece inconstitucional. Sobre esta matéria a Confederação Nacional das Associações de Pais afirma, “é uma questão que estamos agora a analisar com as administrações regionais e ME”. Não sei se chore, se ria. Então esta gente tem estado emigrada? Há muito tempo que esta situação ocorre e é conhecida. Aliás, se não se verificasse o abaixamento da população em idade escolar, o fenómeno seria, como já foi, bem mais evidente. Com muitos alunos as escolas escolhem (discriminam) mais, com menos alunos, as escolas ficam mais “tolerantes” para justificar a manutenção (ou aumento) do corpo docente.
É também por estas razões que, defender uma educação de qualidade e para TODOS, isto é assente numa perspectiva inclusiva, não é retórica, não é uma ficção, é apenas, uma questão de direitos.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

A SALTO

(Foto de Sofy Sá)
Agora chegaram a Portugal. Pelo acaso do clima e correntes ou pela acção criminosa de alguma rede traficante, 23 marroquinos descobrem o caminho marítimo para Portugal numa estranha reviravolta da história.
Num mundo cada vez mais assimétrico e com um inaceitável fosso entre os mais ricos e desenvolvidos e todos os outros, não será de estranhar a tentativa de fuga a um destino marcado. Os portugueses têm a noção exacta do que isto é. Centenas de milhar dos nossos compatriotas também deram o salto na busca do futuro, Também clandestinamente, também vítimas de traficantes criminosos, também arriscando a vida e a expulsão à chegada, também enfrentando, por vezes, comunidades hostis e discriminatórias. Insistiram e resistiram. Acabaram por se tornar imprescindíveis ao desenvolvimento dos países de acolhimento e as suas remessas têm sido um fortíssimo contributo para a nossa economia.
Estranho pois algumas reacções que parecem esquecer a história. Torna-se necessária uma política de emigração para a UE que contemple, naturalmente, questões de economia e segurança mas também direitos humanos e solidariedade. Ou a cimeira EU – África não passará de um evento social destinado a aquietar consciências europeias e a legitimar governos africanos cleptocratas e ditadores.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O INSUCESSO ESCOLAR, O DR. LEMOS E A FINLÂNDIA

De novo o insucesso escolar. Em 2005/2006 chumbaram 120 000 (sim 120 000) alunos no Ensino Básico, ou seja, 10% da população escolar deste nível. Como termo de comparação a média da OCDE é de 3% e na Finlândia, o país emblemático, a taxa é de .005% (sim, .005%). Mais do que nas razões pensemos nas soluções. O Secretário de Estado, Dr. Lemos, em entrevista ao Público sublinha a obrigação legal das escolas definirem planos de recuperação para os alunos que começam a experimentar dificuldades e afirma a existência de escolas que realizam bom trabalho e outras que nem por isso. Deixando de lado o papel que nesta matéria também desempenha a gestão, responsabilidade e avaliação das escolas e daí a urgência da reforma, o Dr. Lemos, num excelente exercício de retórica desconhecedora ou fingidora sobre o real, defende as escolas que resolvam. Ora as práticas das escolas, de muitas escolas, são parte do problema. Como podem então ser parte da solução? O Público esclarecer-nos-ia se verificasse o que em muitas escolas se entende por planos de recuperação. Ficaríamos esclarecidos e perceber-se-ia melhor os números do insucesso.
O Público foi ouvir um elemento da Embaixada da Finlândia sobre as eventuais razões para o seu baixíssimo insucesso que não parece explicável por razões genéticas ou climáticas. Referiu a senhora como bases do sucesso, “diagnóstico precoce de problemas e dispositivos de apoio a todos os alunos”, “orientação e aconselhamento a todos os alunos ao longo do ensino básico” assegurando “bem-estar físico, psicológico e social”. A diferença. Em Portugal, frequentemente, não se procede ao “diagnóstico de dificuldades”, estabelece-se a impressão de que “se não aprende é porque não tem capacidades ou a família não funciona” pois não existem, na maioria das escolas, recursos qualificados para este diagnóstico e consequente intervenção. Daí os planos de recuperação serem muitas vezes um ineficaz enunciado de lugares comuns do tipo “deve ser assíduo” ou “deve fazer os trabalhos de casa”. Em Portugal, em 2006 e segundo a DGIDC existiam 519 serviços de psicologia e orientação no subsistema oficial. Este número significa 640 técnicos, um serviço por cada 26 escolas !!!, um técnico por cada 2317 alunos !!!. Elucidativo e animador, o apoio e orientação disponíveis para os alunos. Será parecido com a Finlândia? Esta matéria é da responsabilidade do Dr. Lemos, um fingidor.

domingo, 16 de dezembro de 2007

PORTUGAL DOS PEQUENINOS

Não entendo muito bem porquê, mas o fim-de-semana deixa-me mais atento ao Portugal dos Pequeninos. Duas notas de humor e uma de preocupação com os pequeninos.
Ouvi um excerto de um discurso do Dr. Portas, o Paulo, proferido não me lembro onde, em que, com o seu ar habitual, recomendava “humildade” ao Engenheiro, o Primeiro-ministro. É certo que ao Engenheiro Sócrates falta em humildade o que sobra em arrogância, mas ouvir o Dr. Portas, um dos maiores umbigos da política portuguesa, recomendar humildade é de um sentido de humor “very british”. Ouvi também o Dr. Jardim afirmar que na Madeira não se assiste a falta de democracia, penalizações por delitos de opinião e outros males que só os cubanos do Continente sofrem. É certo que se pode sempre dizer que o homem está senil e inimputável mas o que me espanta é que o povo aplaude. Tanta generosidade só pode mesmo vir de ser um povo superior.
Nota de preocupação. Exigir nesta altura que todos os partidos provem ter 5000 filiados é bater na democracia. Ela já está doente, tratem-na, não lhe batam, logo o Tribunal Constitucional. Qualquer grupo de eleitores com ideias próximas pode, num exercício de cidadania, organizar-se em movimentos que, de acordo com as regras, procurarão difundir essas ideias. Se a comunidade adere o movimento alarga, caso contrário definha. Esses movimentos podem ser partidos que, apesar de pequenos, são imprescindíveis à inovação e mudança. Nenhuma ideia dominante, nasceu dominante, mas sempre as ideias dominantes se defenderam das que, apesar de pequenas, eram diferentes. A história repete-se.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

COMO SEMPRE

(Foto de António Bastos)


O sol está a pôr-se. Vai ficar frio.
Como sempre.
Prometeram que vinham.
Como sempre.
Como sempre,
sinto-me só.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

APLAUSO A UMA APOSTA NOS LIVROS e um post scriptum

Uma excelente notícia. Num país com níveis de leitura e compra de livros preocupantemente baixa, apesar dos planos e campanhas ciclicamente destinadas à sua promoção, ainda aparece alguém com a coragem de abrir a que será a maior livraria portuguesa, a BYBLOS. O empresário, Américo Areal, merece ser bem-sucedido na iniciativa numa altura em que as livrarias de referência e com preocupações de catálogo vão desaparecendo. Há quem diga que vender livros no meio dos sabonetes do hipermercado ou entre os refrigerantes das gasolineiras, generaliza e promove a sua aquisição. Acredito que sim. Mas sei também que procurar e encontrar "aquele livro" e não best-sellers, acompanhado por quem os conhece e de quem deles gosta é um privilégio que nenhuma grande superfície comercial oferecerá.

PS – Não, PS quer dizer post scriptum e serve para deixar uma pequena nota do Portugal dos Pequeninos. A Câmara de Loures gasta mais de 2.5 milhões €/ano em avenças. Deve obviamente ser fruto do acaso, mas um bom número dos avençados tem relações familiares e/ou políticas com os responsáveis pelos gabinetes camarários. É só mais um exemplo. Viva o poder autárquico tão atento aos problemas e necessidades do cidadão.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

SALA DE AULA

(Foto de Honey)

CORRUPÇÃO? NÃO, É IMPRESSÃO

Segundo notícias de hoje, encontram-se detidos por corrupção 22 indivíduos. Este número corresponde a 6% dos 370 inquéritos registados pela PJ nos últimos dois anos. Diz-se também que estes 22 casos de detenção apenas se verificam por cometimento de outros crimes pois “só” a corrupção seria insuficiente. Em vários estudos, os portugueses identificam a corrupção como uma preocupação o que significa a percepção de que o fenómeno está suficientemente presente no nosso quotidiano para nos tornar apreensivos. Sabemos também que muitos fenómenos de “pequena” corrupção passam sem denúncia ou inquérito pois fazem parte da rotina e da cultura do “e não se pode dar um jeitinho?”. Este quadro, a percepção de uma quase impunidade, uma cultura favorável aos comportamentos de corruptores e corruptos, um quadro normativo “envergonhado” face a este tipo de crimes e com um órgão legislativo, a Assembleia da República, aparentemente desinteressado em alterá-lo, tem efeitos severos sobre a qualidade da nossa vivência cívica. Mas o mais inquietante, é que, para lá da retórica dos discursos, a manutenção desta situação parece servir a todos. Para quê alterá-la?

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

MUDANÇAS NA GESTÃO DAS ESCOLAS. SERÁ DESTA?

Numa rápida consulta à net durante um dia cheiíssimo fiquei a saber que o Governo afirmou na Assembleia da República a intenção de introduzir mudanças no modelo de gestão das nossas escolas. Com a natural reserva decorrente de desconhecermos conteúdos e alcance das mudanças, parece-me uma boa notícia. Não existe hoje a menor dúvida de que, numa qualquer organização ou instituição, a qualidade e modelo de liderança é um factor fortemente contributivo para a qualidade dessa estrutura. Torna-se pois necessário um modelo de gestão, cuja qualidade não fique exclusivamente dependente do jeito ou vocação que um docente ou grupo de docentes tenha para tarefas dessa natureza e que equilibre adequadamente responsabilidade e autonomia. Um bom professor não é necessariamente um bom gestor e, obviamente, pode-se ser um bom gestor sem necessariamente se ser bom professor. Vamos em todo o caso aguardar por mais informação.