Inicia-se hoje a época das provas de monitorização das aprendizagens (Moda) do 4.º e 6.º ano que estarão terminadas em 9 de Junho. Retomo algumas notas. A avaliação externa é uma ferramenta imprescindível de regulação dos sistemas educativos nos diversos patamares. No entanto e como tenho escrito, parece-me crítica a decisão de realização das provas em formato digital, fruto do “deslumbramento digital”, perdão, da transição digital.
Durante algum tempo, tive
esperança de que o bom senso e o conhecimento do que se passa noutros sistemas
educativos sustentassem uma reflexão e alguma prudência relativamente à
introdução em termos excessivos dos recursos digitais e pudesse contribuir para
um maior equilíbrio e precaução na utilização destes recursos, designadamente
nos primeiros anos de escolaridade. Sabemos também que se determinou uma
restrição mais exigente relativa aos telemóveis nas escolas e, global e
felizmente, se está a reconsiderar a forma de utilização dos recursos digitais.
Por outro lado, continuam a ser
conhecidas com demasiada frequência queixas relativas ao acesso a equipamentos
por parte dos alunos, à qualidade dos equipamentos, que, de acordo com os
directores de escolas e agrupamentos, a insuficiência dos recursos necessários
à adequada utilização dos equipamentos, nas escolas, mas em particular nas
salas de aulas, infra-estruturas eléctricas e rede de net eficientes, por
exemplo. Acontece ainda que existe uma enorme diversidade na literacia digital
dos alunos.
Deste cenário, apesar do esforço
que vai ser realizado recorrendo ao apoio dos docentes de informática, podem
decorrer situações sérias de desigualdade entre escolas e entre alunos e todos
conhecemos múltiplas situações que evidenciam a enorme disparidade de recursos
e da sua utilização. A proficiência da escrita e realização em formato digital
será na esmagadora maioria dos alunos de natureza e nível diferente o que pode
contaminar os resultados.
Uma outra questão prende-se com o
tempo que demora o retorno às escolas da informação recolhida nas provas, é
tardio e o eventual contributo para o percurso dos alunos estará comprometido. Acresce
que os resultados das provas de ModA continuam a não ter qualquer impacto na
avaliação dos alunos, mantém-se o “não servem para nada”. É verdade que são
registadas no processo de cada aluno, que as escolas recebem os resultados, demasiado
tarde como referi, mas também está estudado de há muito, que as representações
e expectativas sobre uma determinada tarefa contaminam de forma significativa o
desempenho nessa tarefa. Para pais e alunos, mas também para professores e
escolas, é relevante o facto de as provas não “contarem para nada”, não é fazer
"certa a coisa". Um dos meus netos realiza as provas do 4.º ano e
creio que está menos preocupado que para a realização de um teste durante o
tempo de aulas. Podemos correr o risco de que a desvalorização inquine
resultados.
Voltando ao início, sei que nem
sempre é fácil “fazer as coisas certas e fazer certas as coisas”, mas neste
caso não me parecia muito difícil.
Foi mesmo uma opção, uma má
opção.
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